quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carta aberta: “Somos contra a transformação do julgamento em espetáculo”

Publico aqui proposta feita pela Sonia Montenegro, que tem meu total apoio.

Carlos Caridade


Meus caros amigos,

Um grupo de pessoas, escandalizadas com esse show midiático do chamado ‘julgamento do mensalão’ resolveu fazer uma carta aberta ao povo brasileiro, com título: “Somos contra a transformação do julgamento em espetáculo”, encabeçada por nomes como: Oscar Niemeyer, Fernando Moraes, Alceu Valença, Cecília Boal (viúva do saudosíssimo Augusto Boal), advogados, juristas, entre muitos outros.

Esse episódio tem sido inteiramente pautado pela imprensa, desde a pressão em cima do deputado relator da CPI, o Serraglio, passando pelos dois procuradores (Antonio Fernando de Souza e Roberto Gurgel), o aceite da denúncia pelo STF até o julgamento, ‘coincidentemente’ na mesma época das eleições, para prejudicar os candidatos da base aliada e contando com a desmobilização, uma vez que estão espalhados nos 4 cantos do país.

Quando o Lula indicou o Joaquim Barbosa, a imprensa condenou. Quando ele brigou com o Gilmar Mendes (o queridinho da mídia), o condenou novamente. Chegou a exibir foto do Barbosa tomando chope em um bar quando estava licenciado. Agora, ele tem um posto de destaque, mesmo brigando com os demais ministros na frente das câmeras, sendo grosseiro e não permitindo opiniões divergentes das dele.

Se existisse alguma intenção de moralizar o país, por que cargas d'água o mensalão do PT virou "o maior julgamento do século", com direito a vinhetas de chamadas na Globo, e o que lhe deu origem, que aconteceu antes, que comprovadamente teve desvio de dinheiro de estatais mineiras, com uma cifra infinitamente maior e com o envolvimento dos tucanos de maior plumagem: FHC, Serra, Alckmin, Aécio, Eduardo Azeredo, e mais um monte de gente não tem NENHUMA cobertura?

A imprensa vende o Gilmar Mendes como ético, mas além dos 2 habeas corpus dados ao banqueiro condenado Daniel Dantas, a revista Carta Capital fez uma matéria em que conta os podres dele, inclusive de ter recebido dinheiro do ‘mensalão’ tucano, que ele já reconheceu, alegando prestação de serviços.

O Roberto Gurgel anunciou hoje o arquivamento da denúncia contra o ator Stepan Nercessian, réu confesso, que recebeu R$ 175 mil do Cachoeira. Dois pesos e duas medidas? Entranho não?

Na verdade, pela falta de apoio político à doutrina neoliberal que se converteu em escassez de votos, partiram para um golpe, tentando derrubar o prestígio do Lula, visando a eleição presidencial de 2014. Foi assim que derrubaram o Manuel Zelaya em Honduras e Fernando Lugo no Paraguai, como já tentaram derrubar o Rafael Correa no Equador; Hugo Chávez, na Venezuela e Evo Morales na Bolívia, todos democraticamente eleitos.

E o que estamos assistindo é um ‘espetáculo’, em que a imprensa julgou e condenou previamente todos os réus, e a maioria dos ministros, por pura covardia, com medo dos ataques midiáticos, está assumindo teses que não são aceitas pelas Cortes Internacionais e não são compatíveis com uma democracia.

Ruy Barbosa: “As leis que não protegem os nossos adversários não podem proteger-nos”.

Independentemente da sua posição política, o que está acontecendo é um risco para todos nós, porque se amanhã a imprensa quiser acabar com você, ela o fará, impunemente. A única lei que ainda a regulava foi derrubada, e obviamente, quando se fala neste assunto, ela diz que estão querendo censurá-la, e consegue enganar a muitos, porque usa a doutrina do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels: “Uma mentira repetida mil vezes se torna verdade. Minta, minta que alguma coisa ficará.”

A Operação Monte Carlo da PF e Ministério Público, provou através de gravações, que o bandido preso, Carlinhos Cachoeira pautava a revista Veja, que vendia a imagem de ‘reserva moral da política’ o ex-senador e ex-ético Demóstenes Torres. Quem acreditou na Veja e votou nele foi enganado por ela, e esse é apenas um exemplo de milhares de casos semelhantes.

A imprensa falou cobras e lagartos do Gushiken, que de tão abalado, caiu doente, e agora ele foi absolvido por unanimidade, mas o mal já estava feito. Algum órgão da mídia se retratou? O grande problema é que, quando se descobre a verdade, o mal já está consumado...

O que de fato aconteceu foi um caixa 2, que o Delúbio reconheceu desde o 1º depoimento. Mas só caixa 2 não interessava, porque todo mundo faz e equivocadamente, mas não por acaso, o legislativo considera caixa 2 crime eleitoral, que não dá prisão, porque todos os partidos o fazem, e a única forma de acabar com isso é através do financiamento público de campanha, mas isso não interessa à imprensa, porque diminuiria o seu faturamento neste lucrativo período.

Desta forma, eu aderi a essa carta aberta, e quem quiser fazê-lo, basta enviar um email para o endereço: cartaabertaadesoes@gmail.com.

Bjus, Sonia. 

PS : Se alguém quiser mais detalhes, me coloco a disposição para um bom papo pelo telefone...



