quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O DISCRETO CHARME DA HIPOCRISIA

Raul Longo

“Há que considerar a investigação com dupla cautela. Os detalhes ainda são nebulosos, mas o que transpirou até aqui indica um conluio entre fornecedores para repartir encomendas e elevar seus preços de 10% a 30, sem provas de envolvimento das autoridades.” – editorial da Folha de São Paulo de 03/08/2013 sobre desvios de verbas públicas pelos governos do PSDB na construção do Metrô de São Paulo, denunciadas pela Siemens. http://avaranda.blogspot.com/2013/08/por-fora-dos-trilhos-editorial-folha-de.html
  
Freud demonstrou que mesmo inconscientemente somos todos hipócritas. Cada um esconde a realidade de si próprio e isto chega a ser saudável, pois não suportaríamos a verdade de nós mesmos. Não saberíamos lidar com os segredos de nosso subconsciente. No entanto, o indivíduo incapaz de distinguir o que é real do que é delírio é caso de distúrbio mental, doença.

Doença que prejudica a terceiros quando o mentiroso é um hipócrita consciente, intencional e movido por interesses escusos ou confessos. Nesse caso, a hipocrisia é um distúrbio de caráter que pode provocar disfunção mental e o desvio de personalidade em quem nela acredita. Esses desenvolvem dependência viciosa no irreal e impossibilidade de compreensão dos fatos.

A vítima da hipocrisia chega a cometer atos insanos, drásticos ou depressivos. Há casos de automutilação e até de morte, como ocorreu à enfermeira que se medicou contra inexistente epidemia de febre amarela.

Outro psicanalista alemão, Erick Fromm, demonstrou que distúrbios provenientes da sistematização da hipocrisia podem se tornar pandêmicos, envolvendo toda uma sociedade e até a humanidade em geral. Um exemplo clássico ocorreu na própria Alemanha quando a sistematização da hipocrisia por um grupo político promoveu distúrbio mental em toda a sociedade que passivamente permitiu o extermínio de milhões de pessoas.

Talvez pela lamentável experiência com esse tipo de procedimento é que outra instituição germânica, a Siemens Aktiengeselischaft, (Siemens AG), o maior conglomerado de engenharia da Europa, resolveu denunciar o processo de corrupção de sua diretoria no Brasil, envolvendo três sucessivos governadores de São Paulo: Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB.http://www.istoe.com.br/reportagens/paginar/316224_TRENS+E+METRO+SUPERFATURADOS+EM+30+/5

Apesar de a importância superar centenas de milhões do que se supõe ter sido operado pelo que foi chamado por um dos mais afamados corruptos do Brasil como o “maior esquema de corrupção da história política do país”, a existência do esquema de desvio de verbas públicas denunciado pela Siemens não é novidade.  Em 2008, um ano depois da morte de Antonio Carlos Magalhães, já havia o que se tornou mundialmente conhecido como “Escândalo do Caso Alstom”.
O caso, envolvendo os mesmos políticos do PSDB e os fornecedores das obras do Metrô da capital de São Paulo em milionários desvios de verbas públicas entre os anos 1997 e 2001, chocou a imprensa internacional. https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&ved=0CCoQFjAA&url=http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%25C3%25A2ndalo_do_caso_Alstom&ei=Br_-UfyTPIHA8ATrxoDABw&usg=AFQjCNG2xnemSSd_T6ij9Zt4xQiXd7bIiA&bvm=bv.50165853,d.eWU Mas, então envolvida na indução de preconceitos ao governo e à pessoa do Presidente Luís Ignácio Lula da Silva, a mídia brasileira não dispôs de muito espaço para o caso.

A Alstom foi condenada pela justiça suíça ao pagamento de U$ 43,5 milhões pelo conluio com os corruptos do PSDB brasileiro.http://www.brasil247.com/pt/247/poder/110053/. Mas no Brasil os envolvidos continuam impunes e hipocritamente se pronunciam sobre como deveria ser presidido o país, sempre com grande divulgação e apoio da mídia nacional. É o que ocorre, por exemplo, com Fernando Henrique Cardoso, sogro de David Zylberztajn que, então presidente da Eletropaulo, foi um dos principais envolvidos no Caso Alstom.

Entre outros, esses desfalques do patrimônio público nacional identificam e justificam parte dos motivos que levaram o então Ministro da Economia a, na mesma época, dirigir um pedido ao Fundo Monetário Internacional:

Brasília 13 de novembro de 1998

Prezado Sr. Camdessus
O memorando de política anexo descreve as políticas econômicas e objetivos do Governo do Brasil para o período 1998-2001 para apoio das quais o Governo solicita do Fundo uma quantia equivalente a SDR 13.025 (US$ 18.023.210) na forma de um acordo stand-by por um período de 36 meses. 


Michel Camdessus era então o Diretor Gerente do Fundo Monetário Internacional, mas seu sucessor, Horst Köhler, recebeu outra carta assinada pelo mesmo Ministro Pedro Sampaio Malan:

Brasília 23 de agosto de 2001

Sr. Horst Köhler- Diretor Gerente Fundo Monetário Internacional

Prezado Sr. Köhler:

O memorando anexo descreve as políticas econômicas e os objetivos do Governo do Brasil para o restante de 2001 e para 2002 e em apoio às referidas políticas e objetivos o Governo solicita um Arranjo Stand-By junto ao Fundo para um período de 15 meses no valor de DES 12 144.4 milhões (equivalente a cerca de US$ 15 650 milhões).


E um ano e seis dias depois, o Ministro de Fernando Henrique Cardoso, remeteu uma terceira carta ao Sr. Köhler:

Brasília, 29 de agosto de 2002

Exmo. Sr.Horst Köhler

Diretor-Geral do Fundo Monetário Internacional
Washington, DC 20431 — EUA

Senhor Diretor-Geral:
No Memorando de Política Econômica (MPE) anexo, descrevem-se as políticas e objetivos estabelecidos pelo Governo do Brasil para os meses restantes de 2002 e para 2003. Em apoio a essas políticas e objetivos, o Governo do Brasil vem solicitar um Acordo Stand-by com o Fundo, com prazo de 15 meses, no valor de DES 22 821 milhões, montante equivalente a cerca de US$ 30 bilhões, dos quais US$ 10 bilhões seriam desembolsados no âmbito do Programa de Financiamento de Reserva Suplementar.


onde se inclui também o pronunciamento do então Presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as medidas de contenção econômica e aumento de impostos à população, em atendimento as exigências do FMI para a liberação dos empréstimos que jamais resultaram em qualquer benefício à população em saúde, educação, mobilidade urbana, melhoria de estradas ou qualquer outra aplicação em infraestrutura. E ao final daquele governo a população também teve de cobrir o prejuízo R$ 42,5 bilhões do apagão energético.

