quinta-feira, 16 de maio de 2013

O PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA e O GRASNAR DAS AVESTRUZES



Por Raul Longo


Na verdade nem sei qual seja o som que a ave emita, mas optei pelo grasnar por outro dia ter comparado o cérebro de alguns de meus correspondentes ao usar meu programa de correio para reproduzir o ruído dos corvos da mídia, aos intestinos dos avestruzes.
Como se sabe quem reproduz qualquer besteira decorada é o papagaio. Mas papagaio reproduz sons humanos e embora virtualmente trabalhe com pessoas a mídia é uma máquina de transformar pessoas em animais sem sentido humano.
Toda ave tem aparelho digestório de efeito imediato: come aqui e defeca ali com a maior presteza. Mas nenhuma tanto quanto o avestruz e nem mesmo os intestinos do avestruz é tão presto quanto o cérebro, se assim se o pode chamar, desses correspondentes.
Tudo o que engolem da mídia imediatamente defecam na minha caixa de correio.
Quem alguma vez por um momento se deixou observando um galinheiro saberá que jamais acontece de uma penosa filosofar sobre os próprios dejetos: “Que caca que fiz! Doravante terei mais cuidado porque se ficar engolindo lesmas, isso aqui ficará insuportável!”
Essa possibilidade não existe!
Algumas aves são espertas, inteligentes. Com o tempo aprendem alguma coisa. Mas esses meus correspondentes nunca! Apenas engolem e defecam.
É uma espécie de bulimia cerebral: o que ouvem ou leem pela mídia imediatamente vomitam em minha caixa de correio, lambrecando tudo.
Dou-lhes nos dedos, claro! Afinal tenho mais o que fazer do que ficar limpando sujeira criada pela mídia para o defecar desses acéfalos, mas não tem jeito: a bulimia deles além de compulsiva é totalmente inconsciente. Babam-se e não se limpam. Um nojo!
Mas não dá para negar que apesar dessa inconsciência, eles conseguem ser seletivos. Adoram qualquer porcaria, mas preferem as piores. Da Folha de São Paulo, por exemplo, escolhem a Eliane Catanhede, o Clóvis Rossi, ou qualquer outra sujeira de idêntico mau cheiro. Nunca enviam algo razoável ou menos pútrido.
Embora não leia jornal algum, até desconfio que o Rossi anda se recompondo ou pelo menos conseguiu interromper a acelerada putrefação que o tornava um dos acepipes preferidos desses correspondentes. Como já não me o enviam há algum tempo, tenho razões para imaginar que o colunista conseguiu parar de enterrar a cabeça para não enxergar a realidade, como dizem fazer os avestruzes.
Nunca acreditei nisso e desconfio ser folclore. De pernas longas e fortes, para que um avestruz haveria de perder tempo enterrando a cabeça a se esconder do que considere ameaça, se muito mais rápido e eficiente seria correr e fugir?
Isso de enfiar a cabeça num buraco é coisa de gente que tem vergonha de si mesma, mas prefere não enxergar o que acontece para fazer de conta não ter sido quem espalhou titica ao reproduzir o grasnar da mídia.
A já conhecida como AP do Mentirão é um exemplo desse comportamento. Enquanto a 470 julgava o suposto Mensalão do PT, foi um estardalhaço. Cada um queria trepar no mais alto do poleiro para anunciar o ovo que Roberto Jefferson botou no aperto, como se o deputado cassado houvesse expelido um estranho no ninho montado em palhas de uma lei eleitoral hipócrita que tão bem afofou as poedeiras de todos os partidos ao longo da história política do Brasil. Inclusive do próprio Jefferson e demais acusadores.
Só porque a predileção avícola da mídia é pelos tucanos, circunscrevesse o ovo daquela ave ao estado de Minas Gerais. Mentira por omissão e meus correspondentes tampouco o citam, apesar dos idênticos valores operados. Mesmas quireras pelos mesmos cochos, apenas em viveiro menor e, ainda assim, silêncio de avestruz com a cabeça enterrada!
Quando Ideli Salvati, do PT, apoiou a instalação do estaleiro de Eike Batista em Florianópolis, ou agora que Tarso Genro apoia acordo com a indústria bélica sionista, vou pra cima e não me reclamem de fogo amigo, pois não sou amigo de sigla. Sou amigo de quem não é inimigo da minha gente.
