terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Eleições na Grécia

 (1) O Programa do Syriza
 
Depois da noite de domingo, a Europa vai ter que contar com uma nova proposta política, eleita num Governo da zona euro. Aqui deixamos-lhe uma síntese, primeiro das linhas gerais do programa – e mais abaixo do seu programa económico, desenhado em cinco pilares.
 
Começamos pelo que diz respeito à Europa:
  • Reestruturar grande parte da dívida pública, de forma a que se torne sustentável, no contexto de uma “Conferência sobre a Dívida Europeia”.
  • Incluir uma “cláusula de crescimento” para o pagamento da parte remanescente da dívida grega, para garantir que será financiada com crescimento e “não com o orçamento”.
  • Incluir uma moratória para o serviço da dívida, para poupar fundos para estimular o crescimento.
  • Excluir os investimentos públicos das restrições do Pacto de Estabilidade e Crescimento da UE (as novas regras interpretativas só o permitem para países que respeitem défice de 3% do PIB).
  • Um “New Deal” de investimento público europeu financiado pelo Banco Europeu de Investimento (o plano Juncker já está no papel, mas o seu financiamento ainda não está acertado).
  • Exigência de compra direta de dívida europeia pelo BCE, o chamado “Quantitative Easing” (O BCE anunciou esta semana um plano neste sentido, mas deixou condicionada a aplicação à Grécia – não só porque tem coberto o limite colocado para o país – até junho -, mas também condicionando-o à existência de um programa de assistência. O atual na Grécia ainda não terminou e é quase certo que o país precisará de um outro, pelo menos de um cautelar).
E aqui, uma ideia global do que se propõe a fazer dentro de fronteiras:
  • Aumentar o investimento público “imediatamente” em, pelo menos, 4 mil milhões de euros.
  • “Gradualmente”, reverter “todas as injustiças do memorando de entendimento”.
  • “Gradualmente, recuperar os salários e pensões, para aumentar o consumo e a procura”.
  • Dar incentivos ao emprego às pequenas e médias empresas, dando subsídios ao custo da energia na indústria – em troca da criação de emprego e de uma cláusula ambiental.
(2)  As três prioridades do novo ministro das Finanças, o marxista Yanis Varoufakis Yanis Varoufakis será o ministro das Finanças da Grécia. O professor de Economia da Universidade de Atenas diz-se um "marxista errático". É um duro, mas garante não ter um "estilo conflituoso".
Yanis Varoufakis é um duro, mas garante não adotar um "estilo conflituoso" em Bruxelas.
 