Apesar da continuidade do congelamento de salários e o aprofundamento do alarmante índice de desemprego, as medidas e o pronunciamento de FHC foram efusivamente enaltecidos pela mídia brasileira. Desde a campanha à presidência de Collor de Melo a população brasileira não era tão exortada à admiração de uma personalidade política através dos meios de comunicação.

Em contrapartida, ao sucessor de FHC se rendeu o maior esforço de degradação de imagem pública de que se tem notícia da história da política internacional. Nunca um governo sofreu tão sistemático, intenso e coeso ataque da mídia. Nem mesmo Getúlio Vargas foi tão denegrido pela imprensa e sofreu tanto opróbrio de seu arquirrival, o jornalista Carlos Lacerda. Até mesmo Hugo Chávez, um dos presidentes mais duramente atacados pelos veículos de comunicação de seu país, em visita ao Brasil espantou-se com o empastelamento à imagem de Lula da Silva pela mídia brasileira.

Por outro lado, se pelo que fizeram por seus povos Mahatma Gandhi e Nelson Mandela foram reverenciados internacionalmente como até então nenhum outro político do mundo, nas manchetes dos mais significativos veículos de imprensa do hemisfério norte e pelos títulos e honrarias concedidas pelas mais tradicionais e respeitadas instituições da Comunidade das Nações, foram superados por Lula da Silva, como demonstrado nesta listagem, ainda que incompleta: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=premia%C3%A7%C3%B5es%20e%20honrarias%20internacionais%20concedidas%20a%20lula&source=web&cd=1&cad=rja&ved=0CCwQFjAA&url=http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Pr%25C3%25AAmios_e_honrarias_recebidos_por_Luiz_In%25C3%25A1cio_Lula_da_Silva&ei=NdD_UcDbEIeI9gTTw4HACg&usg=AFQjCNG2S2rKlM0uWvWJTR1ViPRCEU0UoQ
Entre o Estadista Global de Davos (Suíça) e o bêbado que com uma caneca de chope brindou a abertura da Orktoberfest de Blumenau; o Homem do Ano do Le Monde e a anta de um colunista da revista Veja; o Prêmio Chatam House do Reino Unido e o “apedeuta”;  o brasileiro comum foi colocado em traumático embate de compreensibilidade que afetaria a capacidade cognitiva de qualquer ser humano, por mais preparado que fosse.

Dessa forma os chamados formadores de opinião pública se confirmam como meros difusores de estupidez, ignorância, racismo e demais preconceitos deformadores do caráter, da percepção e da sensibilidade coletiva. Como resultado, mesmo daqueles de que se espera maior capacidade de discernimento se observa total desinformação e alijamento de senso crítico sobre os temas distribuídos pela correios eletrônicos. É o que acontece com os que postam campanhas corporativas contra as propostas para expansão do atendimento médico à população, onde se alega ausência de investimento governamental na infraestrutura de saúde.

Ignoram que entre as justificativas da maior evolução do Índice de Desenvolvimento Humano apresentado pelo Brasil em uma década, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, aponta: No caso brasileiro, esta evolução do IDH do ano passado para este ano contou com um impulso maior da dimensão saúde – medida pela expectativa de vida –, responsável por 40% da alta” http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=evolu%C3%A7%C3%A3o%20do%20idh%20do%20brasil&source=web&cd=6&cad=rja&ved=0CEEQFjAF&url=http://www.pnud.org.br/Noticia.aspx%3Fid%3D2583&ei=iRYAUrzaDsGe2QWbnICIBQ&usg=AFQjCNH-H4nviI5nHMU0Kqq_DDYSnP_gcA

O embotamento de raciocínio promovido pela degradante mídia brasileira impede não somente a capacidade perceptiva como também a dedução associativa e aqueles que tiveram de financiar uma das maiores dívidas externas do mundo ainda não conseguem relacionar as décadas de desarticulação e sucateamento das redes de prestação de serviços públicos, e o abandono de qualquer infraestrutura dos mais diversos setores com consequente e calamitoso estado deficitário desses serviços por todo o país. Deficiências que vem sendo recuperadas através de medidas emergenciais como a contratação de médicos estrangeiros que justifiquem investimentos consequentes e produtivos e não mera demagogia eleitoral ou para desvio de verbas públicas como o exemplificado em: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&cad=rja&ved=0CDQQFjAB&url=http://www.istoe.com.br/reportagens/4776_OS%2BVEDOIN%2BACUSAM%2BSERRA&ei=5loAUv6MJoX68QTIzoHYAg&usg=AFQjCNHTK3Yuo-F6TYxKzcXpYEhDIIvh4A&bvm=bv.50310824,d.eWU

Viciado em deglutir mentiras regurgitadas pela mídia, e obstruído em sua natural curiosidade humana, o lamentável brasileiro comum não consegue distinguir na origem do que recebe e distribui pela internet aqueles que os estão lesando e enganando hoje porque antes já o lesaram e enganaram inúmeras vezes, como é o caso de Barjas Negri, citado na denúncia do link anterior e condenado pelo TCE de São Paulo por irregularidades em 102 contratos enquanto presidiu o CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano de São Paulo no primeiro governo de Geraldo Alckmin. Hoje, ao lado de José Serra, ambos do PSDB e ex-Ministros da Saúde, é um dos líderes da oposição ao programa “Mais Médicos”, conforme se pode ler aqui:

De raciocínios inutilizados pela sistemática bestificação promovida pelos meios de comunicação, apesar de meros e incógnitos pontos de distribuição de preconceitos e ignorâncias esses solitários reprodutores de desinformação e difusão de mentiras são os inoculadores de perigosa doença que, como ocorreu há poucas semanas, pode se manifestar como surto psicótico coletivo sem que os próprios surtados tenham a menor noção de serem portadores de um desajuste, como no caso das lamentáveis vítimas documentadas nessas imagens: https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&cad=rja&ved=0CDoQFjAD&url=http://esquerdopata.blogspot.com/2013/07/manifestante-diz-que-e-contra-pec-37.html&ei=cAf_UeP-JYfU9QSU1YHQBw&usg=AFQjCNH_61kfHqAw-ZgmITiByMg9kQsOpw

No entanto, se repetidores e distribuidores de mentiras e preconceitos são apenas os “mulas” da ampla rede de tráfico de estupidez e boçalidade revelada nos meses de junho e julho, qual o foco desta praga mental que se alastrou pelo país surpreendendo o mundo?