Como esses correspondentes não tem gente e por serem solitários são covardes, agora que a AP 470 se torna a AP do Mentirão quero ver qual fará alguma consideração sobre o amontoado de besteiras que me enviou. Sei que não acontecerá, mas gostaria de poder me orgulhar de ao menos um que reconheça ter escolhido errado seu super-herói ao imaginar como dono da verdade o mesmo Joaquim Barbosa que agora se comprova mentiroso a ponto citar a presença de um morto em encontro que jura ter ocorrido.
Morto em desastre de avião não dá nem para dizer que se fez de morto. Quem se faz de morto é o Joaquim Barbosa e esses meus correspondentes que espalham titica no meu programa de correio e depois sequer pedem desculpas. Sendo que quando reclamam por uma afirmação que resultou de minha má informação, me retrato com cada um como recentemente fiz pela distribuição de um comentário de uma terceira pessoa induzida ao erro por uma imagem mal explicada de um ato do Papa Bento XVI. Quando um sacerdote católico explicou a realidade da situação a repassei a esses correspondentes demonstrando os motivos da intepretação errônea à qual corroborei.
Nunca fui imitado por nenhum desses que já me enviaram até cópias de documentos que se evidenciaram ou foram admitidos como falsos pelos mesmos que os produziram. Enganam e são enganados com a mesma passividade, com a mesma absoluta ausência de vergonha na cara. 
Será falta de caráter? Cheguei a imaginar isso, mas na insistência em continuar me enviando as mesmas incapacidades de raciocínio mínimo e elementar, observo algo que deveria preocupar a seus familiares, pois denotam um nível de autismo mais alto do que o natural aos portadores dessa deficiência que geralmente se revelam muito proficientes em alguns aspectos.
Em que aspecto pode ser proficiente ou útil a si mesmo um idiota que utiliza do último resquício de inteligência humana que lhe resta para procurar e escolher o que de pior, de mais mentiroso e falso consiga encontrar nessa grande indústria de mentiras e falsidades que é a mídia?
Será algum tipo de tara? Um desvio psiquiátrico?
Nunca consegui entender qual o prazer, a satisfação ou o que possa sentir aquele moleque que distribui vírus para detonar com o computador de pessoas que ele sequer conhece. Os que distribuem os tais vírus espiões para coletar dados que usarão para extorquir ou se apropriar de algo alheio, são tão explicáveis quanto os profissionais da mídia que têm algum ganho pessoal com o que fazem.
Mas o que ganham esses que distribuem qualquer mentira que ouvem ou recebem pela internet? Tento comparar com a brincadeira do apertar a campainha e sair correndo que fazia quando moleque, no entanto percebo ser bem pior do que minhas molecagens de criança, pois então nem imaginava a possibilidade de um tombo na fuga, um ralar de joelho.
Os defecadores da mídia, os transmissores de mentiras, será que nunca imaginaram a possibilidade de prejudicarem a eles mesmos? Como se fossem hackers que jamais se preocupassem em instalar um programa antivírus no próprio computador?
Quantos, incapazes de rebater meus argumentos, já não partiram para agressões pessoais me acusando disso ou daquilo sem sequer me conhecer. Já se afirmou de tudo: que fui beneficiado pelo mensalão, que o governo me paga para atacar a mídia, que nunca saio de Brasília para conhecer a realidade brasileira, etc.
Apesar de ter vivido na maioria das capitais brasileiras, nunca morei em Brasília. Nunca fui filiado a partido algum. Não recebo nem aposentadoria. E afora aqueles que já no início do governo Lula reconheceram as evidências dos bons resultados para eles mesmos; nenhum dos demais que fazem de conta não perceber que são menos ameaçados pela violência social do que há uma década atrás ou que suas condições de aquisição de comodidades pessoais aumentaram muito, continuam me enviando o que catam aqui e ali de qualquer um, em maioria desconhecidos ou anônimos. Quando não encontram nada, tentam atualizar acusações e críticas anacrônicas quando não totalmente improváveis ou há muito desmentidas.