publicado em 25 de setembro de 2012 às 17:47

CARTA ABERTA AO POVO BRASILEIRO
Desde o dia 02 de agosto o Supremo Tribunal Federal julga a ação penal 470, também conhecida como processo do mensalão. Parte da cobertura na mídia e até mesmo reações públicas que atribuem aos ministros o papel de heróis nos causam preocupação.
Somos contra a transformação do julgamento em espetáculo, sob o risco de se exigir – e alcançar – condenações por uma falsa e forçada exemplaridade.  Repudiamos o linchamento público e defendemos a presunção da inocência.
A defesa da legalidade é primordial. Nós, abaixo assinados, confiamos que os Senhores Ministros, membros do Supremo Tribunal Federal, saberão conduzir esse julgamento até o fim sob o crivo do contraditório e à luz suprema da Constituição.
Fernando Morais, jornalista e escritor
Hildegard Angel, jornalista
Luiz Carlos Barreto, produtor cinematográfico
Olgária Matos, filósofa, professora universitária Unifesp
 Abelardo Blanco, cientista politico, publicitário
Adilson Monteiro Alves, sociólogo
Adriano Pilatti, professor de direito PUC/RJ
Afonso Celso Lana Leite, professor universitário UFU
Alceu Valença, músico
Alcides Nogueira, escritor
Aldimar Assis, advogado
Altamiro Borges, jornalista
Amélia Cohn, socióloga, professora Faculdade de Medicina USP
Ana Carolina Lopes, fotógrafa
Ana Corbisier, pesquisadora
Ana Fonseca, economista, professora universitária
Ana Helena Tavares, jornalista
Ana Maria dos Santos, advogada
Ana Maria Freire, escritora
André Borges, escritor e poeta
André Klotzel, cineasta
André Medalha e Almada, designer
André Tokarski, presidente da UJS – União da Juventude Socialista
Antonio Abujamra, ator
Antonio Carlos Fon, jornalista
Antonio Celso Ferreira, historiador, professor Unesp/Assis
Antonio Gilson Brigagão, jornalista e diretor teatral
Antonio Grassi, ator
Antonio Ibañez Ruiz, educador, professor universitário UNB
Antonio Pitanga, ator
Armando Freitas Filho, poeta
Arnaldo Carrilho, servidor público aposentado
Artur Henrique, sindicalista, secretário relações internacionais da CUT para as Américas
Artur Scavone, jornalista
Aton Fon Filho, advogado
Beatriz Cintra Labaki, socióloga
Beilton Freire da Rocha, médico
Benedito Prezia , antropólogo e escritor
Bernadette Figueiredo, professora
Betinho Duarte, administrador de empresa
Bruno Barreto, cineasta
Carlos Azevedo, jornalista
Carlos Duarte, advogado
Carlos Eduardo Niemeyer – Fotógrafo
Carlos Enrique Ruiz Ferreira, professor, coordenador assuntos institucionais e internacionais da UEPB
Carlos Roberto Pittoli, advogado
Carlos Walter Porto-Gonçalves, geógrafo, professor universitario UFF
Carlota Boto, pedagoga e professora da FEUSP
Carolina Abreu
Ceci Juruá, economista
Cecilia Boal, psicanalista
Célio Turino, historiador, gestor cultural
Celso Frateschi, ator
Celso Horta, jornalista
Cenise Monte Vicente, psicóloga, ex-diretora do UNICEF/SP
Christina Iuppen, professora
Clara Charf, militante feminista
Claudio Adão, jogador de futebol
Claudio Kahns, cineasta
Cloves dos Santos Araújo, advogado, professor universitário UNEB
Consuelo de Castro, dramaturga
Cristiane Souza de Oliveira
Daniel Tendler, cineasta
David Farias, artista plástico, escultor e pintor
Dayse Souza, psicóloga
Débora Duboc, atriz
Derlei Catarina de Lucca, professora
Domingos Fernandes, jornalista
Drauzio Gonzaga, professor universitário UFRJ
Dulce Maia de Souza, ambientalista
Dulce Pandolfi, historiadora, pesquisadora CPDOC/FGV
Edmilson José Valentim dos Santos, engenheiro
Eduardo Ebendinger, ator
Edvaldo Antonio de Almeida, jornalista
Eide Barbosa, gestora de pessoas
Eleonora Rosset, psicanalista
Emiliano José, jornalista e escritor
Emir Sader, sociólogo, professor universitário UERJ
Eneida Cintra Labaki, historiadora
Ercílio Tranjan, publicitário
Eric Nepomuceno, jornalista e escritor
Ernesto Tzirulnik, advogado
Erotildes Medeiros, jornalista
Eugenio Staub, empresário
Fabio Dutra, estudante de direito USP
Fabio Roberto Gaspar, advogado
Felipe Lindoso, produtor cultural
Fernando Nogueira da Costa, economista, professor universitário Unicamp
Fernando Sá, cientista político
Fernando Soares Campos, servidor público
Fidel Samora B.P. Diniz, músico
Flora Gil, produtora cultural
Francis Bogossian, engenheiro, Academia Nacional de Educação e Academia Nacional de Engenharia
Gabriel Cohn, sociólogo, professor USP
Gabriel Landi Fazzio, estudante de direito USP
Gabriel Pereira Mendes Azevedo Borges, estudante de direito USP
Gabriel Priolli, jornalista
Gabriela Shizue S. de Araujo, advogada
Galeano Bertoncini, cirugião dentista
Gaudêncio Frigoto, educador, professor universitário UERJ
Gegê, vice-presidente nacional da CMP – Central de Movimentos Populares
Giane Alvares Ambrósio Alvares, advogada
Gilson Caroni, sociólogo, professor universitário Faculdades Integradas Hélio Alonso/RJ
Gisela Gorovitz, empresária e advogada
Glaucia Camargos, produtora de cinema
Gonzalo Vecina Neto,  médico sanitarista, professor da FSP/USP
Guilherme Silva Rossi, estudante de direito USP
Heloísa Fernandes, socióloga, professora USP e ENFF
Hugo Carvana, ator e cineasta
Humberto de Carvalho Motta, estudante universitário
Ícaro C. Martins, cineasta
Idacil Amarilho, administrador
Iná Camargo, professora universitária USP
Iolanda Toshie Ide, professora universitária aposentada Unesp/Marília
Isa Grispun Ferraz, cineasta
Ivan Seixas, presidente do Condepe – Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana
Ivo Rosset, empresário
Ivone Macedo Arantes, arquiteta
Ivy Farias,  jornalista
Izabel de Sena, professora universitária, Sarah Lawrence College, NY
Izaias Almada, escritor
Jacy Afonso de Melo, secretário de organização da CUT Nacional
Jane Argollo, coordenadora de Ponto de Cultura
Jessie Jane Vieira, historiadora, professora da UFRJ
Jesus Chediak, jornalista
João Antonio de Moraes, sindicalista, coordenador geral da FUP – Federação Única dos Petroleiros
João Antonio Felício, sindicalista, secretário de relações internacinais da CUT
João Carlos Martins, pianista e maestro
João Feres, cientista político
João Jorge Rodrigues dos Santos, advogado e presidente do Grupo Olodum
João Lopes de Melo
João Paulo Possa Terra, estudante de direito USP
João Pedro Stédile, presidente nacional do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
João Quartim de Morais, cientista político, professor universitário Unicamp
Jorge Ferreira, empresário
Jorge Mautner, cantor e escritor
José Antonio Fernando Ferrari, antiquário
José Arrabal, professor, jornalista e escritor
José Carlos Asbeg, cineasta
José Carlos Henrique, arquiteto
José Carlos Tórtima, advogado
José Fernando Pinto da Costa, presidente do grupo educacional Uniesp
José Ibrahim, líder sindical
José Luiz Del Roio, escritor
José Marcelo, pastor batista
Josefhina Bacariça, educadora popular em Direitos Humanos
Julia Barreto, produtora cinematográfica
Julio Cesar Senra Barros, interlocutor social
Jun Nakabayashi, cientista político
Juvandia Moreira, sindicalista, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
Ladislau Dowbor, economista, professor universitário PUC/SP
Laio Correia Morais, estudante de direito USP
Laurindo Leal Filho, jornalista e sociólogo, professor universitário USP
Lauro Cesar Muniz, dramaturgo
Levi Bucalem Ferrari, escritor e professor de ciências políticas
Lia Ribeiro, jornalista
Lincoln Secco, historiador, professor universitário USP
Lorena Moroni Girão Barroso, servidora pública federal
Lucas Yanagizawa Paes de Almeida Nogueira Pinto, estudante de psicologia
Lucy Barreto, produtora cinematográfica
Luiz Carlos Bresser Pereira, economista, professor FGV
Luiz Edgard Cartaxo de Arruda Junior, memorialista
Luiz Fenelon P. Barbosa, economista
Luiz Fernando Lobo, artista
Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, professor universitário Unicamp
Luiz Pinguelli Rosa, professor da UFRJ
Maia Aguilera Franklin de Matos, estudante de direito USP
Maira Machado Frota Pinheiro, estudante de direito/USP
Malu Alves Ferreira, jornalista
Manoel Cyrillo de Oliveira Netto, publicitário
Marcelo Carvalho Ferraz, arquiteto
Marcelo Santiago, cineasta
Marcílio de Freitas, professor da UFAM
Márcio Souza, escritor
Marcionila Fernandes, professora, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa da UEPB
Marco Albertim, jornalista
Marco Antonio Marques da Silva, desembargador
Marco Aurélio Belém Purini, estudante de direito USP
Marco Aurélio de Carvalho, advogado
Marco Piva, jornalista e empresário da área de comunicações
Marcos José de Oliveira Lima Filho, doutorando em Direito da UFPB
Marcus Robson Nascimento Costa
Maria Carmelita A. C. de Gusmão, professora
Maria das Dores Nascimento, advogada
Maria do Socorro Diogenes, professora
Maria Guadalupe Garcia, socióloga
Maria Izabel Calil Stamato, psicóloga, Universidade Católica de Santos
Maria José Silveira, escritora
Maria Luiza de Carvalho, aposentada
Maria Luiza Quaresma Tonelli, professora e advogada
Maria Victoria Benevides, socióloga, professora universitária USP
Mariano de Siqueira Neto, desembargador aposentado
Marilene Correa da Silva Freitas, professora da UFAM
Marília Cintra Labaki, secretária
Marília Guimarães, escritora, Comitê Internacional de intelectuais e artistas em defesa da humanidade
Mário Cordeiro de Carvalho Junior, professor da FAF/UERJ
Marlene Alves, professora, reitora da UEPB
Marly Zavar, coreógrafa
Marta Nehring, cineasta
Marta Rubia de Rezende, economista
Martha Alencar, cineasta
Maryse Farhi, economista, professora universitária
Matheus Toledo Ribas, estudante de direito USP
Michel Chebel Labaki Jr.
Michel Haradom, empresário, presidente da FERSOL
Mirian Duailibe, empresária e educadora
Ney de Mello Almada, desembargador  aposentado
Nilson Rodrigues, produtor cultural
Noeli Tejera Lisbôa, jornalista
Oscar Niemeyer, arquiteto
Otavio Augusto Oliveira de Moraes, estudante de economia PUC/SP
Otávio Facuri Sanches de Paiva, estudante de direito USP
Pablo Gentili, educador, professor universitário UERJ, FLACSO
Paula Barreto, produtora cinematográfica
Paulo Baccarin, procurador da Câmara Municipal de São Paulo
Paulo Betti, ator
Paulo Roberto Feldmann, professor universitário, USP, presidente da Sabra Consultores
Paulo Thiago, cineasta
Pedro Gabriel Lopes, estudante de direito USP
Pedro Igor Mantoan, estudante de direito USP
Pedro Rogério Moreira, jornalista
Pedro Viana Martinez, estudante de direito USP
Raul de Carvalho, pesquisador
Regina Novaes, socióloga/RJ
Regina Orsi, historiadora
Renato Afonso Gonçalves, advogado
Renato Tapajós, cineasta
René Louis de Carvalho, professor universitário UFRJ
Ricardo Gebrim, advogado
Ricardo Kotscho, jornalista
Ricardo Miranda, cineasta
Ricardo Musse, filósofo, professor USP
Ricardo Vilas, músico
Ricardo Zarattini Filho, engenheiro
Risomar Fassanaro, poetisa e jornalista
Roberto Gervitz, cineasta
Rodrigo Frateschi, advogado
Ronaldo Cramer, professor de direito PUC/RJ
Rose Nogueira, jornalista
Rubens Leão Rego, professor Unicamp
Sandra Magalhães, produtora cultural
Sebastião Velasco e Cruz, cientista político, professor universitário Unicamp
Sérgio  Ferreira, médico
Sergio Amadeu da Silveira, sociólogo e professor da UFABC
Sergio Caldieri, jornalista
Sérgio Mamberti, ator
Sergio Mileto, empresário, presidente da Alampyme – Associação Latino Americana de Pequenos Empresários
Sérgio Muniz, cineasta
Sérgio Nobre, sindicalista, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Sérgio Ricardo, cantor
Sérgio Vampre, advogado
Silvio Da Rin, cineasta
Tatiana Tiemi Akashi, estudante de direito USP
Teresinha Reis Pinto, biomédica e pedagoga Consultora UNESCO
Tereza Trautman, cineasta
Theotônio dos Santos, economista
Tizuka Yamasaki, cineasta
Tullo Vigevani, professor Unesp/Marília
Urariano Mota, escritor e jornalista
Vagner Freitas de Moraes, sindicalista, presidente nacional da CUT – Central Única dos Trabalhadores
Valter Uzzo, advogado
Venicio Artur de Lima, jornalista e sociólogo
Vera Lúca Niemeyer
Vera Maria Chalmers, professora universitária Unicamp
Verônica Toste, professora universitária IESP/UERJ
Vitor Fernando Campos Leite, estudante de direito USP
Vitor Quarenta, estudante de direito Unesp/Franca
Vladimir Sacchetta, jornalista e produtor cultural
Wadih Damous, advogado/RJ
Walnice Nogueira Galvão, professora de literatura comparada USP
Walquikia Leão Rego, professora Unicamp
Zé de Abreu, ator
Para apoiar, envie e-mail para: cartaabertaadesoes@gmail.com

