segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Síntese da MIDIA IMPRESSA


Serra/ataques – Folha destaca na capa que “Serra rebate Lula e diz que PT mente o tempo inteiro”. Jornal reporta que candidato do PSDB à prefeitura, José Serra, rebateu ontem as declarações do ex-presidente Lula, que na noite de sábado comparou o tucano aos ex-presidentes Fernando Collor e Jânio Quadros, que não cumpriram seus mandatos até o fim. “É a estratégia petista típica. Eles jogam baixo, muito baixo”, disse o tucano após uma reunião com universitários na zona oeste de SP. Lembra que anteontem, em comício do candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, Lula havia dito que Serra "precisa criar vergonha e cumprir mandato até o fim". [Folha destaca na capa que, “Longe do'novo' Lula defende o 'velho' no ABC. Matéria pretende mostrar contradição entre o novo – Haddad – e o candidato local, de continuidade]. Estado, na capa, destaca que “Serra diz que petistas 'vão para a cadeia'”. Segundo o Estado, o tucano reagiu aos discursos do ex-presidente e de Dilma no comício de Haddad e mostrou que não pretende abdicar do “discurso ético” na última semana da campanha. Estado afirma que coordenadores do comitê serrista dizem que é preciso manter a mesma linha de propaganda e não deixar o mensalão sair da pauta. Globo e Valor, internamente, registram esses ataques. Aref/mensalão mineiro – Jornal diz ainda que a campanha do PT pode levar ao ar na TV escândalos como o mensalão mineiro e a investigação por suspeita de enriquecimento ilícito de Hussain Aref Saab, ex-diretor de Aprovações de construções imobiliárias nomeado por Serra na Secretaria municipal de Habitação. Lembra que, antes da votação em 2.º turno, no domingo, Serra e Haddad terão novos confrontos diretos nos debates do SBT e da TV Globo. BE, na capa, em “A esperança de Serra”, reporta que tucanos dizem que as pesquisas de opinião estão erradas e apostam tudo nos últimos dias de campanha. Folha, internamente, noticia que “Ministra [Gleisi Hoffmann] diz que Congresso tem que discutir pesquisas”. Folha, internamente, destaca que “Números de Haddad e Serra na educação básica são parecidos”. Mônica Bergamo, em nota “Serra presidente”, informa que PSDB quer fazer do candidato tucano presidente do partido caso seja derrotado em SP. Valor, internamente, noticia que “Lula adverte que é cedo para discutir cargos” em eventual governo Haddad.

Mensalão/ “Quadrilha” – Globo chama na capa que “STF julga cúpula do PT por quadrilha”. Lembra que o STF retoma hoje o julgamento do ex-ministro José Dirceu, do ex-presidente do PT José Genoino, do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e de outros 10 réus por formação de quadrilha, crime que mais tem provocado divergências entre os ministros. Folha, internamente. SMP&B/ “depoimento” – Correio e Estado de Minas trazem depoimento do publicitário da SMP&B, condenado no processo do mensalão, Cristiano Paz: “Eu não soube enxergar os riscos”. “Nunca troquei uma palavra com José Dirceu ou qualquer integrante da cúpula do Governo Federal. Estive com o ministro apenas duas vezes, na última fila de cadeiras, em reuniões que tinham a presença de quinze a vinte pessoas, em seu gabinete. Tenho certeza de que José Dirceu não seria capaz de se lembrar do meu rosto. Não dirigiu a mim, sequer um olhar”. Contribuição previdenciária/discussão – BE chama na capa que “Contribuição dos inativos volta a ser questionada”. Reporta que lideranças sindicais ligadas ao funcionalismo público têm discutido a legitimidade da Emenda Constitucional 41/03, que instituiu pagamento da contribuição previdenciária para servidores aposentados, argumentando que a aprovação da norma se baseou na compra de votos, o que estaria patente no julgamento do mensalão.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ISTO É CULTURA da Direita Brasileira

Pequei esta mensagem que recebi do Raul Longo para exemplificar, de forma simples, a diferença entre esquerda e direita, socialismo e capitalismo.