Resolver a crise humanitária na Grécia, atacar a oligarquia grega e renegociar as políticas económicas com os parceiros europeus. Estas são as três prioridades do novo ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis. O professor de Economia na Universidade de Atenas e autor de “O Minotauro Global” é um duro mas garantiu recentemente – antes de se saber que seria o escolhido de Alexis Tsipras para as Finanças – que o Syriza não deve adotar um “estilo conflituoso” nas reuniões com Bruxelas ou com Berlim. Yanis Varoufakis, que se confessa um “marxista errático“, garante que “uma saída da Grécia da zona euro não é um cenário em cima da mesa“.
As agências noticiosas internacionais adiantam que Yanis Varoufakis será o próximo ministro das Finanças da Grécia. Em entrevista recente ao britânico Channel 4, o professor de Economia da Universidade de Atenas elegeu as três prioridades para um Governo liderado pelo Syriza.
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  • “Em primeiro, temos de lidar com a crise humanitária. É inconcebível que no ano de 2015 tenhamos pessoas que tinham empregos e casas e pequenos negócios e agora estejam a ir para a cama com fome à noite. É inaceitável que crianças estejam a fazer os trabalhos de casa à luz das velas, porque o fornecimento de eletricidade foi cortado porque o Estado, na sua sabedoria infinita, decidiu lançar um imposto sobre a riqueza cobrado através da fatura de eletricidade. Estas coisas custam muito pouco dinheiro e têm um efeito simbólico e moral muito importante”.
  • “A segunda coisa que precisamos de fazer neste país é reformá-lo. Reformá-lo profundamente. Reformá-lo de uma forma que ataque aquilo que chamo o pecado triangular que existe na Grécia. O pecado triangular na Grécia inclui as empresas fornecedoras de serviços que procuram alimentar-se de rendas estatais, os banqueiros e as empresas de media (comunicação social)”, controladas pela “oligarquia grega”. “Vamos destruir as bases sob a qual assenta a oligarquia que, década após década, suga a energia deste país“, promete Varoufakis.
  • “Em terceiro, renegociar com os parceiros europeus este contrato de empréstimo que tem sido prejudicial para toda a zona euro“. Varoufakis diz que, “assim que alguém do Syriza tiver o primeiro contacto com Bruxelas [agora, sabemos, será ele próprio, como ministro das Finanças] o que deverá fazer é falar a verdade sobre a insustentabilidade da dívida pública, sobre a enorme negação que marcou a forma como a Europa lidou com uma bancarrota no seu seio e com um problema relacionado com a arquitetura da zona euro”. E quais são as probabilidades de uma saída da Grécia da zona euro?”. “Zero“, respondeu Yanis Varoufakis, ao jornalista do Channel 4.
Yanis Varoufakis é um académico prolífico. Além de autor de múltiplos artigos académicos, publicou vários livros, com destaque para “O Minotauro Global: A América, as Verdadeiras Causas da Crise Financeira e o Futuro da Economia Mundial“. Tem também um blog pessoal onde discorre sobre “Pensamentos para um Mundo pós-2008″, o ano da crise financeira internacional. Está aqui o currículo integral de Yanis Varoufakis, o grego que se doutorou em Economia pela Universidade de Essex, no Reino Unido. Nas últimas semanas, como apoiante do Syriza, deu várias entrevistas aos jornais internacionais, incluindo esta, traduzida em castelhano, ao El Mundo, em que dizia que “se a Grécia não crescer, um Governo liderado pelo Syriza não pagará a dívida”. Em junho de 2013, em entrevista ao Jornal de Negócios, garantia que “não há quaisquer dúvidas de que a dívida é insustentável e que irá haver uma terceira reestruturação”.
  • Investir em conhecimento, investigação e nova tecnologia, com o objetivo de levar de volta para a Grécia os jovens investigadores que emigraram.
O plano económico do Syriza tem como base cinco pilares, que aqui resumimos também. Primeiro pilar: combater a crise humanitária.
Custo: 1,9 mil milhões de euros

  • Eletricidade grátis para 300 mil famílias a viver abaixo do limiar de pobreza;
  • Subsídios à alimentação para famílias sem rendimentos, em coordenação com as autoridades locais, a Igreja e organizações de solidariedade;
  •  Programa de garantia de habitação, pagando parte da renda de pequenas casas a 30 mil famílias;
  • Assistência de saúde e farmacêutica livre para desempregados sem subsídio;
  • Cartão especial para transportes públicos, entregue a desempregados de longa duração;
  • Revisão dos impostos dos combustíveis e para aquecimento em casa.
Segundo pilar: relançar a economia e promover a justiça fiscal
Custo: 6,5 mil milhões de euros; Receita esperada: 3 mil milhões

  • Parar os processos e arresto de contas bancárias a quem não tenha rendimentos, que ficarão suspensos por 12 meses;
  • Abolição do imposto único sobre propriedade;
  • Introdução de uma taxa sobre as grandes propriedades e casas de luxo;
  • Aumentar o número de escalões de IRS, para assegurar maior progressividade;
  • Reestruturação de empréstimos para empresas e indivíduos – para os que estiverem abaixo do limiar de pobreza e para as dívidas (ao Estado, Segurança Social e banca) que baixem os rendimentos abaixo dos 33%. O mecanismo de revisão contará o apoio de uma organização pública, que vai garantir os pagamentos em falta;
  • Recolocar o salário mínimo nos 751 euros;
Terceiro pilar: recuperar 300 mil empregos
Custo: 3 mil milhões de euros

  • Recuperar os direitos perdidos com o Memorando (legislação laboral);
  • Recuperar acordos coletivos;
  • Abolição de layoffs “massivos e injustificados”;
Quarto pilar: transformar o sistema político
Custo: zero.