Conforme se pode ler aqui: http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=quem%20agita%20o%20brasil&source=web&cd=2&cad=rja&ved=0CDIQFjAB&url=http://redecastorphoto.blogspot.com/2013/07/quem-agita-o-brasil-e-por-que.html&ei=bCYAUtOoAZb54AOE5YDYAg&usg=AFQjCNHAQ0E98_RnhkrHWcXBus2qjCgNCw nem todo o mundo ficou tão surpreso, mas os financiadores de golpes internacionais dependem de focos internos que disseminem a histeria para justificar suas intervenções através de contratados corretores de potenciais econômicos nacionais de um país. E quando um grupo de corretores pode ser atingido pelo próprio anunciante de um foco dessa infecção que assola o Brasil, o cartel da falácia se põe em alerta e recomenda “dupla cautela”.

Assim se revela o discreto charme da hipocrisia que não ocorreu aqui:


“A Folha cometeu dois erros na edição do dia 5 de abril, ao publicar a reprodução de uma ficha criminal relatando a participação da hoje ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no planejamento ou na execução de ações armadas contra a ditadura militar (1964-85). O primeiro erro foi afirmar na Primeira Página que a origem da ficha era do arquivo [do] Dops. Na verdade, o jornal recebeu a imagem por e-mail.” – Folha de São Paulo – edição de 25 de abril de 2009.


E também aqui:

Tampouco teve qualquer cautela para o que é reportado aqui:

Ou a respeito da publicação desta foto que apenas provocou uma transferência da responsabilidade de um crime, como se lê adiante:


“Errei. Devo desculpas a José Dirceu. Na semana passada, reproduzi neste espaço uma informação -assinada por um colega com quem já trabalhei e que julgava ser um jornalista responsável-, dizendo que o ex-deputado teria comprado uma moto Harley-Davidson V-Rod, no valor de R$ 90 mil. Dirceu não comprou a Harley e não sabe dirigir motos” – Barbara Gancia na Folha de São Paulo. 

Os “mulas” da rede de tráfico de mentiras e vetores de inseminação de distúrbios psicóticos coletivos se distribuem Brasil afora às centenas, e a Folha de São Paulo também não é o único  centro de difusão da doença que degrada parte da população brasileira e neste inverno contaminou os jovens que, com 20 anos de idade em média, não foram imunizados pela realidade de décadas anteriores e daí apresentarem degenerações típicas de velhice mental precoce.

Além da Folha, alguns outros grupos empresariais e suas subsidiárias também promoveram e promovem demência, alienação, perda de memória, e neurose coletiva; forjando uma sociedade caquética, depressiva e autodestrutiva.

Tem-se falado bastante da bilionária sonegação de impostos por um desses notáveis grupos familiares com discreto charme de hipocrisia, no entanto muito mais preocupante do que os prejuízos econômicos, culturais ou comportamentais que provocam entre nossa sociedade, são os prejuízos à sanidade mental e ao caráter do povo brasileiro.

Recomendável que com esses focos da epidemia que ameaça a população do Brasil se tenha tripla cautela e nenhum charme ou discrição na formulação de imediata regulamentação de suas perniciosas e insalubres atividades. Ou no futuro se terá de recorrer a psicólogos estrangeiros para garantir alguma saúde mental para a sociedade desse país.

sábado, 3 de agosto de 2013

EUA desmoralizados

2/8/2013, Paul Craig Roberts, Information Clearing House


Com Washington perdendo o poder de mandar no mundo, desafiada por Venezuela, Bolívia, Equador, e agora também pela Rússia, o governo dos EUA recorre já despudoradamente a chiliques de maus modos. As repetidas manifestações de infantilismo, pela Casa Branca e pelo Congresso dos EUA, envergonham todos os norte-americanos. 


O mais recente surto de comportamento infantiloide em Washington é ‘resposta’ ao Serviço de Imigração da Rússia, que garantiu asilo por um ano ao sentinela [orig. whistleblower] Edward Snowden, na Rússia, enquanto os russos analisam a possibilidade de conceder-lhe asilo permanente. Washington, depois de já ter convertido os EUA em estado sem lei, já não sabe, sequer, manter comportamento legal. Lei é o que interesse a Washington. Do ponto de vista de Washington, lei é o desejo de Washington. Qualquer um, pessoa ou país, que interfira no que Washington deseje, é declarado fora da lei. 



Porque Obama, como Bush antes dele, rotineiramente desobedece à lei norte-americana e à Constituição dos EUA, a Casa Branca meteu-se na cabeça que o presidente Putin da Rússia também teria de desobedecer à lei russa e à lei internacional, cancelar a decisão do Serviço de Imigração da Rússia e entregar Snowden a Washington. 



Washington quer porque quer que a Rússia lhe entregue Snowden, simplesmente porque Washington assim o ‘exige’. Como criança de dois anos, Washington simplesmente não concebe que esse tipo de ‘exigência’ não se sobrepõe à lei internacional nem à legislação interna de cada país. Como a Rússia atrever-se-á a não obedecer à “nação indispensável”?!



O/a porta-voz da Casa Branca, tão inexpressivo/a que não consigo lembrar nem o nome, nem se é homem ou mulher, declarou que o idiota da Casa Branca poderá ‘castigar’ Putin e não aparecer para visitá-lo em Moscou, mês que vem. Duvido que Putin perca o sono, preocupado com se o idiota da Casa Branca aparece ou não aparece em Moscou.



O mandato do idiota da Casa Branca está chegando ao fim, mas Putin, a menos que a CIA o assassine antes, continuará em seu posto por mais dez anos. Importante, agora, é que todos os presidentes da Rússia já entenderam que o que o presidente dos EUA diga não vale coisa alguma. Um Clinton, dois Bushes e o atual idiota da Casa Branca já violaram todos os acordos que Reagan firmou com Gorbachev. Que interesse teria o presidente da Rússia, nação governada por leis, em encontrar-se com mais um tirano?