ISTO É CULTURA
da Direita Brasileira

À esquerda do vídeo de seu monitor você está vendo um dos mais significativos patrimônios culturais de Treze Tílias, uma cidade do oeste catarinense fundada e colonizada por austríacos. As pessoas que você está vendo à frente deste patrimônio cultural e arquitetônico no centro de Treze Tílias são cidadãos daquele município, historiadores, professores e alunos, universitários, alguns sacerdotes... Enfim, gente interessada em preservar memória de Treze Tílias que ali se reuniram para um abraço simbólico ao maior e mais antigo monumento à história daquele povo.

À direita do vídeo de seu monitor você está vendo o apreço pela cultura do PPS, partido de Romeu Luiz Rabuski, prefeito de Treze Tílias e de seu aliado político Raimundo Colombo, governador de Santa Catarina pelo PSD. Ambos: PPS e PSD são aliados do PSDB.

Agora, observe que mágica interessante:
                         PPS = Partido POPULAR SOCIALISTA (O que tem de popular e socialista?)
                               PSD = Partido Social Democrático (ex-DEM, ex-PFL, ex-ARENA da ditadura militar. O que é que tem de Social e Democrático?)                            
                                PSDB = Partido da Social Democracia Brasileira (é preciso perguntar mais alguma coisa?)

Pegou o truque? Ainda não? Então preste atenção e observe as emissoras de TV, as grandes revistas e jornais que apoiam esses três partidos e veja como sempre falam mal do Socialismo e dos governos Socialistas em todo o mundo.

Entendeu agora? Se não entendeu volte a olhar as fotos: à esquerda a defesa da cultura de Treze Tílias, à direita a cultura do PPS, PSD, PSDB, enfim... 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

PT e PSB ampliam bancada de vereadores



16/10/2012 - 06h30

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FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE 


PT e PSB foram os principais vencedores das eleições para vereador pelo país. Os dois partidos foram os únicos grandes que conseguiram ampliar suas bancadas na soma de todos os Estados.

Prejudicados pela criação do PSD, que não existia em 2008 e agora elegeu 8% dos vereadores, outras grandes legendas tiveram redução expressiva no número de eleitos. O PMDB perdeu vagas, mas continua como o mais presente nas Câmaras Municipais.

O PT passou de quinto, em 2008, para terceiro --elegeu quase mil políticos a mais.

O crescimento do PSB está vinculado à força emergente de governadores do partido, como Eduardo Campos (PE) e Wilson Martins (PI). A sigla liderou em número de vereadores nesses dois Estados.

A maior queda foi do DEM, que havia sofrido êxodo de integrantes para o PSD antes da eleição. Em comparação com 2008, o partido caiu 32%.

O PSDB perdeu centenas de vagas, mas continua o segundo mais presente.

O número total de vagas no país cresceu em mais de 5.000 em relação a 2008. Após a divulgação do Censo 2010 do IBGE, algumas Câmaras conseguiram aprovar a ampliação sob o argumento de que a população local aumentou.

A professora de ciência política Maria Izabel Noll, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vê relação entre o desempenho de PT e PSB e a expansão que ocorreu na eleição de 2010 das bancadas desses partidos no Congresso.

Para o primeiro secretário do PSB, Carlos Siqueira, a votação do partido também é consequência de 2010, quando a sigla passou de três para seis governos estaduais.
O presidente nacional do DEM, Agripino Maia, diz que o desempenho de sua sigla foi satisfatório. Para ele, não é possível comparar agora com 2008 por causa do PSD, fundado por dissidência do DEM.