  • Regionalização do Estado;
  • Maior autonomia aos municípios e regiões;
  • Iniciativa legislativa aos cidadãos – também para convocar referendos;
  • Restabelecimento da televisão pública;
Quinto pilar: encontrar receitas
  • Recuperação de pagamentos em atraso ao Estado;
  • Combate à evasão fiscal;
  • Usar os 11 mil milhões destinados à banca no Memorando para servir de “almofada social”;
  • Aproveitar os fundos europeus do último quadro ainda não aproveitados, mas também do próximo quadro comunitário;
  • Transferir propriedades públicas para fundos de pensões – para poder gradualmente aumentar as pensões cortadas nos últimos anos. As privatizações acabam.
Se quiser uma visão mais detalhada do programa do Syriza, pode consultar aqui uma resenha autorizada – em inglês

domingo, 11 de janeiro de 2015

Embuste ideológico














Essa é muito boa. Eu 'pesquei' no Twitter:

-"muçulmano" mata; culpam todo o Islã
-negro mata; culpam toda a raça
-branco cristão mata; era um lobo solitário e com doenças mentais

Obs: Na imagem, o extremista de direita norueguês Anders Breivik,
que matou 77 pessoas presentes a uma reunião do Partido Trabalhista local.
Ele nunca foi chamado de Terrorista pela Grande Mídia, mas de 'Atirador'.
6/1/2015, Dmitry Orlov, Club Orlov Tradução: Vila Vudu

“Alguns blogueiros têm hoje papel cada dia mais importante,

de ajudar a preencher os gigantescos vazios de informação que a

imprensa-grande-empresa insiste em manter como tal, quero dizer,

como vazios de informação sonegada.”

sábado, 27 de dezembro de 2014

AULA PARA UM FORMADOR DE OPINIÃO

Enviado por Raul Longo

Qual o(s) jornalista(s) que forma(m) sua opinião? Pois nesse natal você deveria ser bonzinho com ele(s). Não apenas para agradar o Papai Noel, mas porque, afinal, é quem forma a sua opinião e como todo mundo você deve dar muito valor a sua opinião formada.

Ah! Quem não dá! Afinal você não investe na assinatura do seu jornal, da sua revista, nem perde tempo na frente da TV à toa, não é mesmo? Você faz tudo isso para ter uma opinião formada sobre o mundo, o Brasil, a política, a economia, o que seja! Então... Quem é que forma a sua opinião?

Neste Natal seja bonzinho com o seu formador de opinião, pois ele gosta muito de você. Ou nunca viu como todo jornalista se orgulha de se dizer um formador de opinião.

William Bonner, por exemplo, tem tanto carinho por aqueles a quem forma opiniões que os chama de Homer Simpson. Gente maldosa entendeu que chamou de idiotas os de opinião formada pelo Jornal Nacional da TV Globo, mas o Bonner explicou que é só um jeito carinhoso de se referir aos que tem opinião formada pela Globo.

Além da Globo, quem mais forma a sua opinião? Neste natal escreva a todos aqueles que formam a sua opinião, mas seja bonzinho e não faça como o meu amigo Pacheco que por buscar as informações que a imprensa nacional não divulga, não permite que os jornalistas brasileiros formem sua opinião. Nem o William Bonner, nem ninguém!

Veja aí a carta que o mal criado do Pacheco escreveu, dando uma aula num desses formadores de opinião. Esse Pacheco! Vai ver que não acredita em Papai Noel... E você? Acredita em Papai Noel?

E no William Bonner, você acredita?

Leia a carta do Pacheco e a envie para seu formador de opinião favorito. Depois me escreva contando qual a opinião que lhe foi formada sobre a aula do Pacheco ao jornalista da Gazeta do Povo.























Envio a você e-mail que mandei para um articulista da Gazeta do Povo que como você sabe é o símbolo da direitaça aqui de Curitiba .
Abração 
Pacheco 


Enviado do meu iPad

Início da mensagem encaminhada

Prezado

Creio que você talvez pudesse começar seu bem elaborado artigo, como o fez, criticando nosso pibinho. Contudo, como estamos em ritmo de festas, você poderia ter compensado a crítica com aquele "mas", presente na mídia, sempre desejosa em querer criar um fato negativo quando a notícia é favorável ao governo, tipo:
   "menos pessoas passam fome no Brasil, mas...ainda 7 milhões padecem desse mal". Ou
   "a inflação vai fechar o ano dentro da meta, mas...em janeiro ela deve ultrapassar o teto ".

Assim, no teu artigo caberia:
    "...mas países europeus desenvolvidos apresentarão crescimento negativo"

Quanto à Petrobrás, não creio que o principal problema da empresa seja o "petrolão", embora ele não pare de crescer. Isso será episódico, embora a um grande custo.
O que nossa petroleira está sendo bombardeada em duas frentes: uma doméstica e outra internacional, ambas procurando desacreditá-la.