Joaquim Barbosa mentiu por engano, por desleixo, por intenção ou por ter sido comprado. Mas esses correspondentes não se enganam jamais! Têm plena convicção do que defecam por só reproduzirem o que diz a mídia ou eliminar o produzido nos espasmos de congestões cerebrais provocadas por seus incontroláveis preconceitos.
Fico imaginando que nunca sentem de dor de cabeça, mas em compensação sofram terríveis cólicas cerebrais.
Lembrando que tirante os felinos que enterram os próprios dejetos, não há avestruz nesse mundo que reconsidere a própria titica e já que gato não é ave, prevejo que no caso da AP do Mentirão a esses correspondentes só restará mais uma vez esconder a cabeça para fazer de conta de que desconhecem o ridículo das suas bundas expostas nas janelas da internet.
E assim continuarão emporcalhando minha caixa de correio como se não tivessem nada a ver com isso, insistindo em seus grasnares como qualquer frangote orgulhoso de seu primo canto. Por isso me antecipo aproveitando para lembrar que Galeto ao Primo Canto é um prato famoso da Serra Gaúcha.
Como sei que a maioria desses correspondentes tem dificuldade de leitura e perdem o interesse num primeiro parágrafo de texto que aborde alguma verdade, da mesma forma que fiz no texto anterior destacarei de início alguns dos dados que Elio Gaspari utilizou na matéria publicada pela Folha de São Paulo deste domingo.
Aos que falta caráter sei que não servirá de nada, mas talvez ajude aos analfabetos funcionais.
Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa.
Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais.
DE CADA 100 FAMÍLIAS AMPARADAS, 12 FORAM À PREFEITURA E INFORMARAM QUE NÃO PRECISAVAM MAIS DO DINHEIRO.
ISSO NUMA TERRA ONDE ESTIMA-SE QUE A SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS CHEGUE A R$ 261 BILHÕES, OU 9% DO PIB.
O BOLSA FAMÍLIA CUSTA R$ 21 BILHÕES, OU 0,49% DO PRODUTO INTERNO.
Política de cotas universitárias - a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas
TANCREDO NEVES: “NOSSO PROGRESSO POLÍTICO DEVEU-SE MAIS À FORÇA REIVINDICADORA DOS HOMENS DO POVO DO QUE À CONSCIÊNCIA DAS ELITES. ELAS, QUASE SEMPRE, FORAM EMPURRADAS".
San Tiago Dantas: "a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta"
Elio Gaspari
Brava gente, a brasileira
Dados do Bolsa Família e da política de cotas ensinam o andar de cima a olhar direito para o de baixo
Atribui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual "a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta". Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo.
A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: Em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que de cada 100 famílias amparadas, 12 foram à prefeitura e informaram que não precisavam mais do dinheiro.
A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimula o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimula a inadimplência.
Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde estima-se que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do produto interno.
A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que num universo de 168 mil alunos que concluíram treze cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6 e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta.
Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque dava-se de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6 e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá.
As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a abolição da escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.
Admita-se que a frase atribuída a San Tiago Dantas seja apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: "Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas".