Síntese da MIDIA IMPRESSA


Mensalão/Duda absolvido – Folha e Estado manchetam absolvição pelo STF do publicitário Duda Mendonça e de sua sócia Zilmar Fernandes dos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no caso do mensalão. Folha, em “Marqueteiro de Lula é absolvido pelo Supremo”, diz que a maioria dos ministros do Supremo seguiu o entendimento do revisor Ricardo Lewandowski, segundo o qual o pagamento ao marqueteiro foi legítimo e não ficou provado que ele sabia da origem ilícita do dinheiro. Barbosa/derrota – Estado, em “STF absolve Duda Mendonça e sua sócia no caso mensalão”, registra que o relator do processo, Joaquim Barbosa, votou pela condenação, mas foi derrotado pela tese do revisor, Ricardo Lewandowski, que votou pela absolvição e foi seguido por mais cinco ministros. Globo destaca na capa que “Duda Mendonça é absolvido e relator sofre maior derrota”. Correio, na capa, “Marqueteiros de Lula são absolvidos”. Maia/PT cresceu – Em entrevista ao Brasil Econômico, o presidente da Câmara, Marco Maia, diz, sobre a condenação do ex-ministro José Dirceu no processo, que “não há nenhuma prova nos autos e nenhuma afirmação contundente dos depoentes que envolva o ex-ministro na distribuição dos recursos que foram aferidos pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares”. Lamenta a condenação de ex-presidente do PT, José Genoíno e destaca que o PT cresceu principalmente nas cidades médias e pequenas, onde o eleitor está preocupado com questões municipais. Avalia que o saldo final foi positivo para o partido. Folha noticia internamente que “PT prepara manifesto sobre o mensalão”.
Economia/reação – Valor destaca na capa que “Reação da economia revigora balanços”. Informa que a expectativa para os resultados de julho a setembro é mais otimista. A perspectiva é que os setores voltados ao mercado interno sejam os primeiros a captar a retomada. "As varejistas de alimentos devem continuar a se destacar, acompanhando o baixo nível de desemprego e a renda em patamares elevados", diz Sandra Peres, analista da Coinvalores. Segundo o jornal, o setor de educação, que contrariando a tendência apresentou bons números no segundo trimestre, deve seguir forte. Além da retomada da economia interna, os incentivos do governo e a estabilidade do câmbio estão por trás do otimismo, ainda que a maior parte da recuperação deva aparecer mais no fim do ano. Tombini x Bernanke – BE dá como manchete que “Tombini rebate Bernanke e ataca política de incentivos americana”. Informa que o presidente do BC brasileiro discorda da opinião do presidente do Fed, sobre as medidas das economias avançadas não contaminarem os países emergentes e apoia diagnóstico do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que o excesso de liquidez nos EUA valoriza o real e prejudica o combate à inflação. Folha destaca internamente que “Agora é a hora de investir no Brasil, diz Sulzberger, [publisher] do NYT”. Editorial do Estado, “Qual reforma tributária”.
Serra/planos de Kassab – Estado destaca no alto que “Plano de Serra defende uso de programas da gestão Kassab”. Informa que o candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, José Serra, lançou ontem um plano de governo que defende o legado que será deixado pela gestão de Gilberto Kassab (PSD), propõe a continuidade de projetos em andamento e apresenta programas de atenção voltados para crianças e idosos. Jornal afirma que o material foi elaborado com o auxílio de funcionários de alto escalão da Prefeitura, com o objetivo de adequar as propostas ao orçamento municipal. Folha, em foto-legenda “Favela chic”, diz que empresa dona de centro comercial compra e destrói casas irregulares ao lado do shopping Cidade Jardim, trabalho que caberia à Prefeitura. Tucano/ “kit”/contradição – Folha, na capa, destaca que, “Hoje crítico do 'kit gay', Serra enviou a escolas cartilha similar”. Informa que o tucano distribuiu a escolas estaduais em 2009, quando era governador, uma cartilha anti-homofobia com conteúdo semelhante ao chamado "kit gay" —que Serra hoje critica— feito pelo MEC, na gestão de Fernando Haddad. Registra resposta de Serra, que sua cartilha é "diferente" e "dirigida a professores". Matéria da Folha compara as duas cartilhas. Painel da Folha diz que exploração eleitoral do assunto pela campanha de Serra delegará ataques a apoiadores evangélicos. Toda Mídia, na Folha, destaca que Serra lidera com folga em propaganda negativa (666 x 337 de Haddad, no 1º turno). Vladimir Safatle escreve na Folha “Novos reféns”, sobre homossexuais na política. Dilma/Haddad/comício remarcado – Também na capa, Folha destaca que “Final de ‘Avenida Brasil’ faz Haddad adiar comício com Dilma em SP”. Reporta que a presidenta Dilma teria sido convencida pela coordenação da campanha de Fernando Haddad a mudar a data do comício que fará com o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Diz que, de acordo com um integrante do comitê petista, o evento, previsto para a próxima sexta-feira, ocorreria no mesmo dia e horário do capítulo final da novela "Avenida Brasil", da TV Globo e que "não haveria ninguém" para ouvi-la. Informa que o comício foi remarcado para o sábado, no mesmo local.
Viracopos/45 horas fechado – Folha e Estado trazem destaques de capa com mesma formulação sobre fechamento de aeroporto em SP. Folha, em “Viracopos leva 45 horas para tirar avião com pneu estourado”, diz que o aeroporto em Campinas (SP) reabriu na tarde de ontem após ficar mais de 45 horas fechado desde sábado, quando cargueiro teve um pneu estourado ao pousar e ficou na única pista do aeroporto. Informa que cerca de 500 voos foram cancelados, afetando 25 mil passageiros. Relata também que, além disso, pane no sistema de check-in da TAM causou atrasos em 35% dos 613 voos domésticos da empresa no país. Estado, “Viracopos reabre depois de 46 horas”. Caos aéreo – Globo, em referência aos dois incidentes, retoma bordão e registra na capa que “Falhas prolongam o caos aéreo”. Correio acompanha-o, “Caos aéreo tumultua fim do feriadão”. Diz que, em Brasília, das 147 partidas, 27% ocorreram fora do horário e 7% foram cancelados. Folha traz na capa foto do avião tendo asa erguida. Globo informa internamente que “Anac abre processo para investigar demora”. Em outra retranca, informa que Procon-SP autua Trip e notifica Azul, TAM e Gol após atrasos.
Cotas/autodeclaração – Folha chama na capa que “Palavra do aluno definirá cor para preencher cotas nas federais”. Informa que a palavra do aluno sobre sua cor será o único critério das universidades federais para definir quem será beneficiado pela lei de cotas. A autodeclaração valerá já nos próximos vestibulares. Diz que o Ministério da Educação refutou a possibilidade de as instituições criarem comissões para confirmar a declaração dada pelo candidato, como hoje é feito na Universidade de Brasília. Cotistas/dupla chance – Correio dá como manchete que “Cotistas terão dupla chance no vestibular”. Afirma que estudantes de escolas públicas que não ingressarem em universidade federal pelas cotas sociais vão concorrer ainda às vagas do sistema universal, competindo com quem estudou em colégios particulares. Nivelamento – Globo, sobre o assunto, diz que “MEC quer cursos de nivelamento”. Reporta que o ministério prepara cursos de nivelamento para melhorar a formação de estudantes que ingressarem nas universidades federais pela Lei de Cotas, cujo decreto foi publicado ontem no Diário Oficial. Diz que os cursos não deverão estar prontos até o próximo vestibular, quando as cotas entram em vigor. Folha noticia internamente que “Debate sobre adoção de cotas raciais na USP emperra na Justiça”. Coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros na UnB, Nelson Inocencio, diz que “Cotas mostram ‘compromissoFolha, internamente, destaca entrevista com Demétrio Magnoli, sociólogo e professor da USP, e destaca no título pensamento dele que “Governo instala 'Estado racial'”. Editorial da Folha, “Cota de populismo”. Nizan Guanaes escreve na Folha, “A nova classe alta”, em que compara educação pública e privada.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Síntese da Mídia (golpista) sobre a AP 470