O aspecto doméstico está configurado no processo de vazamento seletivo de depoimentos prestados sob delação premiada. Sabe-se que alguns dias antes das eleições, um jornalista de prestígio na mídia dominante, noticiou que informações sigilosas foram fornecidas à Aécio Neves e à Álvaro Dias.

É também notória a campanha anti governo na mídia social, desenvolvida pelos delegados federais que atuam no processo Lava Jato. Já há mais tempo agentes federais praticavam exercício de tiro tendo Dilma como "mosca". Isso tudo sob as vistas do Ministro da Justiça (Zé, o lento) seu superior.

O juiz Moro, sempre tucano de carteirinha, vaza somente nomes de políticos da base de sustentação do governo. Já se disse, não sendo muito difícil comprovar, que a corrupção grassa (sem trocadilho) em vários níveis de governo e desde há muito tempo. Um dos advogados de empreiteiro declarou que:
    "no Brasil não se coloca um paralelepípedo numa rua, sem o pagamento do "por fora ".
Não exatamente nesses termos.

Mas Moro, muito parcimonioso, permite que apenas dois nomes da oposição sejam revelados: o do tucano Sérgio Guerra e o do "socialista" Edmundo Campos. Ambos já no além vejam só!

A esposa do juiz, advogada, presta consultoria ao governo tucano de Beto Richa e pertence a escritório que defende os interesses de subsidiária da Shell, concorrente da Petrobrás.

Quer dizer que, se no decorrer do processo o magistrado conseguir chegar isento até o fim, merecerá uma "estátua de bronze na praça onze".

Já a mídia, por demais interessada na privatização da estatal, começaria por incentivar a mudança do sistema de exploração, de partilha para concessão, esta o sonho dos tucanos e neoliberais desde os tempos da "Petrobrax".

No âmbito internacional a briga é também encarniçada.
Vejamos: o preço do petróleo, já bastante "despencado", ainda não chegou ao fundo do poço. Como o custo de produção da Arábia Saudita se situa em torno de US$5/barril, ainda há muito espaço. Devemos ter presente que os sauditas não pretendem abrir mão da hegemonia de maior produtor mundial. Com preços tão e cada vez mais baixos, os árabes matam cinco coelhos de uma só cajadada: Rússia, Venezuela, país com a maior reserva mundial, o arqui-inimigo Irã, Líbia e outros menos cotados.

E o quinto?

Oras, a nossa Petrobrás que tem um programa de maior investimento mundial em exploração petrolífera;  detém toda a tecnologia de exploração em águas profundas; e agora, com o potencial expressivo do pré-sal, que segundo os estudiosos, será ainda viável com o preço de US$35/barril, podendo se tornar um importante player no tabuleiro mundial da commoditie.

Com essa política, a Arábia Saudita determina que os EUA, seu grande aliado, adie sua exploração de xisto, que ficará estocado à espera de maior emergência e oportunidade. E Obama poderá sapatear sobre o caixão de Putin. A menos que o urso branco recorra à proteção da China, seu mais novo aliado desde o fim da União Soviética. Os dois países possuem um intercâmbio comercial de US$100 bilhões, com novo contrato para 30 anos para o gás russo que atinge US$400 bilhões. A China está numa confortável posição, em cima de uma reserva de US$3,89 trilhões.

Os chineses se preparam para assumir e manter a hegemonia econômica mundial. Começam por dar início à construção do Canal da Nicarágua, alternativa por demais interessante, para escapar da necessidade de utilizar o Canal do Panamá, de domínio americano. Os "amarelos", já em posição de destaque no intercâmbio cultural com diversos países, caminham celeremente para assumir o lugar de maior potência econômica mundial.

O programa chinês de ferrovias é qualquer coisa de impressionante. Com trens que desenvolvem velocidades inimagináveis, estão pretendendo espalhar a malha ferroviária pelos quatro cantos do mundo. Logo, logo o transporte ferroviário, levando e trazendo mercadorias de países longínquos do seu chão, estarão competindo com grande "handicap" com todos os países do mundo.

Então teremos uma nova geopolítica mundial.

Ah, os EUA continuarão com suas guerrinhas.

Enfim, só lamento ter tomado teu tempo com essa longa digressão comentando teu artigo.