Para nada ficar a dever ao infantilismo da Casa Branca, membros da Câmara de Representantes e do Senado dos EUA acrescentaram sua pitada de falta de vergonha, à vergonha que cobre os norte-americanos. Os idiotas do Congresso “reagiram furiosamente”, segundo os jornais, e alertaram para “graves repercussões que advirão para as relações EUA-Rússia.” Eis mais uma extraordinária demonstração da húbris de Washington. Só a Rússia teria por que se preocupar com “repercussões” nas relações. Washington pode dormir em paz. Sua Majestade Imperial Barack I simplesmente recusará qualquer pedido de audiência que Putin lhe faça.



O Congresso parece nem perceber a própria esquizofrenia. Por um lado, o Congresso é ultrajado pela espionagem inconstitucional e ilegal mantida pela Agência Stasi de Segurança Nacional dos EUA – espionam até o Congresso! – e tenta cortar os fundos que mantêm o programa de vigilância ilegal da Agência Stasi de Segurança Nacional dos EUA. A emenda do gasto militar apresentada por Justin Amash, Republicano de Michigan, só por um triz não foi aprovada. Foi derrotada por um punhado de votos comprados pela indústria da espionagem. 



Por outro lado, apesar do ultraje de descobrir-se espionado, o Congresso se empenha em escalpelar o mais bravo herói, Edward Snowden, o homem que os informou de que estavam sendo espionados. Não há demonstração mais clara da estupidez histórica do governo dos EUA: querem assassinar o mensageiro. 



Só uns poucos doidos de extrema direita ainda creem que a vigilância universal sobre todos os norte-americanos seria necessária para a segurança dos EUA. A Agência Stasi de Segurança Nacional resistirá com fúria e chantageará cada Deputado, cada Senador, mas a própria extensão da chantagem levará algum dia a tosar as asas da Agência Stasi de Segurança Nacional dos EUA. Ou, no mínimo, temos de esperar que as tosem. Se não acontecer assim, a Agência Stasi de Segurança Nacional terá tempo para organizar algum golpe, sob bandeira falsa, que aterrorizará os cordeirinhos eleitos e os porá de joelhos e dará fim a qualquer tentativa para controlar a agência-bandida.



Os EUA estão à beira do colapso econômico. A alegada “superpotência”, que hoje já enfrenta a bancarrota, não conseguiu, depois de oito anos de esforços, sequer ocupar o Iraque. E teve de entregar os pontos e desistir. Depois de 11 anos, a “superpotência” foi derrotada no Afeganistão por uns poucos milhares de Talibã e armas leves, e hoje corre à procura de toca onde se esconda, com o rabo entre as pernas. 



Para compensar a própria impotência militar, Washington dedica-se a cometer crimes de guerra contra civis. Os militares norte-americanos são eméritos matadores de mulheres, crianças, velhos, médicos, enfermeiros e socorristas. O máximo que a “superpotência” pode fazer é disparar mísseis de drones pilotados à distância, contra sítios, pomares de maçãs, cabanas, barracas, escolas e centros médicos. 



Os cegos esquizofrênicos que governam em Washington fizeram, dos norte-americanos, um povo odiado em todo o mundo. Os que ainda conseguem ver o suficiente para tentar escapar à tirania crescente também sabem que, onde quer que consigam esconder-se, ali também serão vistos como filhos da mais odiada nação do mundo, caçados onde apareçam, como espiões e bodes expiatórios e influência nefanda, sempre ameaçados de serem dizimados em represália contra a mais recente atrocidade ordenada por Washington.



Washington destruiu todo o futuro de todos os norte-americanos, em casa e em todo o mundo.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A PSICÓLOGA QUE CASTROU A CLASSE MÉDICA BRASILEIRA


Raul Longo

Em algum autor freudiano, ou no próprio, há muito tempo li que a prepotência é sintoma típico de complexo de castração. Incautos imaginam que o complexo de castração seja problema exclusivo das meninas quando se dão conta de serem despossuídas daquele pedúnculo balouçante do papai. Ledo engano, pois o próprio Freud explicava em A Dissolução do complexo de Édipoque “a menina aceita a castração como fato consumado, enquanto que o menino teme sua ocorrência”.
Ou seja, a garota logo descobre que não depende do apêndice para se divertir, mas o gurizão vai passar o resto da vida traumatizado: “se um dia eu perco esse troço, acaba minha diversão”.
Uma preocupação que ao longo da existência muitos tentam disfarçar se fazendo de superiores, melhores que seus semelhantes, acima! Acreditam que a empáfia possa lhes conferir imagem de maior dotação e acabam inoculando inclusive suas colegas de trabalho que, naturalmente desprovidas, utilizam seus narizes como símbolos fálicos, alçando-os como se todos os problemas dos demais seres humanos se acumulassem no segmento final do trato digestório.
Em verdade isso não é uma especificidade da categoria, pois no Brasil esse trauma psicológico aventado por Freud, o complexo de castração, chega a ser epidêmico e tem como principal foco de infecção os ambientes acadêmicos.
Mas é entre brasileiros profissionais de medicina que a sintomatologia deste distúrbio psicológico vem se expondo como fratura occipital exposta. E ainda há poucos dias, numa manifestação da categoria contra o programa “Mais Médicos” do governo federal, verifiquei quanto o trauma provocado pelo complexo de castração interfere na postura de toda a coluna vertebral dificultando, inclusive, sua articulação; posto que de tão empertigados os manifestantes sequer provocavam dobras em seus alvos e vincados aventais a refletir a luz solar.
De tão impecáveis me deram uma primeira impressão de absurdo desfile de modas, onde todos os manequins trajassem o mesmo modelo e na mesma cor. Só pude distinguir o que realmente se tratava ao perceber o destaque metálico dos estetoscópios pendurados ao pescoço de cada um daqueles manifestantes.
Como nunca vi uma manifestação de operários com capacetes de segurança e ferramentas de trabalho, tampouco de professores com giz e lousas ou bancários com caixas registradoras, os estetoscópios também me pareceram símbolos fálicos. E conclui pelo complexo de castração.
Leigo que sou, pensei em expor essa minha conclusão à minha amiga psicóloga Guida Losso. Coincidentemente, antes que o fizesse, Guidinha (como a chamo por puro carinho, ainda que em estatura física realmente não corresponda ao tamanho da sua personalidade) me enviou algumas considerações que escreveu sobre situação advinda do ano de 2002, baseada em notícia da época.
A atualidade da notícia e das considerações se caracteriza pela reincidência dos sintomas do complexo de castração que, mesmo aos menos versados na “ciência que trata dos estados e processos mentais, do comportamento do ser humano e de suas interações com um ambiente físico e social” (na definição de Antonio Houaiss) denotam edipiana implicância com outros que exerçam funções a que não estão dispostos, disponíveis ou disponibilizados por fatores de maturidade quanto aos padrões éticos que ao senso comum deveria reger a profissão.