Mensalão/eleição – Globo e Estado trazem manchetes que vinculam condenação do chamado núcleo político do mensalão pelo STF ao 2º turno em SP. Globo, em “Após condenação, PT corre para conter dano eleitoral”, destaca que, “com aval de José Dirceu”, o PT decidiu ontem não reagir à condenação de seus dirigentes pelo STF para não atrapalhar o desempenho nas eleições. Reporta que tanto Dirceu quanto José Genoino, entretanto, foram aplaudidos na reunião do Diretório Nacional do partido. Registra que o presidente Ayres Britto disse que o mensalão foi um golpe na democracia. Estado traz que, “Condenado, Dirceu diz que prioridade é ganhar 2º turno”. Folha dá como segundo desaque de capa que “Dirceu pede que petistas reajam à mídia e à Justiça”, às quais acusaram de perseguição. No corpo da chamada, informa que “Dirceu disse que a prioridade agora é vencer a eleição no maior número possível de cidades e que foi o partido, e não ele, o principal condenado pelo STF”. Registra que Genoino demitiu-se de cargo de assessoria no Ministério da Defesa. Folha chama na capa opinião de Clóvis Rossi, que “Mídia no exterior desnudou a tese de conspiração golpista, esgrimida pelos hidrófobos do lulo-petismo”. “Projeto criminoso” – Folha, em outra chamada de capa, noticia que “Ministro [Celso de Mello] diz que mensalão é 'projeto criminoso de poder'”. No corpo da matéria, anota posicionamento final de Ayres Britto, que “chamou o esquema de tentativa de ‘golpe’”. Registra ainda que ministro Joaquim Barbosa será o novo presidente da corte. “Prisão imediata” – Globo, em “Prisão imediata entrará em pauta”, diz que o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, submeterá aos colegas o pedido do MP de condenação imediata dos réus após a definição das penas. Anota que Marco Aurélio já se posicionou contra, alegando "execução precoce". Especialistas ouvidos pelo Globo dizem que “possíveis detenções só ano que vem”. Barbosa/presidente – Barbosa é destacado em três capas pela escolha pelos pares para assumir a presidência do STF – Valor, “No topo”; Estado, “Agora ele á presidente” [com foto dele refestelado na sua poltrona no Tribunal]; Correio, ao lado de mostrá-lo ereto, togado, ao lado de dois quadrinhos que sumarizam a sua trajetória, “De engraxate a presidente do STF”. Editorial da Folha, “Vitória republicana”; do Globo, “O alcance da condenação de José Dirceu”; do Estado, “O alcance de uma sentença”. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