Um grande e Feliz Natal para você e familiares.
Abç
Pacheco


Enviado do meu iPad

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Brasil e a Petrobrás

Adriano Benayon * - 15.12.2014

1. O Brasil vive batalha decisiva de sua História: a da sobrevivência da Petrobrás como empresa nacional. E isso com qualquer resultado, pois a eventual derrota poderá ser o marco, a partir do qual o povo brasileiro resolva partir para o basta e reverter o lastimável processo dos últimos 60 anos em que praticamente só acumula derrotas do ponto de vista estrutural.
2. Principalmente desse ponto de vista, porque, mercê da estrutura que se formou na Era Vargas, ainda foram colhidas - por muito tempo e até os dias de hoje - grandes vitórias em termos de desenvolvimento de tecnologia e capacidade produtiva no País.
3. O progresso estrutural do Brasil ocorreu, até 1954, não apenas em função de investimentos do Estado, mas também por ter este agido como promotor da indústria privada, tendo, antes daquele ano fatídico, surgido firmas nacionais de ótima qualidade, algumas das quais já se tinham tornado grandes. 
4. Essas foram as primeiras e grandes vítimas do modelo de dependência financeira e tecnológica adotado desde 1955 e no quinquênio de JK, quando o Estado, foi usado como promotor da desnacionalização da indústria, o que gradualmente levou à da dos demais setores da economia.
5. Os governos militares (1964-1984), embora se tenham submetido às regras e imposições do sistema financeiro mundial - criaram estatais importantes, como a EMBRAER, em 1969, possibilitada pela criação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em 1946, e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1950.
6. A EMBRAER foi uma das inúmeras grandes estatais criminosamente privatizadas pela avalanche de corrupção dos anos 90, que atingiu também a TELEBRÁS, fundada em 1972, a qual igualmente gerara excelentes resultados em produções realizadas com tecnologia nacional, e foi  totalmente esvaziada pelas concessões entreguistas  do sistema de telecomunicações.
7. Em 1990, Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto – de resto,  mediante incríveis manipulações, negadoras da essência da democracia – encaminhou a Lei de Desestatização, juntamente com denso pacote de legislação antibrasileira, formulado em Washington e meteoricamente aprovado pelo complacente Congresso.
8. Interessante que os governos militares – não só haviam mantido as estatais da Era Vargas - mas criaram várias outras. Entretanto, os indivíduos  ideologicamente amestrados atribuem comunismo ou esquerdismo aos que, em favor do desenvolvimento, reconhecem  a importância de empresas e de bancos estatais.
9.  Se não estivessem mentalmente controlados pelo sistema de poder mundial veriam que as estatais, além do que realizam diretamente, são fundamentais para viabilizar, ao abrir concorrências,  encomendas e financiamento a empresas privadas nacionais, que, com isso, geram empregos qualificados e elevam o padrão tecnológico do País.
10. Ademais, acabar com as estatais significa deixar à mercê dos carteis e grandes grupos privados o grande espaço estratégico – como é o caso da indústria do petróleo e derivados – inevitavelmente ocupado por empresas de grande porte, nos quais a dimensão inviabiliza a concorrência honesta entre empresas privadas.
11. Antes de explicar por que a corrupção não é inerente à natureza das estatais – ao contrário do que imaginam os impressionados pelos inegáveis escândalos de corrupção que têm assolado a Petrobrás – convém lembrar a incoerência dos que se escandalizam com a brutal concentração de renda, cada vez mais acentuada em todo o mundo, e propõem privatizações, cujo efeito tem sido tornar a concentração econômica ainda mais aguda e sociamente insuportável.
12. De fato, todos estão tendo acesso a informações de que, neste mundo de mais de seis bilhões de habitantes, pouco mais de cinquenta grupos financeiros controlam praticamente todas as transnacionais em atividade no Planeta. Fosse isso pouco, o analista da moda, Thomas Piketty, tem observado que  a concentração de riqueza tem sido grandemente subestimada,  mesmo nos países sedes da oligarquia financeira mundial.
13. E por que foi implantada a corrupção na Petrobrás? Porque a estrutura de poder político já se tornara dominada pelos interessados em desmoralizá-la e eventualmente privatizá-la e/ou liquidá-la. Amiúde, o primeiro passo dos agentes imperiais é minar e desmoralizar a administração estatal, para justificar a privatização.
14 De fato, a corrupção foi intensificada durante governos aqui instalados (Collor e FHC) com o projeto de tornar definitivo e irreversível o atraso do Brasil e sua submissão aos centros de poder mundial, na vil posição de fornecedor de recursos naturais, presidindo a abertura de buracos no lugar das estupendas reservas de minerais estratégicos e preciosos, sem que isso sequer impedisse o crescimento vertiginoso dos déficits de comércio exterior e do endividamento público.
15. A desnacionalização predadora não começou com os dois que foram os primeiros eleitos sob o novo regime pretensamente democrático.  Mas eles fizeram profundas reformas na estrutura de mercado –  com o usual beneplácito do Congresso - para torná-la ainda mais  talhada de acordo com os interesses dos carteis transnacionais.  E o PT não fez reverter essa tendência.
16. Em relação à Petrobrás, FHC promoveu a aprovação da Lei 9.478, de 06.08.1997,  que eliminou, na prática, a norma constitucional do monopólio da União na  produção,  refino e transporte do petróleo, não formalmente revogada.
17. Essa lei permitiu, assim, a exploração de imensas jazidas descobertas pela Petrobrás na plataforma continental,  por carteis transnacionais, liderados pelas gigantes empresas angloamericanas - que,  há mais de um século,  têm preponderado no produto de maior expressão no comércio mundial.
18. Ademais, dita Lei criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) no esquema de esvaziar a administração do Estado, terceirizando-a para  agências ditas públicas, dotadas de autonomia e postas sob a direção de executivos e técnicos ligados à oligarquia financeira angloamericana.