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O apocalipse da imprensa, Dilma Rousseff, Lula e a reação da base do Governo

Por Davis Sena Filho — Blog Palavra Livre
Toda essa realidade é o apocalipse da imprensa, fruto do compadrio entre a direita midiática e a direita partidária, em prol de afastar Lula do processo eleitoral atual e de futuras eleições. Presidenta Dilma, e o marco regulatório das mídias? Com a palavra, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo...
Alguém já se perguntou: "De onde veio o Roberto Civita? E para onde ele vai?"
 
O pasquim de péssima qualidade travestido de revista conhecido como Veja — a revista porcaria e sem escrúpulos — todo fim de semana, há dez anos, publica arremedos de matérias e patifarias, que, invariavelmente, são repercutidas no domingo pelo programa Fantástico, da TV Globo, e a partir de segunda-feira pelo Jornal Nacional, principal instrumento de oposição aos governos trabalhistas.
Na terça-feira, os cavaleiros do apocalipse, porta-vozes da direita partidária brasileira, que atendem pelos nomes de Álvaro Dias, Agripino Maia e Roberto Freire, dão continuidade à maratona de calúnias, injúrias e difamações, e, de forma recorrente, todos os envolvidos nesse processo perverso e dantesco, que tem por princípio básico sangrar o Governo Federal, compartilham, de maneira prévia e combinada, a pauta estabelecida pelas redações pertencentes a um sistema midiático fundamentalista e de direita.
Os controladores do sistema de capitais e de exploração do trabalho e das riquezas alheias em âmbito individual e também no que é relativo às nações, não aceitam, em hipótese alguma, as decisões de milhões de cidadãos brasileiros, que decidiram eleger, no decorrer de dez anos (ainda faltam dois), políticos trabalhistas de origem socialista, que mostraram à direita selvagem e capitalista como se desenvolve a economia para que todos possam consumir, comprar e até mesmo, se o for o caso, enriquecer, sem, no entanto, esquecer das questões sociais.
               