BRENO ALTMAN       
Há sete anos as forças conservadoras e seu partido midiático fizeram do chamado “mensalão” o centro da estratégia para enfrentar a liderança crescente do PT e do presidente Lula, de vitalidade reconfirmada em seguidas eleições, incluindo a do último domingo
Poucas vezes, no registro das decisões judiciais, assistiu-se a cenas tão nefastas como as do julgamento da ação penal 470, o chamado “mensalão”. A maioria dos ministros da corte suprema, ao contrário do que se passou em outros momentos de nossa história, dessa vez embarcou na violação constitucional sem estar sob a mira das armas. Simplesmente dobrou-se à ditadura da mídia.
 
 
A bem da verdade, alguns dos magistrados foram coerentes com sua trajetória. Atiraram-se avidamente à chance de criminalizar dirigentes de esquerda e prestar bons serviços aos setores que representam.
 
 
O voto de Gilmar Mendes, por exemplo, transbordava de revanchismo contra o Partido dos Trabalhadores. O ministro Marco Aurélio de Mello, o mesmo que já havia dito, em entrevista, que considerava o golpe de 1964 como um “mal necessário”, seguiu pelo mesmo caminho. Mandaram às favas a análise concreta das provas e testemunhos. Apegaram-se às declarações de Roberto Jefferson para fabricar discurso de rancor ideológico, ainda que disfarçado por filigranas jurídicas.
 
 
Outros juizes, porém, simplesmente abaixaram a cabeça, acovardados. Balbuciavam convicções sem fatos ou argumentos dignos. A ministra Carmen Lúcia não listou uma única evidência firme contra José Dirceu ou Genoíno, contentando-se com ilações que invertem o ônus da prova. Foi pelo mesmo caminho de Rosa Weber, sempre pontificando sobre a “elasticidade das provas” em julgamentos desse naipe.
 
