quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Fracasso fiscal nos EUA obriga a trabalhar para um mundo des-Americanizado

13/10/2013, Liu Chang, Xinhuanet, China


PEQUIM (Xinhua) – Com deputados e senadores norte-americanos dos dois partidos ainda às tontas de um lado para outro entre a Casa Branca e o Capitólio, sem chegar a acordo viável que devolva a normalidade ao corpo político que tanto louvam, parece ser boa hora para que o mundo, desentendido, comece a considerar a construção de um mundo des-Americanizado.

Ao emergir do mar de sangue que foi a 2ª Guerra Mundial como nação mais poderosa do mundo, os EUA, desde então, tentam construir um império global, impondo uma ordem pós-guerra, alimentando a recuperação na Europa e estimulando a mudança de regime em nações que os EUA vejam como pouco amigas de Washington.

Com sua aparentemente invencível força econômica e militar, os EUA declararam que têm interesse nacional vital de proteger, em quase todos os cantos do globo, e habituaram-se a imiscuírem-se nos negócios de outros países e regiões distantes de suas praias.

Ao mesmo tempo, o governo dos EUA muito se tem esforçado para mostrar-se ao mundo como nação que se regeria por altos princípios morais, apesar de, clandestinamente, atrever-se a torturar prisioneiros de guerra, massacrar civis em ataques de drones e espionar líderes mundiais.

Sob o que se conhece como uma Pax-Americana, não se vê mundo no qual os EUA ajudem a diminuir a violência e os conflitos, a reduzir as populações de pobres e deslocados, e a criar paz verdadeira e duradoura.



Sobretudo, em vez de honrar seus deveres como potência liderante responsável, uma Washington interessada só em si mesma abusa de seu status de superpotência e gera caos ainda mais profundo no planeta, disseminando riscos financeiros para todo o mundo, instigando tensões regionais e disputas territoriais, e guerreando guerras ilegítimas, sob a manto de deslavadas mentiras.

Resultado disso, o mundo ainda se debate para safar-se de um desastre econômico gerado pela voracidade das elites de Wall Street, enquanto os bombardeios e as matanças já se tornaram rotina virtualmente diária no Iraque, anos depois de Washington ter declarado que teria libertado o país de um governo tirânico.

Mais recentemente, a estagnação cíclica em Washington, que não consegue construir solução bipartidária viável em torno de um orçamento, nem consegue aprovar um aumento no teto de suas dívidas, põe outra vez sob ameaça os gigantescos investimentos em dólar de muitas nações e em agonia, a comunidade internacional.

Esses dias alarmantes, quando o destino de outros jazem nas mãos de uma nação hipócrita têm de terminar. E uma nova ordem mundial deve ser criada, segundo a qual todas as nações, grandes ou pequenas, pobres ou ricas, passem a ter respeitados os seus interesses chaves, respeitadas e protegidas em pés de igualdade.

Para tanto, é preciso que se fixem várias pedras angulares, sobre as quais se venha a apoiar um mundo des-Americanizado.

Para começar, todas as nações têm de respeitar os princípios básicos da lei internacional, incluído o respeito à soberania, sem se imiscuírem em assuntos domésticos de outros.

Além disso, a autoridade da ONU, para encaminhar soluções nos hotspots globais, tem de ser reconhecida. Significa que ninguém tem direito de empreender qualquer modalidade de ação militar contra outros, sem mandado da ONU.

E o sistema financeiro mundial também tem de passar por reformas substanciais.

As economias de mercado em desenvolvimento e emergentes têm de ter voz mais ativa nas principais instituições financeiras internacionais, inclusive no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional, para que essas instituições possam melhor refletir as transformações pelas quais passa a paisagem econômica e política global.

E também se deve incluir, como item chave de uma efetiva reforma, a criação de uma nova moeda internacional de reserva, a ser criada para substituir o dólar norte-americano hoje dominante, para que a comunidade internacional possa viver permanentemente preservada dos respingos desse sempre crescente tumulto político doméstico nos EUA.

Evidentemente, o objetivo dessas mudanças não é alijar completamente os EUA, o que é impossível. Em vez disso, trata-se de encorajar Washington para que desempenhe papel mais construtivo, nos assuntos globais.

Dentre várias opções, bom será que os políticos norte-americanos comecem por encontrar saída que ponha fim ao pernicioso impasse atual.
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