Federico Franco é golpista e, arrogante, pensa que a Dilma é o seu aliado Roberto Civita.
  E por quê? Porque não há como no Brasil a direita chegar ao poder por intermédio da obediência às regras de uma democracia representativa, que se baseia em um estado democrático de direito e na vontade soberana de o povo escolher seus eleitos, por intermédio do voto secreto. Os números e índices econômicos e sociais dos presidentes Lula e Dilma são tão maiores que os dos governos do ex-presidente FHC — o Neoliberal — que se tornou impraticável, para a direita partidária e midiática, compará-los. Por isto e por causa disto, os arautos do conservadorismo optaram pura e simplesmente pelo golpe, aos moldes do que ocorreu no Paraguai com o presidente Fernando Lugo, deposto pelas oligarquias do Judiciário e do Congresso, com a cumplicidade e a garantia das armas, se fosse necessário, por parte dos generais paraguaios, que sempre usurparam os direitos do povo guarani.
Evidentemente, a revista patifaria também conhecida por Veja deu espaço ao ditadorzinho, que se veste e se comporta como um “mauricinho”, ao tempo que sua arrogância e prepotência são de um latifundiário que cuida de suas terras como um especulador imobiliário. É o verniz, a dissimulação dos que estão sempre a representar para esconder ou disfarçar seus propósitos egoístas cujo combustível é a opressão da classe dominante e preconceituosa sobre a grande maioria da população. Veja, a revista pautada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, publicou nas suas páginas amarelas entrevista com tal sujeito golpista. A matéria, na verdade, teve o propósito de dar conotação de legalidade ao golpe ocorrido no Paraguai, ou seja, justificar o injustificável e defender o indefensável — o golpe de estado via Judiciário, o que sobremaneira, vai ser combatido no Brasil, apesar de alguns integrantes do STF.
Pois não é que o ousado e audacioso golpista avisou que vai questionar a presidenta Dilma Rousseff na próxima segunda-feira, em Nova Iorque, quando a mandatária vai abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Dilma vai falar sobre a crise internacional que enterrou de vez o neoliberalismo e calou seus defensores, bem como vai dissertar sobre as medidas efetivadas pelo Brasil para que a crise não prejudique o crescimento do País e muito menos elimine os empregos e os benefícios sociais conquistados, por intermédio dos programas e projetos dos governos trabalhistas.
 
O golpista do Paraguai também vai falar logo a seguir. Ele vai ter a petulância e o despropósito de questionar os países membros do Mercosul que consideram seu governo ilegítimo. Federico Franco tem a pretensão de defender o indefensável: o status democrático do seu país e o regime imposto por ele e sua trupe oligarca à margem do processo democrático estabelecido pelas regras e pelo regimento do Mercosul. Franco é tão arrogante que, mal deu o golpe de estado, resolveu falar de forma ríspida e de alto tom ao ser contra o ingresso da Venezuela no Mercosul. Durma-se com um barulho desse... A Venezuela é sócia do bloco e o Federico não vai poder fazer nada para impedir essa realidade.
Tal figura patética de direita se alia à Secretaria de Estado dos EUA, aos grandes proprietários de terras vinculados ao Exército e ao Judiciário paraguaios, rasga as normas do Mercosul quanto à defesa da democracia e ainda se vale da desfaçatez e da insensatez para reivindicar e quiçá falar de modo autoritário na assembleia da ONU para justificar e defender a legitimidade do processo que culminou com o impeachment do presidente Fernando Lugo, eleito constitucionalmente pelo povo paraguaio.
Contudo, o Itamaraty devolveu na mesma moeda as intenções do golpista Federico Franco. O Brasil não vai recuar ainda mais que o PT e os partidos da base aliada formada no Congresso consideraram, com a aquiescência de Dilma, por intermédio de nota pública, que o Brasil, no momento, está a enfrentar uma tentativa de golpe cujo pavio a pegar fogo é a “matéria” totalmente em off da revista Veja, que acusa Lula de ser o chefe do “mensalão”, além da entrevista com o golpista do Paraguai nas páginas amarelas. (O publicitário Marcos Valério, segundo seu advogado, não concede entrevista há sete anos, e negou que Lula fosse chefe de mensalão).
 
O Governo Federal deveria, urgentemente, cortar as verbas publicitárias das mídias privadas de caráter golpista. Os barões da imprensa sempre defendem a iniciativa privada e por isto considero que eles deveriam, terminantemente, recusar tais verbas, afinal essas pessoas tem de efetivar a desestatização de suas empresas e, consequentemente, ser coerentes com seus próprios pensamentos e propósitos de vida. Afirmo e repito novamente, o que já se tornou um mantra: governantes trabalhistas não podem tergiversar e facilitar com a direita oligarca, porque, mais cedo ou mais tarde, vai ser vítimas de golpes.
Por isto e por causa disto, a presidenta Dilma Rousseff, juntamente com a maioria conquistada no Congresso, tem de efetivar o marco regulatório das mídias, setor econômico monopolizado e controlado por seis famílias, que pensam que o Brasil de uma população de 200 milhões de habitantes e um PIB de R$ 3,6 trilhões é o quintal das casas delas. Seria cômico, mas é trágico; e perigoso. Golpe é retrocesso, e a direita é o atraso, que tem sob seu poder os meios de produção urbanos e rurais. Portanto, todo cuidado ainda é pouco.
Lula é Dilma e Dilma é Lula. Enfim, a imprensa comercial e privada (privada nos dois sentidos, tá?) reconheceu o cerne desta questão. O aval da presidenta cobre com cal a manipulação de dois anos da imprensa na qual tenta dissociar Dilma de Lula, como se os dois fossem antagônicos, diferentes, no que é referente às suas ideologias, aos seus passados, à luta pela independência e autodeterminação do Brasil, além da busca pelo desenvolvimento social de nosso povo.
                               imagem 247
A capa vermelha é o golpe contra Lula e Dilma. A amarela é a "legalização" do golpe.
Para o capo Roberto Civita, dono da Veja, a revista emporcalhada, o Brasil é o Paraguai. A família Marinho também pensa assim, pois repercute tudo o que sai na Veja, autora do verdadeiro jornalismo de esgoto. Entretanto, tão prestigiosa família não manda seus asseclas repercutir as reportagens que são publicadas, por exemplo, na Carta Capital, entre outras publicações. O livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro, foi “esquecido” pela imprensa burguesa. E sabe por quê? Porque o jornalismo realizado pela imprensa alienígena e de negócios privados é seletivo. Selecionam as matérias, os fatos e as realidades conforme seus interesses e fazem do jornalismo uma ferramenta para combater e destruir aqueles que são considerados seus adversários e inimigos mesmo que de forma ilegal e criminosa.
Toda essa realidade é o apocalipse da imprensa, fruto do compadrio entre a direita midiática e a direita partidária, em prol de afastar Lula do processo eleitoral atual e de futuras eleições. Presidenta Dilma Rousseff, cadê o projeto do jornalista Franklin Martins que regulamenta o segmento econômico de mídias, por intermédio da efetivação do marco regulatório? Com a resposta, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo. É isso aí.
Leia o repúdio da base do Governo
O PT, PSB, PMDB, PCdoB, PDT e PRB, representados pelos seus presidentes nacionais, repudiam de forma veemente a ação de dirigentes do PSDB, DEM e PPS que, em nota, tentaram comprometer a honra e a dignidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Valendo-se de fantasiosa matéria veiculada pela Revista Veja, pretendem transformar em verdade o amontoado de invencionices colecionado a partir de fontes sem identificação.
As forças conservadoras revelam-se dispostas a qualquer aventura. Não hesitam em recorrer a práticas golpistas, à calúnia e à difamação, à denúncia sem prova.
O gesto é fruto do desespero diante das derrotas seguidamente infligidas a eles pelo eleitorado brasileiro. Impotentes, tentam fazer política à margem do processo eleitoral, base e fundamento da democracia representativa, que não hesitam em golpear sempre que seus interesses são contrariados.
Assim foi em 1954, quando inventaram um “mar de lama” para afastar Getúlio Vargas. Assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a 21 anos de ditadura. O que querem agora é barrar e reverter o processo de mudanças iniciado por Lula, que colocou o Brasil na rota do desenvolvimento com distribuição de renda, incorporando à cidadania milhões de brasileiros marginalizados, e buscou inserção soberana na cena global, após anos de submissão a interesses externos.
Os partidos da oposição tentam apenas confundir a opinião pública. Quando pressionam a mais alta Corte do País, o STF, estão preocupados em fazer da ação penal 470 um julgamento político, para golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula.
A mesquinharia será, mais uma vez, rejeitada pelo povo.
Rui Falcão, PT
Eduardo Campos, PSB
Valdir Raupp, PMDB
Renato Rabelo, PCdoB
Carlos Lupi, PDT
Marcos Pereira, PRB
Brasília, 20 de setembro de 2012.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