Quem sou eu, que de psicologia só tenho algumas leituras esparsas por mera curiosidade, para tecer considerações sobre os métodos terapêuticos de minha amiga, mas tenho a impressão de que sejam muito radicais, pois pelo que se pode depreender da leitura do texto abaixo reproduzido, Guida deitou a classe médica no divã e, para extrair-lhes o complexo de castração, castrou-os de vez.
Quando muito posso cogitar que, sendo mulher, tenha preferido optar pela perspectiva freudiana para que a classe médica resolva seus traumas aceitando a castração como fato consumado.
Para uma avaliação prévia sobre a necessidade ou exagero do método empregado pela amiga, primeiramente disponibilizo o link para reportagem que de certa forma exemplifica outros desvios da classe profissional. Ainda que sem referência direta aos pontos tratados por Guida Losso, a observação dessa reportagem exemplifica o processo psicológico onde um distúrbio comportamental sempre desencadeia outro, e mais outro, e mais outro.


ATO MÉDICO - minhas considerações:
“Em mais um dia de protestos contra o Projeto de Lei do Senado (PLS) 268/2002, conhecido como Ato Médico, profissionais da saúde e estudantes... pedem o veto do inciso 1º do art. 4º do PL, que estabelece o diagnóstico de doenças e a prescrição terapêutica como atividades privativas dos médicos, alegando que o dispositivo da forma que está diminui a autonomia das demais profissões da saúde.”
Por minha formação universitária, Psicóloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC - 1987, que após dois anos de formada foi convidada pela OMS –Organização Mundial de Saúde, a apresentar em Cameroon- África, trabalho intitulado: Acompanhamento Voluntário de Pessoas com SIDA/AIDS desenvolvido junto aos Hospitais do Rio de Janeiro (Fundão, Gafreé Guinle e outros); teço as seguintes considerações sobre os critérios pouco criteriosos elencados pelo PLS(268)/2002:
 
• Passados 26 anos de formação, desafio aos doutores a questionar minha conduta terapêutica, pois tendo aprendido “por amor” (motivo básico e gerador do esforço voluntário) através de trabalhos desenvolvidos junto ao GAPA/RJ (Grupo de Apoio à Prevenção à AIDS/SIDA) e lidando com a massa desfavorecida e ambulante das ruas, me tornei um profissional capaz de diagnosticar, SIM!Obviamente que dentro da minha habilitação profissional.
Nesse campo (área do comportamento) sei o que posso e não posso. Sou Psicóloga, portanto apta a mensurar o comportamento humano e se necessário, emitir atestado médico, SIM!
• Acrescento que utilizo ferramentas diagnósticas a exemplo dos testes psicológicos, mas somado a eles existe uma formação consistente, com disciplinas exaustivamente praticadas tanto na formação como nos estágios exigidos para conclusão do curso de Psicologia. Portanto, não há lógica para a tutela pretendida pelo inciso.
• O que faz crer à classe médica sobre o que venha ser condições para diagnóstico de doenças e a prescrição terapêutica de ser exclusiva aos “doutores”?
Vamos ao conceito (histórico) dessa palavra proveniente do Latim doctus - , “instruído, o que aprendeu”, de docere – “mostrar, ensinar”. Dedoctor - aquele que ensina.
• O grau acadêmico de doutor é o mais elevado dos sistemas de ensino e comprova a capacidade do seu titular para desenvolver investigação num determinado campo da ciência, atribuído por uma universidade ou outro estabelecimento de ensino superior autorizado, em regra após a defesa de uma tese, ato que pode ser antecedido pela frequência de um curso de Doutorado ou Doutoramento. O que não ocorre ou não ocorreu com a maioria dos que exercem a profissão de médicos, embora o título lhes seja indevidamente outorgado, quando não exigido. 
O que presencio é a própria classe médica se atropelando de forma bárbara sobre seus próprios colegas de profissão, e sobre a competência por mérito de tantos outros profissionais da área da Saúde, não respeitando a especialidade de cada um. É prática comum um clínico geral avançar o sinal, atropelar e depois fugir descaradamente, ou seja invadir a prescrição médica feita por seu colega psiquiatra e seu colega psicólogo convencendo ao paciente em comum de que não “necessita de atendimento psicoterápico, mas sim de Zoloft” ou qualquer outro medicamento de sua maior simpatia, independente de suas reações adversas ou colaterais.
Quem desrespeita quem? Se determinados profissionais médicos se graduam, fazem sua residência e “c’est –fini”, sem continuar se especializando, apenas engrossam a extensa fila de “doutores” por mera convenção e não por competência de fato.
Da mesma forma tem sido caso muito sério a banalidade com que muitos organismos públicos: municipais, estaduais e federais e inclusive as Forças Armadas; recebem atestados clínicos emitidos por psicólogos e depois sutilmente os substituem por atestados médicos para que o documento seja “considerado” legal. Por que no Brasil o atestado do profissional em psicologia seria ilegal se dele se exige o cumprimento de estudos regulamentares e comprovações de conhecimento similares as exigidas em quaisquer dos outros países? Em português esta ciência não tem os mesmos valores do que em outros idiomas?
Voltando a minha atuação especificamente, para que se possa avaliar o que realmente seja competência seria necessário que estes mesmos médicos que invadem territórios de conhecimentos aos quais não são especializados, apenas para garantir mais uma consulta, se compenetrassem de que as realidades individuais de seus pacientes são bem diferentes daquelas diagnosticadas como disfunções de determinados órgãos. Órgãos que podem ser fisicamente afetados, mas além de organicamente fragilizados, muitos desses pacientes carecem de especialistas com capacidade para auscultar as reais e silenciosas origens de distúrbios físicos, muitas vezes provindos de disfunções emocionais ou existenciais às quais os conhecimentos médicos não têm acesso por ausência de prática e experiência.
Psicólogos não estão aptos a tratar disfunções orgânicas, assim como médicos não estão aptos a tratar disfunções emotivas e existenciais que não podem ser resolvidas com comprimidos estimulantes ou sedativos prescritos por “doutores” que sequer demonstram competência para evitar invasões antiéticas a seus pacientes e colegas.
O próprio SUS – Sistema Unificado de Saúde, ao implantar programas de atendimento/acompanhamento interprofissional, demonstra entender que essa “mania” de controle sobre as demais profissões revela acima de tudo a insegurança produzida pela incapacidade de profissionais médicos em retomar, recuperar, seu “campo de atuação”. Se mais se especializassem no que se propuseram em suas opções ao longo do período de estudos acadêmicos, até no sentido próprio e real de doutoramento, então, sim, poderíamos reconhecer um verdadeiro “olhar especializado”.
Tenho formação em Psicologia e para desenvolver meus conhecimentos estagiei em Psicologia Escolar/Educacional na Escola de Aplicação da UFSC, anexa ao Campus Universitário, em Psicologia Clínica junto ao SAPSI, e em Psicologia Organizacional no Asilo Irmão Joaquim, Fpolis/SC.
Realmente concluí minha formação universitária de forma condizente com minhas propostas profissionais, me estendendo por áreas correlatas como a NEUROANATOMIA. E muito me assusta em meu cotidiano o testemunho de tanto corporativismo, tanto protecionismo, tantos enganos e erros médicos acobertados, enquanto Psicólogos que denunciam ou revelam demandas de violência e, sobretudo, falta de ética, são severamente fiscalizados mesmo quando mantém o sigilo e éticas pertinentes à suas funções.
O Psicólogo que cotidianamente atua em clínicas, escolas, ou universidades, sabe muito bem o solitário caminho que é se tornar um excelente “salvador de vidas”, e creio que o CFP – Conselho Federal de Psicologia, deva juntamente com demais Conselhos firmarem posição, haja visto o tempo que transcorre, desde 2002, sem que concretamente, nós, Psicólogos tenhamos assegurado o mínimo de respeito a nossa atuação profissional.
GUIDA MARIA LOSSO
CRP 12/00648