19. Um desses, genro de FHC, David Zylberstajn, foi nomeado diretor-geral da ANP. Como lembrou o engenheiro Pedro Celestino, em excelente artigo, teve início, sob o comando de Zylberstajn,  ”o leilão das reservas de petróleo brasileiras, em modelo que não se aplica no mundo desde o primeiro choque do petróleo, permitindo à concessionária apossar-se do petróleo produzido, remunerando o Governo com royalties, ao invés de receber por prestação de serviços.” 

20. As constatações de corrupção nas encomendas da Petrobrás -  em inquérito da Polícia Federal, ainda não terminado -  estão servindo de tema para a campanha de desestabilização e impeachment da presidente da República, e também de argumento favorável à privatização.

21. Nenhum desses objetivos sustenta-se em bases justificadas, pois o autor da delação premiada tornou-se diretor da Petrobrás no governo de FHC, mentor do partido que se pretende beneficiar com a derrubada de Dilma Roussef ou sua transformação em títere completo do capital estrangeiro, o qual tem no PSDB seus principais serventuários locais.

22. Ademais, o delator Paulo Roberto Costa praticou, ele mesmo,  os crimes que denuncia,  em prejuízo do patrimônio público e em ofensa à moralidade da Administração, como também cometeram políticos de diversos partidos que têm exercido cargos diretivos na Petrobrás.

23. Paulo Metri, outro competente e experiente engenheiro da Petrobrás, reafirma ser indispensável investigação profunda na estatal.  Ressalva, porém, que a exposição antecipada de fatos  investigados pode ter tido por meta somente  derrubar as intenções  de votos pró-Dilma.   

24. Assinala que a presidente não tolheu as ações da Polícia Federal, nem tem um engavetador para sumir com os processos. Nota: alusão ao PGR de FHC, conhecido como  engavetador-geral da República. 

25. Metri considera imprescindível punir, com rigor, os agentes públicos comprovadamente corruptos e também os esquecidos corruptores. Até porque, mais que o desvio de dinheiro, a corrupção com a Petrobrás atinge a auto-estima de que o País precisa para realizar seu projeto nacional.

26. Em relação à Petrobrás, é fundamental corrigir os vícios nela implantados e viabilizar seus investimentos, cuja enorme rentabilidade está assegurada em função das colossais descobertas que a estatal obteve na plataforma continental e no pré-sal. 

27. A  Petrobras – aduz  Metri - tem vencido  obstáculos, como extrair, de grandes profundidades e a distâncias da costa cada vez maiores, petróleo escondido abaixo de camadas incomuns, mercê de tecnologias especiais desenvolvidas  por técnicos da estatal.

28. A qualidade destes  depende da motivação e  de que não sejam preteridos por políticos em cargos de direção nem por terceirizados.