notas para a posteridade de um país anestesiado


"Minha filha,
 ...o sistema político do Brasil funda-se na opinião nacional, que, muitas vezes,
não é  manifestada pela opinião que se apregoa como pública."
Dom Pedro II Imperador do Brasil
em carta de 03 de maio de 1871 à Princesa Isabel [1]

"Mario Sergio Conti relata: “Em Veja, o método foi refinado... Gaspari inventava um raciocínio para avivar uma matéria e mandava um repórter achar alguém famoso que quisesse assumir a autoria. A frase “O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual” nasceu assim, proposta a Joãozinho Trinta. O truque... Tinha algo de molecagem, mas ficava nos limites das normas, na medida em que ninguém era forçado a encampar uma declaração...
Então ficamos assim: inventar declarações e atribuí-las a terceiros faz parte das normas jornalísticas, desde que favoráveis a essas fontes.
E a fraude só causa revolta quando contraria os envolvidos."
Sylvia Debossan Moretzsohn em


Em junho deste ano, enquanto aguardava por um lugar à mesa de um restaurante classe média em Porto Alegre, ouvi a conversa de duas senhoras na qual, uma delas, comentava sobre (sic) “o perigo que é essa novela da Globo botando minhoca na cabeça das empregadas...” [i.e a possibilidade das empregas domésticas imaginarem que possam seguir a carreira artística]. Foi. cit. In: Porto Alegre, Brasil, segunda década do século XXI. Pois é: Brasil. O mesmo país onde em 2002, em outro restaurante, na cidade do Rio de Janeiro, no auge da campanha para a Presidência da República, descontente com a possibilidade de elegerem como presidente o candidato do Partido dos Trabalhadores, uma jovem manifestou a intensidade de suas convicções políticas arrancando a dentadas -no recinto- o dedo de uma, assim percebida, adversária. E, no decorrer destes dias de julgamento no STF do chamado “mensalão”, expressos por pessoas pertencentes a níveis sociais de renda elevada a revelar contrariedade com o fim das práticas que consagraram Torquemada e Savanarola, é possível deparar-se nas redes sociais com comentários do tipo:(sic) “a sociedade deveria invadir o STF e linchar esses safados. A China é que está certa: corrupto é fuzilado e a familia ainda tem de pagar a bala” ou [referindo-se a um ministro da Suprema Corte] (sic) “Este vagabundo tá absolvendo todo mundo, uma esculhambação, virou piegas este Supremo” ...
Informação seletiva e intolerância fundamentalista são, respectivamente, as sugestões implícitas nas verbalizações arquetípicas exemplificadas através das ‘falas’ acima, das quais o incidente no restaurante do Rio de Janeiro é o paroxismo. Avanti!
Pois bem, para além da ignorância, do obscurantismo, da delinquência e da desordem mental inerentes ao arquétipo fascista, lamenta-se, aqui, a persistência entre nós, brasileiros, da mentalidade responsável pelo suicídio de Vargas; pela deposição de Joâo Goulart; e pela tentativa(s?) midiática de impeachment de Lula -sintomaticamente os únicos presidentes brasileiros, até então, verdadeira e profundamente comprometidos com o bem-estar e desenvolvimento da classe trabalhadora.
Refiro-me a uma mentalidade lacerdista, quero dizer sempre pronta a enviesar os fatos no sentido de suas conveniências golpistas (since 1950). Habilíssima no exercício da hipocrisia que lhe é peculiar: desqualificar as massas populares ou seus representantes, acusando-lhes pelo cisco, incapazes porém de retirar do próprio olho as traves da incompetência, da ignorância, do despreparo, enfim, de todas as resultantes de séculos (cinco ao todo) do mais restrito desfrute de um butim... inebriante.  
Considerando que jamais -em tempo algum de suas vidas- qualquer um dos três mandatários acima citados se pronunciou a favor da extinção de privilégios que, ao contrário, desejavam universais, pergunta-se (a modo coloquial): qual o problema? Qual o motivo desta tendência de setores via-de-regra dominantes e influentes da sociedade brasileira manifestarem-se de modo reacionário em face a quaisquer tentativas de alterar um quadro social flagrantemente vergonhoso? Quem tem a perder (ou temer) com a diminuição da miséria e da ignorância (esta em todos os níveis sociais) da sociedade brasileira?
Eis algumas das incógnitas de uma equação ainda não solucionada, embora formulada já ao tempo do avô da Princesa mencionada na epígrafe, quando então parte da oposição temia a possibilidade de instituir-se no Brasil uma aristocracia hereditária, ajustada ao senado vitalício, em breve também hereditário.... bloqueando a circulação de baixo para cima do poder.[2]
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[1] In Faoro, Raymundo Os Donos do Poder vol. 1 p. 388
        col. Grandes Nomes do Pensamento Brasileiro  ed. Publifolha São Paulo SP 2000 
          Carvalho,José Murilo de Dom Pedro II pg 88
        col. perfis brasileiros ed. Companhia das Letras São Paulo 2007
[2] In FaoroRaymundo op. cit p. 325

http://passalidadesatuais.blogspot.com.br/2012/08/notas-para-posteridade-de-um-pais.html

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Voto de Joaquim Barbosa ameaça violar independência do Legislativo