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O programa do PT levado ao ar ontem (dia 9) está muito bom. Assista e comente!


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Câmara dá passo importante e estuda criar apoio para mídias alternativas



 
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Publicado em 07-Mai-2013 -
Blog do Zé -URL: 

 
Câmara dá passo importante e estuda criar apoio para mídias alternativas
 
 
 
Muito importante essa proposta feita pela Comissão de Cultura da Câmara de criar uma nova linha de financiamento para mídias alternativas. A ideia vai ser debatida hoje. Sabemos que atualmente poucos grupos dominam os principais meios de comunicação do Brasil. Vivemos a nova era da internet, que mexe fortemente com todo o cenário de comunicação no mundo. E o Brasil não pode fechar os olhos para isso...
 
 
Muito importante essa proposta feita pela Comissão de Cultura da Câmara de criar uma nova linha de financiamento para mídias alternativas. Hoje, sabemos que poucos grupos dominam os principais meios de comunicação do Brasil. Falta, como já falamos aqui diversas vezes, uma mídia mais plural e democrática.
 
 
 
De acordo com o Valor Econômico de hoje, a linha de financiamento teria condições especiais, por bancos públicos, e seria direcionada para veículos como blogs, rádios e TVs comunitárias. O BNDES disponibilizaria novas linhas de crédito.
 
 
 
A presidenta da comissão, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), diz ao jornal que a mídia alternativa precisa de “olhar mais atento” do BNDES que, como banco público, precisa valorizar também as pequenas empresas do ramo. Para Jandira, tanto os meios privados quanto os públicos devem poder obter os empréstimos.
 
 
 
Ainda não há uma estimativa sobre valores e juros. O assunto vai ser debatido hoje pela comissão em audiência pública, às 14h. Uma segunda fase do debate vai englobar a distribuição de verba publicitária do governo.
 
 
 
Jandira diz que, embora a tecnologia seja um facilitador para a mídia alternativa, existem desafios de infraestrutura para manter a longevidade desses veículos.
 
 
 
"Os blogs, por exemplo, tem um grande potencial, mas nem sempre tem condições de pagar um salário para um bom jornalista", diz a deputada.
 
 
 
De fato, vivemos a nova era da internet, que mexe fortemente com todo o cenário de comunicação no mundo. E o Brasil não pode fechar os olhos para isso. Não é possível ignorar as novas mídias e as novas tecnologias.

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Presidente de comissão defende apoio do governo a mídias alternativas
 
 
Por Rafael Bittencourt | De Brasília
 
 
 
Iniciativa tomada na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados propõe a criação de nova linha de financiamento em condições especiais, por bancos públicos, para ajudar o segmento de mídias alternativas - como blogs, rádios e TVs comunitárias - a superarem parte das dificuldades de se sustentarem economicamente. Tal solução, segundo a presidente da comissão, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), deve passar pela disponibilidade de novas linhas de créditos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES).
 
 
Para Jandira, o segmento de mídia não tradicional precisa receber um "olhar mais atento" do BNDES que, como banco público, precisa valorizar também as pequenas empresado ramo. Adeputada considera que tanto os meios privados quanto entidades responsáveis pelas rádios e TVs comunitárias - e também públicas - devem ser enquadradas na figura jurídica de tomador empréstimo nesta nova modalidade. Segundo a parlamentar, a comissãoainda não chegou à estimativa de recursos demandados para financiamento ou ao patamaadequado de juros para o setor.
 
A busca de soluções financeira para mídiaalternativas será debatida hoje pela Comissão de Cultura em audiência pública. Representando o BNDES, participará a chefe do Departamento deCultura, Entretenimento e Turismo do banco, Luciene Gorgulho.
 
Jandira reconhece que as novas facilidades tecnológicaajudaraa ampliar o número de meios de comunicação alternativos nos últimos anos, porém os desafios de manter a produção deconteúdo por um período duradouro têm prevalecido. "Essa pujaa que temos visto não é acompanhada de condições propíciade infraestrutura", defende a parlamentar.
 