Florianópolis, julho de 2013.

terça-feira, 30 de julho de 2013

O IDHM do Brasil revela um expressivo avanço do país nos últimos 20 anos

 
Índice do Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil, divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), revela um expressivo avanço do Brasil nos últimos 20 anos
 
 
País estava no nível 'muito baixo' de desenvolvimento humano em 1991. Com resultado de 2010, divulgado nesta segunda (29), saltou para 'alto'.
 
 
Educação se mantém como o principal desafio do país.
 
 
IDH municipal do Brasil cresce 47,5% em 20 anos.
 

 
 
Entre 1991 e 2010, o índice cresceu 47,5% no país, de 0,493 para 0,727. Inspirado no IDH global, publicado anualmente pelo PNUD, esse índice é composto por três variáveis (educação, saúde e renda). O desempenho de uma determinada localidade é melhor quanto mais próximo o indicador for do número um.
 
 
A classificação do IDHM do Brasil mudou de 'muito baixo' (0,493 em 1991) para 'alto' (0,727). É considerado 'muito baixo' o IDHM inferior a 0,499, enquanto que a pesquisa chama de 'alto', o indicador que varia de 0,700 a 0,799. Em 2000, o IDHM geral do Brasil era 0,612, considerado "médio".
 
 
Embora careça de muitas melhorias, foi na educação que mais houve avanço nas duas últimas décadas, ressaltaram os pesquisadores. Em 1991, a educação tinha um IDHM 0,279, o que representa um salto de 128% se comparado à pontuação de de 0,637 em 2010.
 
 
O componente da longevidade, por sua vez, que é calculado pela expectativa de vida da população ao nascer, é a área na qual o Brasil apresenta melhor pontuação. O índice de longevidade era de 0,662 em 1991, de 0,727 em 2000 e de 0,816, na atual edição.
 
 
Já a renda mensal per capita saltou 14,2% no período, o que corresponde a um ganho de R$ 346,31 em 20 anos.
 
 
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil cresceu 47,5% entre 1991 e 2010, segundo o "Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013", divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De acordo com a publicação, a cidade com o IDHM mais elevado é São Caetano (SP), e os municípios que tiveram maior evolução no quesito "renda" são das regiões Norte e Nordeste.
 
 
Em 20 anos, 85% dos municípios do Brasil saíram da faixa de “muito baixo desenvolvimento humano”, segundo classificação criada pelo Pnud. Atualmente, 0,57% dos municípios, ou 32 cidades das 5.565 do país, são consideradas de “muito baixo desenvolvimento humano”.
 
 
De acordo com os dados do "Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013", 85,8% dos municípios brasileiros faziam parte do grupo de “muito baixo desenvolvimento humano” em 1991. Em 2000, esse número caiu para 70% e, em 2010, despencou para 0,57% .

As três instituições que elaboram o Atlas - PNUD, Ipea e Fundação João Pinheiro - ressaltam que 73% dos municípios avançaram acima do crescimento da média nacional. No entanto, há 11% de municípios com IDHM Renda superior ao do Brasil, "evidenciando a concentração de renda do país".
 

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O PAÍS VAI BEM, A MÍDIA VAI MAL

Por Raul Longo

Nos anos 70 o então ditador Gen. Emílio Garrastazu Médici, compôs sua mais famosa frase: “O país vai bem, mas o povo vai mal”.

Ao exemplo da de outro ditador imposto pelas armas que sustentavam aquele regime, o Gen. João Batista Figueiredo que afirmou preferir “... o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo”, a frase de Médici se tornou famosa pela impropriedade de raciocínio a quem pretende governar uma nação.

Estupidez é algo que sempre obtêm grande repercussão no Brasil e Médici se notabilizou como tal por esta absurda afirmação. Quem mais concluiria ser possível um país ir bem se o seu povo vai mal, além de um general brasileiro dos tempos da ditadura militar?

Só mesmo um jornalista como Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, que para comentar das manifestações de junho inverteu a idiotice proferida pelo general, demonstrando que nesta frase a ordem das assertivas não disfarça a estupidez de quem a profere, pois quem além de Rossi poderia afirmar que “O povo vai bem, mas o país vai mal”?

O que é um país para Clóvis Rossi ou para Garrastazu Médici? Como pode um povo ir bem, se o país vai mal, ou vice-versa?

Garrastazu Médici também dizia que se sentia feliz por não ver, na época, o Brasil incluído nos noticiários sobre os problemas mundiais. Outra estupidez grosseira, pois enquanto os patrões da Folha de São Paulo do Clóvis Rossi emprestavam veículos da empresa para a repressão política do governo de Médici, aqueles mesmos repressores “suicidavam” todo jornalista que ousasse noticiar a realidade brasileira, importunando as fantasias do ditador. Como aconteceu com Vlado Herzog.