  
No julgamento da Ação Penal 470, ao começar a julgar o chamado "núcleo político do mensalão", o ministro Joaquim Barbosa insistiu na tese de compra de votos parlamentares, sem haver qualquer confissão, testemunho, documento ou gravação que a comprove.
Para piorar, ignorou as provas da defesa dos réus, ao dar peso jurídico à constatação que todos os partidos com deputados que receberam dinheiro do chamado valerioduto participavam do governo indicando cargos na administração federal – ignora, portanto, que esse é o principal motivo para qualquer partido integrar uma base governista, nos regimes democráticos como o brasileiro – ainda que a prática seja moralmente passível de críticas.
O voto de Barbosa preocupa, porque ele quer tutelar o voto parlamentar, delegando a si, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, o julgamento de quais acordos políticos um parlamentar poderia fazer ou não. 
Por mais que não gostemos de deputados chamados fisiológicos, se há democracia eles existem e sempre existirão por delegação popular enquanto tiverem votos nas urnas, e têm legitimidade para agirem até virando a casaca. Há deputados que se elegem, não por voto de opinião, nem ideológico, mas por buscarem recursos em Brasília para sua região.
Esse tipo de deputado sempre busca aderir a quem assume o governo porque, no fundo, é a forma de atender as expectativas de seu eleitor. Gostemos ou não, na democracia, é ao eleitor que cabe julgar esse tipo de conduta do político e condenar ou absolver, com seu voto nas eleições seguintes, e nunca um Procurador da República, nem um juiz podem interferir nessa soberania popular.
Quando se condena um parlamentar ou quem quer que seja por receber dinheiro de forma ilícita, desde que haja provas irrefutáveis escorada na verdade dos fatos e no código penal, não há o que contestar. Quando alguém é flagrado declarando vender votos, como ocorreu durante o governo FHC, não há o que contestar nas sentenças condenatórias.
Já quando um juiz quer interpretar a atuação política do parlamentar por conta própria, avança o sinal da democracia, e viola o princípio da independência entre os três poderes. Imagine se o poder Legislativo se metesse a julgar quais sentenças dos juízes do STF seriam legítimas e quais poderiam ser entendidas como ato ofício para obter alguma vantagem indevida, que não precisasse ser venda de sentença escancarada, com provas irrefutáveis?
Ou então, por exemplo, as que pudessem trazer aos juízes ganho de popularidade que tragam benefícios materiais, tais como maior venda de livros de sua autoria,  convites para palestras e seminários, maior procura por cursos ministrados pelo magistrado, futura carreira política ou o próprio aumento do próprio poder de autoridade.
A oposição partidária pode, num primeiro momento, vislumbrar lucros políticos imediatos ao ver adversários serem removidos do caminho, sendo politicamente condenados. Mas quem é legalista, seja de oposição ou não, comprometido com o estado democrático, não pode deixar essa escalada autoritária do Judiciário prosseguir.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Jorge Viana faz defesa de Lula e desmascara denúncia de Veja






“Eu venho à tribuna do Senado para tratar de um assunto que, de alguma maneira, se não está na ordem do dia do conjunto dos brasileiros, está na ordem do dia de uma parte importante da imprensa brasileira.

Neste final de semana, vimos uma reportagem que tenta trazer a figura do Presidente Lula para o debate das eleições municipais de 2012. Estou frisando, porque não tem nenhum sentido desprezarmos esta preliminar. Tem eleição e tem uma ação deliberada da elite brasileira contra o PT. Essa intolerância da elite brasileira com o PT está institucionalizada, é real. Eles não aceitaram o Governo do Presidente Lula por oito anos; eles engoliram, mal e porcamente.

Eu sempre tive um diálogo muito franco, aberto, com setores que cumpriram o papel de governar o Brasil durante muito tempo. Sempre tive uma ótima relação com o Governo do PSDB e com o Presidente Fernando Henrique especificamente, que é uma pessoa que tenho na melhor conta. Mas eu começaria dizendo que, se tenho o Presidente Fernando Henrique na melhor conta, o PSDB não tem. O PSDB do Brasil inteiro, depois de oito anos do Governo do Presidente Fernando Henrique, o escondeu, tentou apagar um dos Líderes do PSDB.

E agora o candidato Serra, afundando sua candidatura, sendo o campeão de rejeição no Brasil e com queda nas pesquisas, recorre ao Presidente Fernando Henrique Cardoso para fazer um papel nada nobre na campanha eleitoral, que é a intenção de questionar, num primeiro momento, a Presidenta Dilma, que, prontamente, fez uma nota firme, dura e colocou claramente para o País que a lealdade dela ao projeto que está em curso no Brasil, que começou com o Presidente Lula e de que ela fez parte, esta lealdade ao projeto é inquestionável. A Presidenta Dilma foi firme, surpreendeu aqueles que contavam com algum vacilo dela para cumprir a sua missão de, mesmo depois, no Poder, tentar desconstituir a imagem, a história do Presidente Lula.

O Presidente Lula não governa mais o Brasil, mas tem o direito de seguir lutando pelo Brasil, como tem feito diariamente depois de ter vencido o câncer. O lamentável, numa preliminar, é que toda véspera de eleição temos situações parecidas com esta. O povo brasileiro enfrentou todo tipo de dificuldade na reeleição do Presidente Lula, todo tipo de distorção por essa elite que engoliu quatro anos de Lula, mas não aceitava mais quatro. Vencemos.

O Presidente Lula fez um segundo mandato muito melhor do que o primeiro. Depois, na sucessão do Presidente Lula, é só lembrar, era diário o combate ao Presidente Lula, que, em vez de calar e de se curvar, já pensando em ser ex, enfrentou do primeiro ao último dia o debate e fez a sua sucessora.

E, agora, o Brasil está ainda melhor do que estava quando o Presidente Lula terminou seu segundo mandato. E a Presidenta Dilma tem a responsabilidade, dedica-se diariamente para levar este País à frente, para fazer o Brasil seguir ocupando um espaço privilegiado diante do mundo, mas mais do que isso, assumiu um compromisso de ser a Presidenta que olha, que estende a mão para os brasileiros que passam maior privação, seguindo as lições do Presidente Lula.

Foi para isso que o PT surgiu, é para isso que o PT governa, para inverter prioridades, para estender a mão para aqueles que não sabem, que não podem e que não têm. É um princípio cristão, mas é um princípio também daqueles que fazem a boa política.

Agora, nós estamos a duas semanas da eleição. E o que é que a gente vê? A velha, preconceituosa, elite brasileira se levantando. Não conseguem compreender, aceitar, que a mais Alta Corte de Justiça do País julgue. Não. Querem influir na composição da Corte. Querem decidir o calendário de julgamento da Corte. É isso que o Brasil está vendo. E querem agora conduzir o julgamento da Corte. Isso é um desserviço ao País.

O problema do País, durante muitos séculos, foi sua elite. Não é o seu povo. Isso, os estudiosos da beleza da cultura brasileira já identificaram. Agora, o Presidente Lula foi o que mais trabalhou pelos pobres, pela inclusão social – eu estou falando de dezenas de milhões de brasileiros –, pela geração de empregos, pelo resgate de uma posição de destaque do Brasil diante do mundo, e é, de longe, o mais perseguido Presidente da história do Brasil, por uma parcela da elite brasileira preconceituosa, intolerante com o PT e com o Lula. Não aceitam que o Presidente Lula seja um ótimo ex-presidente. Querem atacá-lo agora como ex-presidente.

A reportagem, no final de semana, da revista Veja, atende mais o calendário eleitoral – é só ler – do que o interesse de ajudar o Brasil, que é legítimo, da Veja, de outras revistas e dos veículos e comunicação, porque a escora de uma boa democracia, a escora da verdadeira democracia, é a imprensa livre.