A presidente da comissão avalia que a atividade exercida pela de imprensa na internet também tem deparando com desafios práticos, em especial, pela falta de condições de manter profissionais qualificados. "Os blogs, por exemplo, tem um grande potencial, mas nem sempre tem condições de pagar um salário para um bom jornalista", disse. Ela ressalta que, no caso das rádios e das TVs comunitárias, são identificadas limitações de ordem técnica que influenciam na qualidade das transmissões. Outra fase do debate, segundo eladeve abranger adistribuição da verba publicitária do governo.
 
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Emir Sader entrevistou o ex-presidente Lula


Emir Sader entrevistou o ex-presidente Lula - O material da longa entrevista é parte de um livro a ser lançado ainda este mês - 04/05/2013 -
 
 
 
 
 
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Emir Sader entrevistou o ex-presidente Lula ( -  O material da longa entrevista é parte de um livro a ser lançado ainda este mês: 10 anos de Governos Pós-Liberais no Brasil: Lula e Dilma
 
 
O Livro deverá ser lançado em maio deste ano e também poderá ser acessado na internet
 
O livro de artigos foi organizado pela Clacso (Conselho Latino-americano de Ciências Sociais) e deve sair em maio pela Boitempo Editorial e também poderá ser lido, livremente, pela internet.
 
 
(Foto: Ricardo Stuckert/IL)
Ex-presidente Lula com Emir Sader e Pablo Gentili, em São Paulo
 


Lula concede entrevista para livro sobre os 10 anos de governo democrático e popular no Brasil

 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu hoje uma entrevista para o livro que Emir Sader e Pablo Gentili estão fazendo sobre os 10 anos de governo do PT no Brasil

 

Lula, após uma década, explica o porquê do silêncio sobre o ‘mensalão’

 

Trechos de uma longa entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao sociólogo Emir Sader, transformada em livro a ser lançado ainda este mês, vazaram neste sábado (4/5) para a mídia alternativa e revelam o porquê de o líder mais influente do Partido dos Trabalhadores manter silêncio sobre o escândalo do ‘mensalão’, quebrado apenas no diálogo com o intelectual carioca. Tratou-se de uma estratégia para seguir adiante, apesar do pesado ataque
da mídia conservadora, ao longo da última década.
 
– Tentaram usar o episódio do mensalão para acabar com o PT e, obviamente, acabar com o meu governo. Na época, tinha gente que dizia: “O PT morreu, o PT acabou”. Passaram-se seis anos e quem acabou foram eles. O DEM nem sei se existe mais. O PSDB está tentando ressuscitar o jovem Fernando Henrique Cardoso porque não criou lideranças, não promoveu lideranças. Isso deve aumentar a bronca que eles têm da gente – que, aliás, não é recíproca – ressalta.
 
Na entrevista, reproduzida no livro Governos Pós-Liberais no Brasil: Lula e Dilma, a ser lançado no próximo dia 18, o ex-presidente também reafirma a necessidade de uma constituinte, para levar a cabo a reforma política essencial para a consolidação da democracia no país. Segundo afirmou a Emir Sader, “a eleição está ficando uma coisa muito complicada pro Brasil”.
 
– Eu tentei, quando presidente, falar de uma Constituinte exclusiva, que é o caminho: eleger pessoas que só vão fazer a reforma política, que vão lá (para o Congresso), mudam o jogo e depois vão embora. E daí se convocam eleições para o Congresso. O que não dá é pra continuar assim. Às vezes tenho a impressão que partido político é um negócio, quando, na verdade, deveria ser um item extremamente importante para a sociedade – afirmou.
 
 
Leia alguns trechos da entrevista:
 
 
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula<br/>Lula e Emir Sader
Ex-presidente Lula com Emir Sader
 
 
– Qual o balanço que o senhor faz dos anos de governo do PT e aliados?
 
