sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Boletim diário de conjuntura


 
Serra tem seu nome diretamente envolvido no caso SiemensReportagem do jornal Folha de São Paulo de hoje revela um e-mail de autoria de um executivo da Siemens, endereçado a seus superiores, que envolve diretamente o nome do ex-governador e possível candidato presidencial José Serra nas negociações que culminaram na formação de cartel para as licitações do Metrô paulistano. O e-mail, que faz parte da documentação recolhida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para investigar a formação de cartel nas licitações do Metrô de SP, indica que José Serra teria sugerido à Siemens, em 2008, que entrasse em acordo com sua concorrente (a espanhola CAF) para evitar batalhas judiciais que travassem a licitação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Os nomes de Serra e do então secretário dos Transportes, José Luiz Portella, são citados diretamente, o que evidencia que o governo estadual acompanhou de maneira próxima as negociações entre a Siemens e suas concorrentes.
Comentário: Independente do desfecho das investigações, o fato político criado pelas denúncias de corrupção e formação de cartel no Metrô de São Paulo não podem mais ser ignoradas, depois de abordadas pelos principais jornais do país, incluindo ai o Jornal Nacional. Diante da dificuldade de aprovação de uma CPI para investigar o caso no âmbito do Legislativo Paulista (dada a ampla maioria do governador Alckmin na Casa), o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) tomou a iniciativa de apresentar um pedido de abertura de CPI no Congresso Nacional para investigar o “Caso Siemens”, que já ficou conhecido como o “propinoduto paulista”, dadas as evidências de desvio de mais de R$ 500 milhões dos cofres públicos em São Paulo.
Indicadores de inflação de Agosto mostram desaceleração na primeira prévia do mês: O IPC-S e o IGP-M da primeira semana do mês de agosto mantiveram a trajetória de desaceleração já verificada no mês de julho. O IPC-S apresentou deflação de 0,02% na primeira semana de agosto (contra alta de 0,17% na última semana de julho), enquanto o IGP-M desacelerou para 0,13% (contra alta de 0,26% no mesmo período de julho). O grupo alimentação foi o que mais contribui para a desaceleração dos dois índices: no caso do IPC-S, a queda registrada foi de 0,49%; já no caso do IGP-M, o IPA Agropecuário registrou deflação de 0,51%.
Comentário: Os primeiros indicadores de agosto corroboram nossa impressão de que este mês será ainda de baixa inflação, mesmo que já apareçam alguns efeitos da desvalorização cambial nas últimas semanas do mês. Com o IPCA de julho fechando próximo a estabilidade (0,03%), é possível que agosto apresente uma taxa um pouco mais elevada, entretanto sem alterar a tendência da queda da inflação acumulada em doze meses para um patamar mais próximo dos 6%. Diante do arrefecimento da pauta inflacionária, resta saber agora como se comportará a atividade no segundo e terceiro semestres do ano, dado que o alvo dos analistas de mercado mais pessimistas se voltou novamente para apostas em uma baixa atividade econômica aliada a um hipotético cenário de desemprego crescente. Caso tal cenário não se confirme, 2013 pode se mostrar um ano muito mais positivo no campo econômico do que o imaginado há alguns meses atrás, quando a discussão de uma eventual “estaginflação” dominava o debate.
Europa apresenta novos sinais de recuperação econômica:Uma série de indicadores de diversos países Europeus apontam alguns sinais de recuperação na saúde econômica do continente. O desemprego em Portugal apresentou queda pela primeira vez em dois anos (de 17,7% no primeiro trimestre para 16,4% no segundo), enquanto o déficit comercial da França registrou redução de mais de 30%. O principal motor da recuperação, no entanto, permanece sendo a Alemanha, que apresentou um crescimento de 2,4% na produção industrial em junho, muito acima dos 0,3% esperados pelos analistas econômicos.
Comentário: Os sinais de recuperação da atividade econômica em alguns países da zona do euro ainda contrastam com a profunda crise social vivenciada no continente. O que se pode dizer, no limite, é que aparentemente a deterioração do tecido econômico parou de avançar, dando sinais pontuais de recomposição lenta e gradual da atividade em alguns países. O problema mais grave é que tal recuperação ainda está concentrada muito na economia alemã, o que apenas reforça os desequilíbrios regionais e acirra as dificuldades de recuperação do bloco econômico como um todo. No caso europeu, o crescimento da Alemanha é fundamental para puxar o crescimento dos demais países, desde que a Alemanha aceite se tornar uma consumidora privilegiada dos produtos produzidos por seus colegas europeus.
Análise: Guilherme Mello, Economista
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