Lamentavelmente, aqui no Brasil, eu estou aqui na tribuna do Senado, falando alto, pedindo imprensa livre, porque uma parcela da imprensa, me parece, está comprometida em assumir um papel que a oposição fracassou em tentar assumir. Eu acho legítimo. Só não vale sabotagem. Só não vale distorcer os fatos. Só não vale querer destruir a imagem de uma figura como o Presidente Lula.

Estão aí tentando deixar a entender, achando pouco o que fizeram, desmoralizando algumas figuras, que o Presidente Lula pode estar por trás de tudo isso. Não tem nada no processo que aponte esse caminho. Não tem nada que coloque em questionamento a postura do Presidente Lula. Aliás, a vida dele é uma referência, é um exemplo para o Brasil e para o mundo.

Amigos e amigas que nos assistem em casa, Srªs e Srs. Senadores, essa história do mensalão segue muito mal contada no nosso País. É óbvio, eu sou do PT, estou entre aqueles do PT, como disse há pouco para o Líder do PSDB, Senador Alvaro Dias, sou daqueles que acho que existem gravíssimos problemas que envolvem financiamento de campanha no País, que envolve o funcionamento da essência da democracia, que são os partidos políticos.

O Brasil está vivendo um faz de conta. O caixa dois não está diminuindo, está aumentando. O Brasil vive um faz de conta de que nós estamos melhorando o processo de consolidação dos partidos. Nós estamos piorando. Os partidos cartoriais estão aí para quem quiser ver. A disputa em todos os lugares por partidos que tenham tempo de televisão custa caro. Os compromissos são assumidos antes da eleição, durante o processo eleitoral e depois, do mesmo jeito que o PSDB inaugurou em 98 em Minas Gerais.

O PSDB está na origem do mensalão. Não é denúncia do PT, Ministério Público. O processo foi para o Supremo, misteriosamente foi desmembrado e saiu do Supremo com o mesmo argumento com que foi derrotado agora, de que não era o foro, de que tinha pessoas que não eram para ser julgadas pelo Supremo. Mas se é do PT é adequado, tem que julgar. Mas se é para melhorar o País, tudo bem, ótimo. Só não para que a gente venha ouvir lição de moral de quem não tem moral para dar lição a ninguém. Quem criou o mensalão não tem moral para vir questionar o PT.

Falei ainda há pouco num aparte: entre a cópia e o original, eu fico com o original. Isso não significa dizer nenhum tipo de conivência com ações fora da lei por parte do Partido dos Trabalhadores. Mas vamos questionar o PSDB, o PFL. Eles criaram o mensalão em Minas Gerais. Tiraram dinheiro público para financiar seus partidos. Fizeram isso. Alguns podem dizer: “Ah, foram competentes em fazer”. Não sei se a palavra adequada é competência.

Mas o certo é que, naquela época, existia um controle não denunciado pela elite da essência daqueles que deveriam fiscalizar a ação dos que agem fora da lei.

Vamos lembrar que a posição do Ministério Público Federal não foi a de hoje. Ótimo, estamos evoluindo. A própria Polícia Federal, nós tivemos casos absurdos de um comprovado conluio com a elite brasileira para derrubar ministros, autoridades da República do governo do Presidente Lula.

Amigos e amigas que estão me assistindo em casa, o serviço prestado pelo Presidente Lula a este País não vai ser a oposição, não vai ser uma elite atrasada, preconceituosa que vai apagar. Ninguém pode esconder aquilo que foi feito, o trabalho que foi feito.

Não estou dizendo com isso que o PT é um partido infalível, mas o que o PT fez? Vamos para o exemplo e os fatos. O que fez o PT quando assumiu o Governo? Diminuiu a Polícia Federal? Diminuiu as condições de o Ministério Público atuar? Enfraqueceu as instituições que nos julgam a todos ou fez exatamente o contrário? Simples. Era muito simples. O Brasil estava tudo bem, quando surgiu o mensalão do PSDB, nem CPI foi aberta nesta Casa. Quando se comprou voto para reeleição por 200 mil moedas, não se abriu CPI. Estou falando de Deputados do Acre, meu Estado. Foi pago, comprovado. E, agora, sem prova, tenta-se condenar.

Acho que todo o Brasil deve respeitar a mais Alta Corte de Justiça. Eu respeito. Eu sigo confiando, mas vamos deixar a mais Alta Corte do País julgar com a independência que ela precisa ter.

Não vamos fazer esse jogo de tentar a manipulação da opinião pública. Não funcionou uma vez. Tentaram duas vezes, tentaram três. E agora estão achando que estão conseguindo algo. Não conseguem ganhar nas urnas, estão tentando ganhar de outra maneira. Essa é a elite brasileira.

O PT, quando chegou ao poder, não enfraqueceu o combate à corrupção. Foi o primeiro governo neste País que fortaleceu a Polícia Federal. Implantou a Polícia Federal em todos os Estados. No meu Estado havia meia dúzia de agentes; agora tem agente em todos os Municípios. Não tinha estrutura. Agora tem estrutura. O salário dava dó. Hoje, a PF tem salário, que é atrativo. É uma carreira de Estado, com delegados e agentes, que, aliás, precisam sair dessa greve. E nós temos que ajudar para que eles possam sair e conquistar, inclusive, uma melhor estrutura de carreira.

Mas, Sr. Presidente, o PT, no governo, não fez só isso. O PT, no governo, trabalhou para que o Supremo e o Superior Tribunal de Justiça ficassem cada vez mais independentes.

O Presidente Lula foi nobre na hora de escolher a composição do Supremo. Alguns até fazem disso motivo de chacota. Ah, se fosse o PSDB, se fosse o PFL, teriam escolhido ministros para conduzir. Mas nós não pensamos assim. Os ministros têm que ser escolhidos para nos julgar a todos, como temos hoje na nossa Corte. E acho que o Presidente Lula também acertou quando fez essa condução, que segue levada adiante pela Presidenta Dilma. Preferimos esse caminho, porque é bom para o Brasil.

Então, Sr. Presidente, concluo dizendo que nós temos que deixar bem claro aqui hoje: golpe, não! A elite brasileira tem todo o direito de criticar, setores da média não gostam do modelo petista de governar. Não tem problema. Só não vale golpe. Só não vale fazer matérias, só não vale montar esquemas para tentar destruir a história de um partido que tem muitos erros e falhas. Esses erros e falhas têm que ser assumidos por todos nós, corrigidos por todos nós, mas não podem ser traduzidos numa referência, como alguns estão querendo fazer, do que há de pior na história do Brasil.

O que há de pior na história do Brasil não está dentro do governo do PT nesses quase dez anos. Está dentro dos outros governos, que foram acobertados, que foram escondidos do povo brasileiro.

Então, estou vindo à tribuna do Senado. Posso ser uma voz dissonante, uma voz isolada, mas trago aqui a indignação: o Presidente Lula não merece esse tratamento. Os que têm a intimidade do Marcos Valério, que construíram com ele esse esquema criminoso não podem querer vincular que o Presidente Lula tinha encontro com Marcos Valério. Não teve encontros com o Sr. Marcos Valério.

O Presidente Lula é uma pessoa generosa. Eu o conheço bem. Devo a ele a minha formação política. O Presidente Lula merece respeito. Eu falo sem medo de errar e encerro com isso.