– Esses anos, se não foram os melhores, fazem parte do melhor período que este país viveu em muitos e muitos anos. Se formos analisar as carências que ainda existem, as necessidades vitais de um povo na maioria das vezes esquecido pelos governantes, vamos perceber que ainda falta muito a fazer para garantir a esse povo a total conquista da cidadania. Mas, se analisarmos o que foi feito, vamos perceber que outros países não conseguiram, em trinta anos, fazer o que nos conseguimos fazer em dez anos. Quebramos tabus e conceitos preestabelecidos por alguns economistas, por alguns sociólogos, por alguns historiadores. Algumas verdades foram por água abaixo. Primeiro, provamos que era plenamente possível crescer distribuindo renda, que não era preciso esperar crescer para distribuir. Segundo, provamos que era possível aumentar salário sem inflação. Nos últimos 10 anos, os trabalhadores organizados tiveram aumento real: o salário mínimo aumentou quase 74% e a inflação esteve controlada. Terceiro, durante essa década aumentamos o nosso comercio exterior e o nosso mercado interno sem que isso resultasse em conflito. Diziam antes que não era possível crescer concomitantemente mercado externo e mercado interno. Esses foram alguns tabus que nós quebramos. E, ao mesmo tempo, fizemos uma coisa que eu considero extremamente importante: provamos que pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de renda e que muito dinheiro na mão de poucos é concentração de renda.
 
 
– Quando começou o governo, o senhor devia ter uma ideia do que ele seria. O que mudou daquela ideia inicial, o que se realizou e o que não se realizou, e por quê?
 
 
– Tínhamos um programa e parecia que ele não estava andando. Eu lembro que o ministro Luiz Furlan, cada vez que tinha audiência, dizia: ‘Já estamos no governo há tantos dias, faltam só tantos dias para acabar e nós precisamos definir o que nós queremos que tenha acontecido no final do mandato. Qual é a fotografia que nós queremos’. E eu falava: ‘Furlan, a fotografia está sendo tirada’. Não é possível ficar com pressa de obter resultados. Nós temos que provar, no final de um mandato, se nós fomos capazes de fazer aquilo que nos propusemos a fazer. Se a gente for trabalhar em função das manchetes dos jornais, a gente parece que faz tudo e termina não fazendo nada.
 
Então é o seguinte: eu plantei um pé de jabuticaba. Se esse pé nascer saudável, vai ter sempre alguém dizendo: ‘Mas, Lula, não está dando jabuticaba, está demorando’. Se for cortar o pé e plantar outra coisa, eu nunca vou ter jabuticaba. Então, eu tenho que acreditar que, se eu adubar corretamente, aquele pé vai dar jabuticaba de qualidade. E eu citava esses exemplos no governo… Soja tem que esperar 120 dias, o feijão tem que esperar 90 dias. Não adianta ficar repisando, ‘faz uma semana que eu plantei e não nasceu’. Tem que ter paciência. Eu acho que eu fui o presidente que mais pronunciei a palavra ‘paciência’, ‘paciência’… Senão você fica louco.
 
Tem gente na política que levanta de manhã, lê o jornal e quer dar resposta ao jornal. E daí não faz outra coisa. Eu não fui eleito para ficar o tempo todo dando resposta a jornal. Eu fui eleito para governar um país. E isso me deu tranquilidade suficiente para ver que o programa de governo ia ser cumprido.
 
 
– Quando o senhor perdeu a paciência?
 
 
– Obviamente que nós tivemos problemas no começo. Você acha que é simples um metalúrgico sentar naquela cadeira na qual sentaram tantas outras personalidades, que via pela televisão, que achava que era mais importante do que eu… E o mesmo em relação a dormir no quarto em que dormiu tanta gente importante ou que, pelo menos a voz da opinião publica, são importantes. E eu ficava pensando: ‘Será que é verdade que eu estou aqui?’.
No começo tinha muita ansiedade. “Será que nós vamos dar conta de fazer isso? Será que vai ser possível?”, eu me perguntava. Eu acho que nós fizemos. Com erro e com muita tensão, mas fizemos.
 
