domingo, 17 de abril de 2011

BELO MONTE: UM DEGRAU PARA O SALTO DO BRASIL RUMO AO FUTURO (*)

Quando do fechamento das eclusas da barragem de Itaipu, uma área de 1500 km2 de florestas e terras agriculturáveis foi inundada. A cachoeira de Sete Quedas, uma das mais fascinantes formações naturais do planeta, desapareceu. Semanas antes do preenchimento do reservatório, foi realizada uma operação de salvamento dos animais selvagens, denominada Mymba Kuera (que em tupi-guarani quer dizer “pega-bicho”). Equipes de voluntários conseguiram capturar mais de 2 mil  bichos, entre macacos, lagartos, porcos-espinhos, roedores, aranhas, tartarugas e diversas espécies. Esses animais foram levados para as regiões vizinhas protegidas da água.[7] (Fonte e foto: Wikipedia 
                                                
A construção da usina de Belo Monte  no Pará já foi decidida e está em andamento ou seja, trata-se de decisão irrevogável. Pouco tem sido divulgado sobre os fundamentos que levaram o governo federal a levar adiante este gigantesco empreendimento que se constitui na terceira maior hidrelétrica do mundo. Claro está que a decisão que  vai de encontro a ponderáveis opiniões contrárias à construção da usina, devia ter fortíssimas razões para ser levada adiante, independentemente da contrariedade de tanta gente qualificada, inclusive ponderadas vozes de outros países.

Então, cabe ao governo, para não dar conotação de arbitrariedade,  esclarecer para a nação que a construção da usina de Belo Monte  que a decisão favorável à sua construção está embasada em motivação que foi devidamente sopesada, em motivação que foi cuidadosamente analisada e em consonância com os superiores interesses do povo brasileiro.  Um argumento decisivo que se poderia apresentar é o de que esta usina dá a certeza de que a próxima geração de brasileiros estará  suprida de energia limpa, ambientalmente sadia, logisticamente airosa e estrategicamente oportuna. O recente desastre da usina nuclear de Fukujima  no Japão proporciona motivo para se dizer que esta usina do rio Xingu dá fôlego ao Brasil para adiar sine die  o recurso às adicionais usinas nucleares, embora , com certeza,  a tecnologia nuclear não possa ser de todo descartável para os brasileiros no futuro.  Mas as usinas de  Belo Monte, assim como as de Sto. Antonio e Jirau ( estas duas últimas em Rondônia, no rio Madeira,  dispensam qualquer pressa do Brasil em incrementar sua matriz energética  com usinas nucleares nestas próximas duas ou três décadas.

Um fato importante a minimizar o impacto ambiental da usina de Belo Monte é a área do espelho d´água da bacia de acumulação da usina que é tão somente de pouco mais de 500km2, ou seja, pouco mais que o dobro da área da cidade do Recife.  Considerando-se a  imensidão da bacia amazônica, a área do lago de Belo Monte é tão somente um ponto no curso do rio Xingu. A tecnologia que minimiza o volume d´água acumulado pela barragem é devido as turbinas Francis que podem ser de eixo horizontal e eixo vertical.. As de eixo horizontal aproveitam a vazão da água do rio.  As de eixo vertical são acionadas com a queda d´água proporcionada pela barragem ou pelo desnível no curso do rio ( como as cachoeiras ), ou por ambos os fatores. O projeto de Belo Monte, evidentemente, privilegiou a minimização do lago da barragem de tal forma a evitar, por exemplo , o deslocamento de populações na área do reservatório onde se encontra população indígena.

As três grandes usinas hidrelétricas ora em construção na Amazônia  ( Jirau,. Sto. Antonio e Belo Monte ) marcam também  a nova era de exploração, em grande escala,  do potencial energético da bacia hidrográfica amazônica iniciada com a usina de Tucuruí, também no Pará. As mais avançadas tecnologias de transmissão de energia em extra-alta-tensão permitem que usinas deslocadas dos grandes centros consumidores como Itaipu e as usinas da bacia amazônica possam ter a energia gerada consumida  a longa distância. Um fato também a permitir estes avanços da matriz energética brasileira é a possibilidade da operação do sistema de transmissão de forma integrada, tendo por cérebro um centro
nacional de operação do sistema. 

Todas estas considerações, facilmente inteligíveis por leigos, nos permite afirmar que o Brasil está se preparando para o grande salto no futuro, no qual deverá figurar como uma nação plenamente desenvolvida.  Falta tão somente clarividência para rompermos com nossos preconceitos, maturarmos politicamente e superarmos o obscurantismo medieval da nossa herança colonial.

Didymo Borges

(*) Para acesso ao intero teor do post, inclusive ao elucidativo artigo do eng. Cássio Borges sobre a usina de Belo Monte  CLIQUE AQUI            ou visite o blog InfoBRASIL, a realidade nua e crua, doa em quem doer ( http://www.infobrasil.spaceblog.com.br/ ).

(*) Texto bambém publicado na seção de Economia do  Jornal do Brasil Wiki -  JBWiki,  (http://www.brasilwiki.com.br/).
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