29. Celestino e Metri lembram que FHC elevou desmesuradamente o salário de gerentes e superintendentes, o que os fez, por demais, temerosos de perder seus empregos, e omissos em resistir contra decisões suspeitas, tal como ocorre com terceirizados. Ademais, FHC liberou a  Petrobrás de  cumprir a Lei de Licitações, apoiado por decisão do ministro Gilmar Mendes, no STF. 

30. Não basta para reverter o descalabro, evitar que Dilma seja substituída por alguém mais propenso a aceitar as imposições imperiais. Há que dar passos na restauração da soberania nacional, ferida inclusive pela alienação, quase graciosa, de 40% das ações preferenciais da Petrobrás, após a promulgação da Lei 9.478/1997, e pelos leilões do petróleo da plataforma continental e do pré-sal, nos governos do PT.

* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

HAVANA E LA PAZ SÃO NOVAS CIDADES-MARAVILHA DO MUNDO

ANTONIO EURYCO











Uma imagem de cada (foto montagem 7CitiesWorld/Divulgação)

Duas capitais latino-americanas, La Paz, na Bolívia, com sua impressionante altitude e localização nos Andes, e a histórica, tradicional, misteriosa e antiga Havana, na ilha de Cuba, formam na relação das 7 Cidades que também relacionou como vencedoras da escolha, Beirute, no Libano, Durban, na Africa do Sul, Kuala Lumpur, na Malásia, Vigan, nas Filipinas, e Doha, no Qatar, onde a natação brasileira viveu um final de semana de ouro.


Área central da capital boliviana onde aparece o estádio Hernando Silesutilizado na Copa América e Libertadores
A campanha da New Wonders Cities, criada em 2011 e completada no sábado, dia 7 teve o anúncio oficial feito por Bernard Weber, fundador e presidente da organização, que informou a presença de 1.200 candidatas de 220 países diferentes durante as várias fases da competição. Nenhuma representante brasileira chegou à etapa decisiva.
O dirigente assinalou que as 7 cidades representam a diversidade global da sociedade urbana. "Pela primeira vez na história da humanidade, mais da metade da população do nosso planeta vive em cidades e esta eleição enfatiza o caráter drasticamente desafiador do nosso mundo em mudança. O New7Wonders Cites vai juntar-se agora aos New7Wonders da Natureza e os New7Wonders of the World para tornar-se parte da memória global da humanidade", declarou.
Com fases de eliminação, as 28 finalistas foram anunciadas em outubro e daí ate a votação final que foi encerrada às 07.00 GMT do dia 7. Nas sete escolhidas, a partir de agora serão organizados eventos para a entrega oficial do título


O Capitólio de Havana, na parte antiga da cidade, é uma atração que está sendo renovada. (Foto: Divulgação





 





sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

PACHECO E AS NOVELAS DE PRIMEIRA HORA DA TV GLOBO

Raul Longo

O casal de amigos Pacheco e Milú, de Curitiba, não é bobo. Logo, não assistem as novelas da Globo. Mesmo assim Pacheco se espantou com uma das ficções da emissora quando alguma atriz da novela que há décadas exibem diariamente, subdividindo os capítulos cotidianos em 4 partes, recentemente acrescidos de uma a mais para madrugadores; afirmou que o golpe ao presidente Goulart ocorreu porque Jango teria prometido fazer as reformas populares "... Na lei ou na marra".

Preocupado, Pacheco me escreveu perguntando se eu teria lembrança de tal pronunciamento do personagem real que presidiu o Brasil até ser destituído por alguns generais do exército brasileiro e o embaixador Lincoln Gordon dos Estados Unidos.

Expliquei ao Pacheco que eu ainda era muito jovem na época, mas como no título do documentário de Camilo Tavares, “O Dia que durou 21 anos”, aquele 1º de Abril de 1964 para mim não foi apenas mais um Dia da Mentira. Muito pelo contrário! Foi o dia em que tardiamente, já então com 12 anos de idade, descobri a verdade de minha condição de filho de pai austero ao me dar conta de que os projetos do governo dos Estados Unidos para meu país e continente, poderiam ser mais traumáticos para o resto de minha vida do que a cinta do pai.

Deixando minhas realidades pessoais de lado e voltando ao universo ficcional da Globo, que superam em muito a virtualidade em voga nestes tempos informáticos, tive de explicar ao Pacheco -- que não é bobo -- que se a emissora jamais se preocupa com as informações que transmite é apenas por se aprimorar exclusivamente no ficcional de suas novelas.