O país não ia bem coisa alguma. O “Milagre Brasileiro” decantado pela grande mídia da época logo se confirmou o que nunca deixou de ser: “O Inferno Brasileiro” que levou a vida de milhares de jovens e trabalhadores, enterrou a nação em dívidas externas e promoveu um dos maiores índices mundiais em pobreza e miséria.

Um país só vai bem quando seu povo vai bem. Se o povo vai bem, evolução de serviços prestados à população, da infraestrutura para melhorar a qualidade de vida, o combate a corrupção e demais reajustes para permanente desenvolvimento social, inclusive os políticos, serão consequências da maturidade nacional como um todo: povo e país.

A melhoria no atendimento à saúde da população já era uma providência anterior às manifestações que apenas a legitimaram, derrubando a obstrução da contratação de médicos estrangeiros proposta pelo governo porque o Brasil vai bem. Se o país vai bem é possível ao governo estender e aperfeiçoar o atendimento de saúde a todo o povo brasileiro, mesmo àqueles que não se enquadram nos interesses da categoria formada aqui no Brasil. É o que ocorre com o Reino Unido. Se a crise europeia perdurar e se aprofundar, o governo britânico não poderá mais manter os 40% de estrangeiros que compõem seu corpo médico. Se a Inglaterra for mal, ingleses e irlandeses do norte também irão mal.

E se o atendimento à saúde do brasileiro não melhora, é porque certos políticos se portam mal tornando cada proposta em benefício da saúde da população uma contenda congressual.

O radical projeto do governo para o combate à corrupção, criminalizando-a ao nível de homicídio por motivos fúteis ou estupro, foi formulado há dois anos exatamente porque o Brasil está bem e a compreensão do brasileiro sobre o problema melhorou muito desde o tempo em que corruptos eram eleitos sob o cínico e falso axioma do “rouba, mas faz”. Se nenhum corrupto foi condenado por prática de crime hediondo, é porque no congresso maus políticos sentaram em cima do projeto do governo.

Esses mesmos políticos são os que agora impedem o plebiscito proposto pela Presidenta. Não querem o plebiscito para não permitir que o povo seja conscientizado de que só o financiamento público de campanha eleitoral evitará maiores prejuízos à população e ao país que resultam na ausência de evolução da infraestrutura, na degradação dos serviços prestados à sociedade.

Por exemplo, no que se refere à mobilidade urbana. Para se descobrir porque não se expande e não moderniza, não apresenta novas e melhores opções, bastaria se conhecer o quanto os monopólios de empresas de transporte coletivo investem nas campanhas municipais, atrelando os prefeitos eleitos aos seus interesses em detrimento aos dos eleitores.

E os grupos políticos que impedem profundas e sensíveis melhorias no cotidiano do brasileiro, que se esforçam para que o povo vá mal e com isso o país ir mal para tornar a se locupletar entregando os potenciais nacionais pelo comissionamento dos interesses estrangeiros, são exatamente os apoiados pela mídia.

Apoiados pela Editora Abril, pelos veículos da Editora Globo e emissoras da Rede Globo, pelo jornal O Estado de São de Paulo e pelo jornal Folha de São Paulo para o qual escreve Clóvis Rossi. São apoiados por toda a grande mídia brasileira associada ou afilhada a estas empresas que, com a melhoria da situação do país e do povo na última década, vão mal. Muito mal.

Tão mal que já começam a sonegar importâncias milionárias em impostos. Milionárias? Somando-se as da Rede Globo e de sua afilhada RBS a dívida aos cofres públicos alcança volume bilionário com o qual se poderia investir em melhorias na infraestrutura do sistema de atendimento à saúde, ou no transporte e na mobilidade urbana, em efetivos da Polícia Federal para combater a corrupção e muito mais do que a vã e fútil cogitação do Clóvis Rossi e dos manifestantes de junho possam imaginar.

Mas se o país vai bem porque o povo vai bem e vice-versa, por que as gigantescas manifestações de junho? Quem responde com muita propriedade, mostrando a cobra e matando o pau, é o empresário Eduardo Guimarães. Leia-se atentamente o que escreveu para entender porque esses manifestantes, em grande maioria com idade por volta de 20 anos e sem possibilidade de memória de quando país e povo iam mal antes de terem completado 10 de existência, tomaram as ruas dos grandes centros do Brasil.
         


20.7.13
Se o Brasil estivesse em crise, sua vida já teria piorado
http://www.brasil247.com/images/f/e3/fe332c1c3d69b0577c709156503f809e91c54f1d.jpg
Eduardo Guimarães
* Originalmente publicado no Blog da Cidadania
Quem melhor definiu a atual conjuntura política do país foi, de forma surpreendente, foi o correspondente do diário espanhol El País no Brasil, Juan Arias, em meados do mês passado. Antes de abordar o que ele disse, vale explicar que a opinião desse jornalista chega a surpreender porque há anos ele vem sendo um dos grandes críticos dos governos Lula e Dilma.
Abaixo, alguns trechos do artigo de Arias em questão, publicado no diário espanhol.
” (…) Por enquanto, o que existe é um consenso de que o Brasil, invejado internacionalmente até agora, vive uma espécie de esquizofrenia ou paradoxo que ainda deve ser analisado ou explicado.
(…) Agora surge um movimento de protesto quando, ao longo dos últimos dez anos, o Brasil viveu como que anestesiado por seu êxito compartilhado e aplaudido mundialmente.
(…) O Brasil está pior do que há dez anos? Não, está melhor. Está mais rico, tem menos pobres e testemunha o crescimento do seu número de milionários. É mais democrático e menos desigual.
(…) Por que então saem às ruas para protestar contra a alta dos preços dos transportes públicos jovens que normalmente não usam esses meios porque já têm carros, algo impensável há dez anos?
(…) Por que protestam estudantes de famílias que até pouco tempo não tinham sonhado em ver seus filhos pisarem na universidade? (…)”
—–
Quando se analisa a situação do país até ao menos o mês de maio, ganha sentido o uso do termo “esquizofrenia” pelo jornalista espanhol, de forma a caracterizar o sentimento que se formou entre grande parte dos brasileiros.
As pessoas parecem acreditar que as suas vidas estão piorando, daí as manifestações de insatisfação, ainda que restritas a um setor minoritário da sociedade, a classe média. Contudo, o mero olhar para indicadores sobre os setores que mais afetam a vida do cidadão comum mostra que o país vem melhorando, sim, e muito.
Vejamos os dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE sobre o índice de desemprego no país de 2002 (quando foi adotada a atual metodologia de mensuração do problema) até hoje.
O gráfico abaixo foi extraído do site do IBGE e mostra que em um mundo em que a falta de postos de trabalho se tornou uma epidemia, no nosso país o nível de emprego caminha no sentido inverso, com geração de cada vez mais postos de trabalho e de salários mais altos.
http://www.brasil247.com/get_img?ImageWidth=597&ImageHeight=382&ImageId=325727