 
O papel nobre e honroso de resistência à chacina judicial coube ao ministro Lewandovski, o único a se ater com rigor aos autos, esmiuçando tanto os elementos acusatórios quanto as contraposições da defesa. Teve a companhia claudicante de Dias Toffoli, sempre apresentado pela velha midia como “ex-advogado do PT”, sem que o mesmo tratamento fosse conferido a Mendes, notório aúlico tucano.
Assistimos a um julgamento político e de exceção. Um aleijão que fere os princípios constitucionais e contamina as instituições democráticas. O processo está sendo presidido por teorias que possam levar ao objetivo pré-concebido, em marcha batida na qual são atropeladas seculares garantias civis.
 
 
A existência da compra de votos dos parlamentares é reconhecida sem que haja qualquer prova factual ou testemunhal. A transferência de recursos financeiros entre partidos passa automaticamente a ser considerada corrupção passiva, mesmo que não haja ato de ofício ou compromisso ilícito, renegando a jurisprudência da corte e abrindo as portas para toda sorte de subjetivismo.
 
 
Quadros de partido e governo são condenados porque a função que exercem traz em seu bojo a responsabilidade penal por supostos atos de seus subordinados ou até por aqueles sobre os quais teriam ascendência não-funcional. Em nome dessa doutrina, denominada “domínio do fato”, a presunção de inocência é fuzilada. Cabe ao réu comprovar que não teria como desconhecer o fato eventualmente delituoso.
 
 
Essa coleção de barbaridades e ofensas à Constituição ontem levou à condenação, por corrupção ativa, de José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares. Dos três, apenas o ex-tesoureiro petista esteva vinculado a situações materiais, mas sem que houvesse qualquer elemento comprobatório de ação corruptora. Arrecadou e transferiu irregularmente fundos para os partidos, e desse procedimento é réu confesso, mas não houve registro fático que ele algo tivesse comprado que tivesse sido posto à venda pelos parlamentares denunciados.
 
 
Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conseguiu a emenda da reeleição, o deputado Ronivon Santiago, então no PFL do Acre, confessou ter recebido 200 mil reais para dar seu voto a favor dessa medida. Aqui temos valor, fato e prova mediante confissão – aliás, de um crime que o STF jamais se dispos a julgar. Nada disso, no entanto, apareceu na ação penal 470. Apenas ilações e conjecturas a partir de mecanismos anormais de financiamento partidário ou eleitoral.
 
 
Mas o caso de Dirceu e Genoíno é ainda pior. Não aparecem na cena de qualquer crime, delito ou contravenção. A suposta prova contra o ex-guerrilheiro do Araguaia é um contrato de empréstimo contabilizado e quitado, cujas verbas não constam das transações interpartidárias, como bem demonstrou o ministro Lewandovski. Foi condenado porque a ele se aplicou a lógica de exceção: se era presidente do PT, não tinha como ser inocente das denúncias formuladas.
 
 
A condenação do ex-chefe da Casa Civil, por sua vez, apresenta-se como a maior das brutalidades legais cometidas. Salvo acusações do condenado Roberto Jefferson, não há contra si qualquer testemunho ou evidência. Ao contrário: dezenas de depoimentos juramentados corroboram sua inocência, formando verdadeira contra-prova. Mas a maioria dos ministros sequer se deu ao trabalho de citá-los ou analisá-los.
 
Ambos, Dirceu e Genoíno, tiveram seus direitos degolados para que os interesses mobilizadores do processo se consumassem. Há sete anos as forças conservadoras e seu partido midiático fizeram do chamado “mensalão” o centro da estratégia para enfrentar a liderança crescente do PT e do presidente Lula, de vitalidade reconfirmada em seguidas eleições, incluindo a do último domingo. Condenar os dois dirigentes era marco imprescindível dessa escalada.
 
 
O STF, acossado pela midia corporativa, além de aviltado pelo reacionarismo e a covardia, prestou-se a um triste papel, escrevendo página de vergonha e arbítrio em sua história. De instituição responsável pela salvaguarda constitucional, abriu-se para ser o teatro onde se encena a reinvenção da direita. Quem viver, verá.
 
 
Breno Altman é diretor editorial do sítio Opera Mundi e da revista Samuel.

AO POVO BRASILEIRO

Publicado em 09-Out-2012
 
No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.


Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.


Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.


Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.


Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.


Na madrugada de 1º dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.


A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.


Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.


Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.


Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.


Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.

Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

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