Tivemos tropeços, é lógico. Muitos tropeços. O ano de 2005 foi muito complicado. Quando saiu a denúncia (do ‘mensalão’), foi uma situação muito delicada. Se não tivéssemos cuidado, não iríamos discutir mais nada do futuro, só aquilo que a imprensa queria que a gente discutisse. Um dia, eu cheguei em casa e disse: ‘Marisa, a partir de hoje, se a gente quiser governar este país, a gente não vai ver televisão, a gente não vai ver revista, a gente não vai ler jornal’. Eu passei a ter meia hora de conversa por dia com a assessoria de imprensa, para ver qual era o noticiário, mas eu não aceitava levantar de manhã, ligar a televisão e já ficar contaminado. Então eu acho que isso foi um dado muito importante.
 
Eu tinha uma equipe e criamos uma sala de situação, da qual participavam Dilma, Ciro (Gomes), Gilberto (Carvalho) e Márcio (Thomaz Bastos). E era muito engraçado: eu chegava ao Palácio e eles estavam todos nervosos. E eu estava tranquilo e falava: ‘Vocês estão vendo? Vocês leem jornal… Vocês estão nervosos por quê?’.
 
 
Vocês nasceram radicais…
 
 
– O PT era muito rígido, e foi essa rigidez que lhe permitiu chegar aonde chegou. Só que, quando um partido cresce muito, entra gente de todas as espécies. Ou seja, quando você define que vai criar um partido democrático e de massa, pode entrar no partido um cordeiro e pode entrar uma onça, mas o partido chega ao poder.
 
Então, a nossa chegada ao poder foi vista por eles não como uma alternância de poder benéfica à democracia, não como uma coisa normal: houve uma disputa, ganhou quem ganhou, leva quem ganhou, governa quem ganhou e fim de papo. Não é isso? Eles não viram assim. Quer dizer, eu era um indesejado que cheguei lá. Sabe aquele cara que é convidado para uma festa, e o anfitrião nem tinha convidado direito. Fala assim: ‘Se você quiser, passa lá’. E você passa e o cara fala: ‘Esse cara acreditou?’. Então, nós passamos na festa, e o que é mais grave, acertamos.
 
E depois, tentaram usar o episódio do ‘mensalão’ para acabar com o PT e, obviamente, acabar com o meu governo. Na época, tinha gente que dizia: “O PT morreu, o PT acabou”. Passaram-se seis anos e quem acabou foram eles. O DEM nem sei se existe mais. O PSDB está tentando ressuscitar o jovem Fernando Henrique Cardoso porque não criou lideranças, não promoveu lideranças. Isso deve aumentar a bronca que eles têm da gente – que, aliás, não é recíproca.
 
 
– O senhor não tem raiva da oposição?
 
 
– Eu não tenho raiva deles e não guardo mágoas. O que eu guardo é o seguinte: eles nunca ganharam tanto dinheiro na vida como ganharam no meu governo. Nem as emissoras de televisão, que estavam quase todas quebradas; os jornais, quase todos quebrados quando assumi o governo. As empresas e os bancos também nunca ganharam tanto, mas os trabalhadores também ganharam. Agora, obviamente que eu tenho clareza que o trabalhador só pode ganhar se a empresa for bem. Eu não conheço, na história da humanidade, um momento em que a empresa vai mal e que os trabalhadores conseguem conquistar alguma coisa a não ser o desemprego.
 
 
– O Brasil mudou nesses dez anos. E o senhor, também mudou?
 
 
– Uma das coisas boas da velhice é você tirar proveito do que a vida te ensina, em vez de ficar lamentando que está velho. A vida me ensinou muito. Criar um partido nas condições que nos criamos foi muito difícil. Agora que o partido é grande, tudo fica fácil, mas eu viajava esse país para fazer assembleia com três pessoas, com quatro pessoas, com cinco pessoas. Saia daqui de São Paulo para o Acre pra fazer reunião com dez pessoas, para convencer o Chico Mendes a entrar no PT, para convencer o João Maia – aquele que recebeu dinheiro para votar na eleição do Fernando Henrique Cardoso e era advogado da Contag – para entrar no PT. Era muito difícil fazer caravana, viajar ao Nordeste, pegar ônibus, ficar uma semana andando, fazendo comício ao meio-dia, com um sol desgraçado, explicando o que era o PT para que as pessoas quisessem se filiar.
 