Alguns dizem que a inflação teria parte da responsabilidade pelo aumento da insatisfação com o país. Contudo, ao analisarmos um dos indicadores mais usados para mensurar o impacto dos preços sobre a vida das pessoas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), percebe-se que tampouco o aumento de preços chegou a um nível que possa explicar alguma coisa.
Abaixo, os índices anuais do IPCA entre 1998 a 2012 e os dos meses de 2013.
Quadro inflacionário medido pelo IPCA cheio, no período 1998-2013:
1998 = 1,95%
1999 = 9,52%
2000 = 6,59%
2001 = 8,23%
2002 = 12,53%
2003 = 9,3%
2004 = 7,6%
2005 = 5,69%
2006 = 3,14%
2007 = 4,46%
2008 = 5,90%
2009 = 4,31%
2010 = 5,91%
2011 = 6,5%
2012 = 5,84%
2013 = 3,15% no ano e acumulado em 12 meses (entre janeiro e junho deste ano) é de 6,7%. Fonte IBGE
Como se vê, não há nenhum estouro da inflação. O nível de inflação atual permanece no patamar histórico. Contudo, o que se vê na mídia sobre o assunto induz à crença de que estaríamos à beira de uma crise de hiperinflação.
Em relação aos salários, o valor deles nunca foi tão alto. Abaixo, dados da última PME do IBGE, que mostra que, em relação a 2012, os salários continuam crescendo.
Pessoas Ocupadas                     (abril 2012) 1.949,81   -       (maio 2013) 2.010,69
Empregados no Setor Privado (abril 2012) 1.749,34   -    (maio 2013) 1.841,51
Empregados no Setor Público  (abril 2012) 2.701,27   -    (maio 2013) 2.572,53
—–
O que mais impressiona é que, em 2002, o salário médio do trabalhador teve declínio de 8,3% em relação a 2001, passando a corresponder a R$ 889, valor 28,3% menor do que o registrado em 1997.
Ou seja: o Brasil de 2013 é um país infinitamente melhor do que o de 2003, quando o PT chegou ao poder.
E além dos ganhos para todos, relatório sobre as cidades latino-americanas feito pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), divulgado no ano passado, mostrou que o Brasil diminuiu a desigualdade social como nenhum outro país ao longo da última década.
Nos anos 1990, o Brasil era o mais desigual na região. Nesta década, foi o país que mais reduziu a desigualdade enquanto em outros países ela cresceu.
Nos últimos anos, a renda dos brasileiros mais pobres cresceu 70% e a dos mais ricos, cerca de 10%. E esses 10% mais pobres tiveram a renda aumentada justamente por causa do trabalho, ou seja, dos novos empregos que estão sendo gerados. E pelos aumentos reais do salário mínimo, claro.
A despeito de tudo isso, o grupo político que promoveu melhora tão expressiva na vida deste povo se encontra diante de um paradoxo que, usando o adequado termo do corresponde do jornal espanhol supracitado, pode ser considerado “esquizofrênico”.
Uma parcela imensa do povo brasileiro está sendo enganada tanto por grandes meios de comunicação quanto por partidos políticos de oposição. As pessoas acham que o país está “indo mal” apesar de estar acontecendo justamente o oposto.
Pesquisa recente do instituto MDA, feita para a Confederação Nacional dos Transportes, mostra que 84% dos brasileiros aprovam protestos de rua que desembocaram em uma imensa queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff.
Essa grande maioria dos brasileiros, que até dois ou três meses atrás dava enorme apoio ao grupo político que fez o país melhorar tanto, de repente passou a achar que vive em um país à beira da ruína.
Tudo isso decorre de um artificialismo que, conforme entrevista de Marcos Coimbra (sociólogo e diretor do instituto Vox Populi) concedida a este Blog na última quinta-feira e conforme a mesma pesquisa MDA citada acima, implantou na cabeça das pessoas uma sensação de mal-estar.
Ora, como o país pode estar indo bem se vemos cenas de guerra como as que vimos recentemente na zona Sul do Rio de Janeiro? São cenas que só se explicam por um grave descontentamento social que só poderia decorrer de o país, de fato, estar “indo mal”. É isso que o povo pensa.
Contudo, você, leitor, tem visto muita gente reclamando de ter perdido o emprego ou de seu salário não estar comprando mais o que comprava antes? A sua própria vida piorou? Muito pelo contrário. O Brasil vive uma febre de consumo porque as pessoas têm dinheiro no bolso.
As ruas estão cada vez mais entupidas de carros zero quilômetro. As residências mais humildes, hoje, estão sendo reformadas e entupidas de bens de consumo como televisões, computadores, novos móveis etc. E, hoje, só não encontra emprego quem não quer trabalhar.
O que é preciso, portanto, é fazer os brasileiros refletirem que quando um país vai mal a vida das pessoas piora. Entretanto, quem pode dizer que sua vida tem piorado? Só o que tem piorado é a percepção sobre o futuro.
Essa percepção se fundamenta, basicamente, na informação. As pessoas vêm sendo bombardeadas pelos meios de comunicação de massa com cenas de guerra e previsões catastrofistas e, juntando umas e outras, construíram essa percepção pessimista.
Urge, portanto, que seja levada a cabo uma campanha de comunicação governamental que faça os brasileiros refletirem sobre a realidade. O povo brasileiro foi posto em pânico por ação de concessões públicas de rádio e televisão que estão sendo usadas com fins políticos.
É mais simples do que parece desmontar a campanha insidiosa que foi construída na mídia e nas ruas para apavorar a sociedade. Há fartura de dados que comprovam que o país vai bem. Mas se uma campanha em sentido contrário não for feita, o brasileiro, ano que vem, irá votar por mudança daquilo que, como se vê neste texto, está dando muito certo.
Fica a dica.