Queria muito que o Sr. Marcos Valério viesse falar nos canais de televisão, nos jornais, não a partir de aspas inventadas, mas a sua própria voz, contando a origem dessa organização criminosa de desviar dinheiro público para financiar partidos e base aliada. Certamente, se isso fosse feito, se o Sr. Marcos Valério falasse…

Quem está falando aqui é um Senador do PT. Eu queria muito que nós conhecêssemos a fita ou as fitas ou ouvíssemos a voz e os escritos do Sr. Marcos Valério contando a história, que começou em 98, com o PSDB e o PFL; passou por outros partidos, que estão firmes na República, e alcançou o PT. Lamento pelos erros do meu Partido, lamento que o PT não se conteve e caiu na tentação de achar um caminho fácil para resolver o problema da difícil composição de governo em nosso País por conta da legislação.

Se o Sr. Marcos Valério falar, gravar, contar a história, eu não tenho dúvida de que vai ficar mais fácil para os Ministros do Supremo julgar sem cometer injustiça, mas eu não tenho nenhuma dúvida de que o nosso País ficará melhor, porque a hipocrisia, o faz de conta vai ficar para trás, e aqueles que tentam dar lição de moral, que moral nenhuma têm para nos dar lição de moral, vão ter que dar explicações ao País porque criaram uma organização criminosa e agora tentam jogar a culpa no Partido dos Trabalhadores e tentam trazer o Presidente Lula para um debate do qual ele está muito distante, pela vida, pelo que construiu neste País.

Encerro dizendo: não confundam! É véspera de eleição, duas semanas para o dia da eleição, e essa ação de última hora, desesperada, por conta de disputa de São Paulo e de alguns outros espaços importantes para os nossos opositores, não pode ser usada como instrumento para danificar um dos maiores patrimônios da história deste País e maior patrimônio da história do meu Partido, que é o Presidente Lula.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Enterro de José Dirceu


video


Obra de ficção, interpretada pela jornalista e atriz Hildegard Angel, em adaptação livre, feita por ela, do célebre discurso de Marco Antonio, na peça "Julio Cesar", de Shakespeare, inspirada em personagens e fatos da atualidade brasileira. 
Obs: Este vídeo foi veiculado antes do julgamento do personagem aqui enfocado, não se sabendo se ele seria inocentado ou condenado, deixando-se assim bem evidente que se trata de uma obra de ficção, não se fazendo qualquer juízo de valor a respeito das ações que venham a ser tomadas pelas autoridades mencionadas nesta obra aberta.

Hildegard Angel

"Neste momento  que vive nosso país, uma adaptação do magnífico discurso de Marco Antônio, extraído da peça “Júlio César”, de William Shakespeare.

Amigos, brasileiros, meus compatriotas, escutem-me. Vim  para enterrar José Dirceu, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado junto com os nossos ossos, que seja assim com Dirceu. O nobre ministro Joaquim Barbosa disse a vocês que José Dirceu era ambicioso. E, se é verdade que era, a falta era muito grave, e José Dirceu pagou por ela com a vida, aqui, pelas mãos do Relator e dos demais Ministros do Supremo Tribunal Federal, sem esquecer de citar o nobre Procurador Geral da República. Pois Joaquim Barbosa é um homem honrado, e assim são todos eles, todos homens honrados.

Venho para falar neste emblemático "funeral" de José Dirceu. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Joaquim Barbosa diz que ele era ambicioso. E o ministro Barbosa é um homem honrado.

José Dirceu arriscou sua juventude, os anos mais vigorosos de sua vida, e dedicou todos os seus sonhos a tentar libertar o Brasil de uma ditadura sanguinária. Isto seria uma atitude indigna e ambiciosa de Dirceu? Quando o povo sofria oprimido, Dirceu se solidarizava. Ora, a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Barbosa diz que Dirceu era ambicioso. E Barbosa é um homem honrado.

Vocês todos souberam que, travando seu bom combate, por três vezes, Dirceu teve que se despojar de tudo, de seu país, de sua família, de seu rosto e até de renunciar à sua identidade. Passou a se chamar Daniel, teve que mudar o nome para Carlos Henrique. Enfrentou o bisturi do cirurgião, desfigurando a própria face. Escondeu da mulher que amava, mãe de seus filhos, o seu passado, para proteger a família do perigo de saber quem de fato ele era, clandestino que estava em seu próprio país. Em nome de uma ideologia, ousou viver e sobreviver despojado dos mais básicos elementos essenciais à auto-estima de um indivíduo. E se despojou de um ministério poderoso, de um governo que ajudou a eleger, para travar nova luta. Seria este um homem ambicioso? Mas Barbosa diz que ele era ambicioso, e Barbosa, todos sabemos, é um homem honrado.

Eu não falo aqui para discordar do que o digno ministro Barbosa falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. Muitos de vocês, se não amaram Dirceu, pelo menos o admiraram, e tinham razões para isso. Qual a razão que os impede agora de homenageá-lo na morte?

Ontem, a palavra deste homem seria capaz de enfrentar o mundo, agora, está aqui, desmoralizada, morta. E um homem de palavra morta é um homem morto.

 Ah! Se eu estivesse mal intencionada, disposta a aliciar os seus corações e mentes à revolta, eu falaria mal de Barbosa e de Marco Aurélio ou de Mendes e de Weber ou de Celso e Lucia e Britto, os quais, como sabem, são homens e mulheres honrados. Não vou falar mal deles. Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens e mulheres honrados.

Mas eis aqui um email de Dirceu! Eu o encontrei em minha caixa de correio. É sua carta-testamento. Quando as pessoas do povo a lerem  (porque, perdoem-me, eu não pretendo lê-la),  elas se lançarão para  beijarem os ferimentos de Dirceu e molhar os lenços no seu sangue.

O quê? Vocês exigem que eu a leia? Tenham paciência, amigos, mas eu não devo fazer isso. Vocês não são de madeira ou de ferro e, sim, humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de Dirceu vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de Dirceu! Pois se souberem... o que vai acontecer?
Continuam a insistir? Então vocês vão me obrigar a ler o email-testamento do Zé? Façam então um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes Dirceu morto, aquele que escreveu este testamento.

Brasileiros. Se vocês têm lágrimas, preparem-se para despejá-las. Vocês todos conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a sentença do ministro Barbosa penetrou. Através deste outro rasgão, o ministro Fux, tão querido de Dirceu, proferiu o seu voto e, quando ele o concluiu,  vejam como o sangue de Dirceu escorreu do ferimento. E oh! Deuses, que golpe brutal para Dirceu, que tanto o admirava! Foi neste momento que seu coração parou. Então eu e vocês e todos nós também tombamos.

Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele. Boas almas. Choram ao ver o manto de José Dirceu despedaçado.

Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são sábios e honrados e já apresentaram a vocês as suas ponderações, queixas e razões. Eu não vim para agitar seus corações. Eu não sou uma boa oradora, como o notável ministro Joaquim Barbosa. Sou apenas uma mulher simples e direta, que ama os seus amigos.

Mas já que tanto insistem, revelo enfim o conteúdo da carta-testamento assinada por Dirceu.

Para vocês, ele deixou todos os seus sonhos de um Brasil mais cidadão, com menos desigualdades, um Brasil nacional, dono de seu nariz, e para os herdeiros de vocês e para sempre.

Este era José Dirceu. Quando aparecerá outro como ele?"