 
– Por quê?
 
 
– A eleição está ficando uma coisa muito complicada pro Brasil. No mundo inteiro. No Brasil, se o PT não reagir a isso, poucos partidos estarão dispostos a reagir. Então o PT precisa reagir e tentar colocar em discussão a reforma política. Eu tentei, quando presidente, falar de uma Constituinte exclusiva, que é o caminho: eleger pessoas que só vão fazer a reforma política, que vão lá (para o Congresso), mudam o jogo e depois vão embora. E daí se convocam eleições para o Congresso. O que não dá é pra continuar assim.
 
Às vezes tenho a impressão que partido político é um negócio, quando, na verdade, deveria ser um item extremamente importante para a sociedade.
A sociedade tem que acreditar no partido, tem que participar dos partidos.
 
 
– O PT não mudou necessariamente para melhor?
 
 
– O PT mudou porque aprendeu a convivência democrática da diversidade; mas, em muitos momentos, o PT cometeu os mesmos desvios que criticava como coisas totalmente equivocadas nos outros partidos políticos. E esse é o jogo eleitoral que está colocado: se o político não tiver dinheiro, não pode ser candidato, não tem como se eleger. Se não tiver dinheiro para pagar a televisão, ele não faz uma campanha.
 
Enquanto você é pequeno, ninguém questiona isso. Você começa a ser questionado quando vira alternativa de poder. Então, o PT precisa saber disso.
O PT, quanto mais forte ele for, mais sério ele tem que ser. Eu não quero ter nenhum preconceito contra ninguém, mas eu acho que o PT precisa voltar
a acreditar em valores que a gente acreditava e que foram banalizados por conta da disputa eleitoral. É o tipo de legado que a gente tem que deixar
para nossos filhos, nossos netos. E provar que é possível fazer política com seriedade. Você pode fazer o jogo político, pode fazer aliança política, pode fazer coalizão política, mas não precisa estabelecer uma relação promíscua para fazer política. O PT precisa voltar urgentemente a ter isso como uma tarefa dele e como exercício pratico da democracia. Não tem de voltar a ser sectário como era no começo.
 
Eu lembro que companheiros meus perderam seu emprego numa metalúrgica, montaram um bar, mas quiseram entrar no sindicato e não puderam. “Você não pode entrar porque é patrão”, diziam. O coitado do cara tinha só um bar! A coitada da minha sogra, a mãe do marido da Marisa, a mãe do primeiro marido da Marisa (eu sou o único cara que tive três sogras na vida e uma que não era minha sogra; era sogra da minha mulher, por conta do ex-marido dela, que eu adotei como sogra), a coitada tinha um fusquinha 1966 que era herança do marido. E ela ganhava acho que R$ 600 – naquele tempo era como se fosse um salário mínimo de hoje – de aposentadoria, mas gostava de andar bem-vestida. Ela chegava a reunião do PT e o pessoal falava: ‘Já veio a burguesa do Lula’.
 
Tinha um candidato a vereador que queria dinheiro para a campanha e eu falei: “Olha, eu não vou pedir dinheiro para a campanha. Se você quiser, eu te apresento algumas pessoas”. Dai ele disse: “Não, mas eu não quero conversar com empresário”. Falei: “Então você quer que um favelado dê dinheiro para a tua campanha?”. Eu já fiz campanha de cofrinho. Eu já fiz campanha de macacão em palanque. Na campanha de 1982, a gente ia ao palanque, antes que eu falasse, fazia propaganda das camisas, dos botons, de tudo que a gente vendia. E a gente vendia na hora e arrecadava o dinheiro para pagar as despesas daquele comício”.

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