Citei até a interpretação de uma de suas apresentadoras em um programinha da tarde, no papel de repórter cultural. Casualmente passando frente a um aparelho de TV sintonizado à emissora, chamou-me a atenção a bela paisagem de Búzios ao fundo e acabei ouvindo aquela atriz afirmar ter sido ali que Ronaldo Bôscoli compusera determinada música para Elis Regina.

Isso só poderia acontecer na cabeça dos novelistas da Globo, pois a música do Bôscoli, um clássico da Bossa Nova lançado pela Silvinha Teles nos anos 50, nunca foi gravada pela Elis que somente lançou seu primeiro long-play, “Viva a Brotolândia!” em 1960, quando ainda assinava como “Elís”, com agudo no “í”, e interpretava músicas do estilo “Jovem Guarda”.      

Pois exatamente por não ser bobo, Pacheco que não assiste a Globo acabou caindo na bobagem de acreditar que a emissora pauliroca, de produções meio paulista e meio carioca, designe parte de seus estúdios e interesses para produção de informativos. Aproveito esse engano do amigo para desfazer recorrentes maus entendidos dos que vivem acusando aquela emissora de mentir sobre a história e a atualidade político/econômica do país.

Não é isso gente! As pessoas é que entendem mal e acabam até elegendo e apoiando personagens criados pelo talento dos ficcionistas de uma empresa de comunicação exclusivamente especializada em produção de novelas. Já que o público confunde ficção e realidade e até elege personagens das telenovelas da Globo para cargos políticos, a empresa de comunicação resolveu explorar esse mercado ou preferência pública pelo gênero. E deu tão certo que acabam de ampliar as partes de capítulos exibidos diariamente daquela sua mais antiga novela que reproduz o que seriam atividades jornalísticas no mundo real.

A programação que se utiliza da criatividade de alguns atores habituados a papéis de comentaristas e repórteres, antes se iniciava numa sequência para despertar seus telespectadores com notícias terríveis sobre um país em constante falência e sem qualquer perspectiva de futuro, paradoxalmente intitulada “Bom Dia Brasil”. Mas aquela ambientação nada tem a ver com o Brasil real!

Por volta das 13 horas o capítulo do dia prossegue numa sequência mais amena que é pra combinar com o horário digestivo, mas lá pelas 20 horas retornam ao dramatismo. Por fim, cerca de meia noite encerram estimulando os pesadelos de uns ou oferecendo uma boa noite de sono a outros que percebem algum humor no ridículo da paródia ao final do capítulo de um dia que reiniciará no seguinte, como acontece invariavelmente há bem uns 50 anos, levando muitos a acreditarem que essa novela sem fim da Globo só acabará quando a emissora encerrar suas transmissões.

Pois desde segunda-feira desta semana anteciparam o início da diária exibição dos capítulos dessa novela, lançando nova sequência com o título “Hora 1”. Dizem que a estreia  já é um sucesso, mas o comentário é suspeito, afinal neste horário não há nenhuma novela concorrente nos outros canais. Portanto, como as apresentações cotidianas das demais sequências continuam perdendo IBOPE para os telejornais das outras emissoras, os analistas concluem pela inevitável progressão da decadência desse gênero de novelas da Globo que desde o início deste século parece ter cansado ou enjoado o público. Não deixa de ser uma  produção barata de alto patrocínio por grupos políticos nacionais e multinacionais, mas com esse descaso público será que continuará pregando mentirinhas de 1º de Abril no meu amigo Pacheco que exatamente por não ser bobo se espanta com as tantas mentiras da Rede Globo?  

Não sei se em qual das sequências desses capítulos o Pacheco ouviu dizer que Jango teria prometido fazer as reformas de base "... Na lei ou na marra".  Na verdade pouco importa se nas diurnas, noturnas ou no lançamento da vespertina; pois de toda forma em respeito ao meu amigo que não é bobo e mesmos aos que porventura levem a Globo para dentro de suas casas, é preciso advertir que história é uma coisa e ficção de novela é outra. Mesmo tentando reproduzir algum fato real, nunca tem nada a ver com a verdade do que realmente aconteceu ou acontece.

O fato verdadeiro e real pode ser visto e apreendido por aqui: 



Já a ficção da Globo é ficção e não se pode exigir nenhuma verdade de quem não tem nem pretende ter qualquer compromisso com a verdade dos fatos, tampouco interesse comercial em divulgá-los